Amy Lee lidera a versão mais ambiciosa do Evanescence em décadas em Sanctuary

Amy Lee lidera a versão mais ambiciosa do Evanescence em décadas em Sanctuary

Quando foi anunciado que Jordan Fish, ex-Bring Me The Horizon e um dos produtores mais requisitados do metal moderno, estaria envolvido em Sanctuary, muita gente imaginou que o Evanescence seguiria a cartilha adotada por diversas bandas que passaram a incorporar eletrônicos, programações e estruturas mais contemporâneas, como o Spiritbox. Felizmente, não foi isso que aconteceu.

O novo álbum mostra uma banda que entende exatamente quem é. Jordan Fish não transforma o Evanescence em outra coisa. Seu papel parece muito mais o de potencializar qualidades que já existiam do que reinventar a roda. O resultado é um disco que dá um enorme passo em direção ao metal moderno sem abandonar a personalidade construída por Amy Lee e companhia ao longo de mais de duas décadas.

Ao contrário de álbuns recentes da “classe dos anos 2000”, Sanctuary soa gigantesco e é um dos maiores trabalhos da banda, mesmo que não tenha mais a potência da rádio e da MTV como propulsores. As guitarras são mais pesadas, os refrões mais impactantes e os arranjos eletrônicos aparecem como complemento, não como muleta. Há uma sensação constante de movimento e urgência que faz o álbum soar atual sem parecer uma tentativa desesperada de acompanhar tendências. O que, para mim, foi um grande alívio.

Amy Lee começa o álbum em tons mais graves, mas depois prova que continua sendo o centro gravitacional de tudo. Logo em seu primeiro agudo, sua voz segue carregando a dramaticidade característica da banda, mas agora encontra um instrumental mais agressivo e confiante. O Evanescence de Sanctuary não está olhando para o passado. Está olhando para frente.

E talvez seja justamente aí que esteja o único “problema” do disco. O som da banda evoluiu tanto que as faixas mais próximas da fórmula clássica acabam parecendo menos interessantes ou dão a sensação de “eu já ouvi isso antes”. As baladas e os momentos mais contemplativos não são ruins, longe disso. Apenas têm dificuldade para competir com músicas que mostram um Evanescence mais pesado, moderno e ambicioso. Quando o álbum acelera, cresce e explora sua nova identidade, fica evidente que esse é o caminho mais natural para a banda neste momento.

O mais interessante é que essa modernização não vem acompanhada de perda de identidade. Ainda é impossível confundir o Evanescence com qualquer outra banda. Os elementos que fizeram o grupo conquistar milhões de fãs continuam presentes, mas agora aparecem revestidos por uma produção que amplia seu alcance e sua potência.

Sanctuary não é uma reinvenção completa. É algo mais difícil de alcançar: uma evolução convincente. Um álbum que respeita o passado sem ficar preso a ele. Mais do que um retorno inspirado, o disco apresenta um Evanescence agressivo, atual e pronto para assumir novamente o papel de protagonista dentro do rock e do metal contemporâneo.