A eterna baixista do Sonic Youth, Kim Gordon, continua desafiando paradigmas e acaba de anunciar seu terceiro álbum solo. O disco se chama Play Me e a Matador Records agendou o lançamento para 13 de março.
Para oficializar a novidade, Kim Gordon liberou a faixa Not Today. A música evidencia uma tensão poética inédita em sua voz e chega acompanhada de um curta-metragem dirigido por Kate e Laura Mulleavy, fundadoras da grife Rodarte.
Moda, ruído e cinema
No vídeo, Gordon veste um vestido de tule de seda tingido à mão, uma peça de arquivo feita sob medida para ela pelas irmãs Mulleavy anos atrás.
“Ela era nossa ídola… Quando começamos a conceituar o vídeo, Kim sugeriu usar o vestido, o que sabíamos que era perfeito para a ideia”, contam as diretoras.
Sonoramente, Play Me expande a paleta de Gordon. O trabalho mantém a colaboração com o produtor Justin Raisen (Charli XCX, Yves Tumor), mas agora incorpora batidas mais melódicas e o impulso motorik do krautrock. Gordon define o som como “mais focado e talvez mais confiante”, priorizando músicas curtas e orientadas pelo ritmo.
Crítica ácida aos bilionários e à IA
Se The Collective (2024) trouxe o peso industrial, Play Me processa os danos colaterais da era moderna. As letras atacam a classe bilionária, o fascismo tecnocrático e o achatamento cultural impulsionado pela Inteligência Artificial.
A artista não poupa alvos específicos:
- “Square Jaw”: Acusa a masculinidade tóxica de Elon Musk e critica a poluição visual dos caminhões da Tesla.
- “ByeBye25”: Recria a faixa de abertura do disco anterior usando palavras da lista de termos “banidos” por Donald Trump (como “mudança climática” e “gripe aviária”).
- “Dirty Tech”: Lamenta as vítimas humanas da IA e a devastação ambiental causada pela tecnologia.
“Fiquei pensando: será que meu próximo chefe vai ser um chatbot de IA? Nós seremos os primeiros cujas luzes vão se apagar — não os bilionários da tecnologia”, reflete Gordon.
A faixa-título também ironiza a cultura do streaming, sobrepondo nomes de playlists do Spotify a um groove trip-hop, criticando a “cultura da conveniência” que tenta prever nosso humor antes mesmo de sentirmos algo.
Assista ao clipe de Not Today abaixo.