Quando a história acontece, Bruce Springsteen não costuma ficar em silêncio. Nesta quarta-feira (28), o “The Boss” surpreendeu a todos com o lançamento de uma canção inédita e visceral: Streets of Minneapolis.
A faixa é uma resposta direta e imediata ao que o cantor chamou de “terror de estado sendo visitado na cidade de Minneapolis”. A música é dedicada aos “vizinhos imigrantes” e, especificamente, à memória dos residentes Renee Good e Alex Pretti, mortos por agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement).
Exército privado do Rei Trump em Streets of Minneapolis
A urgência da gravação é palpável. Em comunicado, Springsteen revelou o processo relâmpago: “Escrevi essa música no sábado, gravei ontem e lancei para vocês hoje”.
A sonoridade começa parcialmente acústica, mas explode em um arranjo de banda completa. A letra não usa meias palavras. Springsteen descreve uma cidade em chamas sob as botas de um ocupante, referindo-se aos agentes federais como o “exército privado do Rei Trump vindo do DHS”.
O refrão e os momentos de canto coletivo incluem o grito de guerra: “ICE out of Minneapolis” (ICE fora de Minneapolis).
Tributo às vítimas
O momento mais tocante da canção narra a tragédia local, citando nominalmente as vítimas da ação federal: “Havia pegadas de sangue / Onde a misericórdia deveria estar / E dois mortos deixados para morrer nas ruas cheias de neve / Alex Pretti e Renee Good”.
O título da faixa ecoa, propositalmente, um dos maiores clássicos de sua carreira, Streets of Philadelphia (que abordava a crise da aids anos 90), traçando um paralelo entre as crises humanitárias de diferentes épocas.
A música encerra com uma promessa de resistência para este “inverno de 26”: “Vamos tomar nossa posição por esta terra / E pelo estranho em nosso meio / Vamos lembrar os nomes daqueles que morreram / Nas ruas de Minneapolis”.
Ouça a faixa abaixo