Quando a 100 Ilusões surgiu, em 2001, ela não foi planejada para ser protagonista. Formada por músicos que já tocavam no D-Cups, Drop Your Guns, Face Forward e Faces do Ódio, a banda era, em tese, um projeto paralelo.
Mas a química foi explosiva e o “lado B” virou referência principal.
“O objetivo era fazer um som mais pesado e rápido. A proposta de dois vocais cantando juntos, um melódico e outro berrado, era novidade na época”, relembra Franz Magpantay (ex-Turn Away), que assumiu o baixo na segunda formação.
100 Ilusões era a seleção do hardcore
O time original era uma seleção da cena: Rafael Petit e Rafael Boch (vocais), Thiago Chokito e Fylipe (guitarras), Nego (baixo) e David Gonzalez (bateria, hoje no Bayside Kings).
Com o tempo, a banda evoluiu. Entraram Leonardo Russo (vocal), Giácomo Orsélli (guitarra) e Franz Magpantay (baixo). Mesmo após sair, Russo continuou sendo um “membro honorário”, assinando o design dos discos e até salvando a banda nos vocais em um show histórico na casa noturna Tribal.
Discografia
A sonoridade pesada levou a 100 Ilusões para palcos gigantes. Em 2005, a banda viveu seu auge ao abrir para as lendas do hardcore mundial Hatebreed e Agnostic Front em São Paulo e São José dos Campos, respectivamente.
Esse peso ficou registrado em dois álbuns de estúdio e uma coletânea:
- Relatos (2006): produzido por Fabricio Souza (Garage Fuzz) pela Onelife Rec.
- Estandarte (2012): trabalho independente e maduro.
- From The Sand to The Sea: split com Larusso e Face Forward.
“Esquema do Ratinho” no Praia Sport Bar
Mas antes dos shows internacionais, a realidade era crua. O berço da banda foi o extinto Praia Sport Bar, onde vigorava o folclórico “Esquema do Ratinho” (dono da casa).
“Era assim: 5 ‘mangos’ a entrada. 3 pro dono, 2 pra banda. Achávamos ruim ele levar a maior parte, mas topávamos. Depois que o Praia fechou, piorou: tínhamos que pagar para tocar sem saber se a bilheteria cobriria. Tomamos vários prejuízos, mas éramos felizes e não sabíamos”, diverte-se Franz.
Legado
A rotina profissional diminuiu o ritmo dos ensaios, mas não a amizade. “Quem tem banda sabe o quão difícil é manter por tanto tempo. A amizade sempre esteve antes da música e foi isso que nos manteve juntos”, finaliza Franz, resumindo o espírito de uma geração que fez muito com pouco.
Estandarte