É impossível falar de anarco-punk na Baixada Santista, e no Brasil, sem reverenciar a Abuso Sonoro. Com atividades entre 1993 e 2006 (e um breve retorno em 2009), a banda transcendeu a música para se tornar um veículo de militância, gravando discos seminais e embarcando para turnês internacionais numa época em que isso parecia impossível para o underground.
A banda nasceu da fusão de integrantes de outros grupos, como o Leucopenia. Após mudanças iniciais, a formação clássica se estabilizou com Elaine Campos (vocal), Arilson Aparecido (guitarra/vocal), Juquinha (bateria), Rui (guitarra) e Angelo (baixo). Posteriormente, Luiz assumiu o baixo, consolidando o quarteto.
Ideologia e som da Abuso Sonoro: crust, punk e metal
Mais do que notas musicais, a Abuso Sonoro propagava ideias. As letras abordavam o anarquismo, lutas sociais e processos revolucionários.
“A maioria dos integrantes já militava em grupos anarquistas. Um dos objetivos era ter um espaço para tocar a música que gostávamos, conhecer pessoas que se identificavam com o anarquismo e compartilhar ideias”, explica Elaine.
Sonoramente, o grupo era uma parede de ruído organizada, fundindo influências de crust, punk e metal.
Passaporte carimbado
A partir do final dos anos 90, a Abuso Sonoro rompeu as fronteiras regionais. A banda realizou duas turnês internacionais históricas.
- Europa (1998): Desbravando o circuito de squats e centros sociais do velho continente.
- Argentina e Uruguai (1999): Fortalecendo os laços latino-americanos.
“Eu lamento muito não termos conseguido tocar pelo Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país. Uma pena, pois sempre tivemos muitos amigos nessas regiões”, pondera a vocalista.
Resgate da memória do Abuso Sonoro (Bandcamp)
A discografia é vasta: K7s, CDs, EPs de 7 polegadas e LPs de 12 polegadas. Para combater a desinformação de blogs antigos, a banda dedicou-se a organizar todo esse acervo no Bandcamp, disponibilizando letras e datas corretas para as novas gerações.
Diáspora: onde estão hoje?
Com o fim da banda, a vida levou os integrantes para caminhos distintos, muitos deles longe da Baixada:
- Elaine: Dedica-se à fotografia e à militância feminista e anarquista.
- Rui: Mudou-se para a Europa, onde tocou na banda Bad Luck Rides On Wheels.
- Arilson: Também radicado na Europa (Holanda), tocou na banda Sangre e empreendeu com o café vegano Café Vux.
- Juquinha: Manteve as raízes em Guarujá, tocando na banda A Phoyce.
- Luiz: Seguiu na ativa com a banda O Cúmplice.
Um reencontro é improvável devido à distância geográfica, mas o legado da Abuso Sonoro permanece como um dos pilares da cultura DIY (Do It Yourself) brasileira.













Jogo Sujo (1994)
Prisões (1995)
Padrões – Split w/ Detestation (1995)
Revolte-se (1996)
Já Basta (1997)
Infância Armada – Split w/ Amor, Protesto y Ódio (1998)
Nem Explorados Nem Exploradores – Split w/ Wojczeck (1999)
Herencia (2000)
S/T – Split w/ Autoritär (2000)
Contraataque – Split w/ No Violence (2001)