Atiradores: ska em português que conquistou a 98 FM e a Enseada

Atiradores: ska em português que conquistou a 98 FM e a Enseada

Em 1998, o Brasil vivia a explosão do Ska. Impulsionado pela coletânea Ska Brasil (Paradoxx), o gênero dominava a TV e o rádio com bandas como Skamoondongos e Skuba. Em Santos, Jean Marcell decidiu que era hora de surfar essa onda, mas com um toque pessoal.

Recém-saído do The Bombers, Jean usou a vontade de compor em português como combustível para criar a Atiradores.

“Queria trabalhar um som ska em português, com direito a um belo naipe de metais, mas acabou apenas com um trompete”, brinca Marcell.

Para essa empreitada, ele recrutou um time de peso:

  • Rubens Lima (bateria);
  • Fabiano Riot (baixo, sim, o líder da Riot 99);
  • Denis (trompete).

Sucesso do Atiradores nas FMs da Baixada

A aposta no idioma nativo deu certo rápido. A banda lançou duas demos fundamentais: Comi a Vizinha (1998) e Por Que Você Não Vem? (2002).

Diferente de muitas bandas da cena que ficavam restritas aos fanzines, a Atiradores invadiu o dial santista:

  • A faixa Comi a Vizinha tocou na programação da 98 FM.
  • Skaminhando virou trilha de comercial na Enseada FM.

Outros sons como Em Algum Lugar, Então Diga e Ska Dance Tonight garantiram a presença da banda nos palcos da região.

Rotação de membros e festas “molhadas”

Entre 1998 e 2003, a Atiradores funcionou como um celeiro de talentos, contando com a passagem de músicos como Denis Pi (The Bombers e Gritos do Subúrbio), Estefan Ferreira (The Bombers, Rebel Heads e Getting Mental), Maccoy (Riot 99) e Felipe Peralta (Turn Away e Gas Burner).

A banda marcou presença nos clássicos Chopp Chopp e Praia Sport Bar, mas a memória mais viva de Jean é de uma festa à fantasia caótica: “Foi uma maré de gente invadindo até a piscina do local durante o show”.

Irmandade do Atiradores

Hoje, com os integrantes casados e focados na família, a Atiradores vive na memória, mas com uma conexão umbilical com outra lenda local.

“As bandas Atiradores e Riot 99 são filhos do mesmo amor. Retornar a fazer o som de qualquer uma dessas bandas só dependeria da conversa dos pais”, filosofa Jean.

“Sempre fico na vontade de levar aquele som. Aliás, estamos mais experientes no timbre da idade e as letras virão com mais leveza e sinceridade”, finaliza, deixando a porta aberta para o futuro.