Blind: Das cinzas do K.O.V. à abertura para o Shelter e o lendário “BlindMóvel”

Blind: Das cinzas do K.O.V. à abertura para o Shelter e o lendário “BlindMóvel”

O fim da banda K.O.V. no início dos anos 1990 não foi um encerramento, mas sim o combustível para o surgimento de um dos nomes mais fortes do hardcore santista: a Blind.

Formada em 1994, a banda reuniu os ex-K.O.V. Luiz Carlos (bateria), Fábio Simões (vocal), Luiz Fernando (baixo) e Guilherme Borgomoni (guitarra).

“Musicalmente, seguimos a pegada do K.O.V., tanto que no repertório inicial do Blind ainda tocávamos algumas músicas compostas pelo Guilherme na época da banda anterior”, explica Luiz Carlos.

Conexão europeia e influências do Blind

Influenciada por Poison Idea, Dag Nasty, Face to Face e Bad Religion, a Blind rapidamente chamou a atenção fora do Brasil.

Após as demos Better Life??? (1994) e Violence Against Freedom (1995 – já com Ciso Silva na guitarra), o grupo emplacou músicas na coletânea Um Chute na Oreia!, lançada pela Fast’n Loud Recs, de Portugal. A faixa também entrou na compilação francesa Chaos Core.

O único álbum completo, Someone to Blame, veio em 1999, consolidando a discografia.

Show com o Shelter e o “BlindMóvel”

A repercussão internacional abriu portas para grandes palcos no Brasil. O momento mais marcante foi a abertura para a lenda do hardcore mundial Shelter, em sua primeira turnê pelo país, em 1996.

“Tocamos com lotação máxima, mais de 1.000 pessoas. Subimos ao palco após Cólera e Garage Fuzz, antecedendo os gringos. Detonamos!”, relembra o baterista.

A lista de shows inclui ainda Ratos de Porão, Noção de Nada e Charlie Brown Jr. (na fase em que Chorão ainda flertava com o metal).

Para chegar nesses shows, a banda contava com o lendário “BlindMóvel”: um Fiat Mille guerreiro do baixista Luiz Fernando.

“Levávamos todo o equipamento no Mille. Como não tinha som no carro, eu levava um tape-deck com dois falantes (que consumia seis pilhas grandes) e viajávamos curtindo fitas K7”, diverte-se Luiz.

Dança das cadeiras e atividade atual do Blind

A banda sofreu inúmeras alterações de formação ao longo dos anos, com passagens de músicos como Rodrigo Cimini, Jorge Freire, Daniel Ribeiro, Bruno Siqueira e Juquinha. Houve tentativas de reunião em 2009 e 2014, mas a continuidade foi difícil.

Hoje, os integrantes seguiram rumos diferentes:

Luiz Carlos: Tornou-se uma máquina do metal extremo. Atualmente é vocalista do Chemical Disaster, Vulcano e Hierarchical Punishment, além de tocar bateria no Predatory e comandar o selo Violent Recs

Fábio Simões (vocal): Único presente em todas as formações, acabou se aposentando da música (“pendurou as chuteiras”).

Daniel Ribeiro e Bruno Siqueira: Vivem em São Paulo.

Adair Jr.: Segue na ativa com No Sense e Repulsão Explícita.

Discografia completa:
1994 – Better Life??? – demo (k7)
1995 – Violence Against Freedom – demo-ensaio (k7)
1995 – Um Chute na Oreia – coletânea (cd) – Fast’n Loud Recs/Portugal
1996 – Monday isn’t a Bad Day at All – coletânea (cd) – independente
1996 – Be Positive! – 3-way split c/ White Frogs e Twin Puppets (cd) – Fast’n Loud Recs/Portugal
1997 – Chaos Core – coletânea (cd) – Chaos City Core Re-Core/França
1998 – 668 – coletânea (cd) – Pecúlio Discos
1999 – Someone to Blame – debut (cd) – Thirteen Recs
1999 – Friend’s Party – coletânea (cd-r) – independente (lançado pelo Wladimyr Cruz/site Zona Punk)
2001 – HC Scene #4 – coletânea (cd) – Lab Recs
2001 – 100.000 Thirteen Costumers Can’t be Wrong – coletânea (cd) – Thirteen Recs
2002 – Não Nasci pra ser Herói… Por isso não Preciso de Méritos – coletânea (cd) – H Recs
2004 – Demo – demo (cd-r) – não lançada oficialmente