Burning Inside / Dínamo 81: a guinada para o português e a origem na Federal de Cubatão

Burning Inside / Dínamo 81: a guinada para o português e a origem na Federal de Cubatão

Muitas bandas da Baixada Santista nasceram nos corredores de escolas. No caso da Burning Inside, o berço foi a Escola Técnica Federal de Cubatão (hoje IFSP).

Foi lá que, em 1998, um grupo de amigos decidiu transformar a afinidade musical em som. A formação original contava com Marco (vocal/baixo), Humberto (guitarra solo), Valmir (guitarra base) e Cleber (bateria).

“Eu já era conhecido na escola por tocar em banda. Um dia o Marco me convidou porque queria focar apenas nos vocais e composições. Assim assumi o baixo”, relembra o baixista da formação clássica.

A proposta inicial seguia a cartilha do punk rock californiano (Bad Religion, Social Distortion, Pennywise) com letras em inglês.

Metamorfose no Burning Inside: nasce a Dínamo 81

A virada do milênio trouxe mudanças drásticas. Após um breve hiato em 1998 e a saída de Humberto, a banda retornou em 1999 com novo nome: Dínamo 81.

Com a entrada de Vitor “Mingo” na guitarra solo, o grupo tomou uma decisão ousada para a época: abandonar o inglês e compor em português.

“Foi considerado uma guinada ousada, já que era de praxe a galera do hardcore cantar em inglês”, analisa o baixista.

Dessa fase, surgiram sons como Jimmy, Faça a Diferença, Anos 90 e Morto em Combate.

Circuito: Ilhas Gregas, Plataforma e Mythos

A banda circulou pelos principais palcos do underground da época. O roteiro incluía o Banana Grogue (canal 2), o Plataforma Bar (no porão de uma casa na Rua Joaquim Távora) e o saudoso Ilhas Gregas (que em outras fases foi Chopp Chopp e Armazém 7, na Avenida Bartolomeu de Gusmão, 7).

“O Ilhas Gregas ficava na Ilha de Conveniência, na praia. Era o ponto de encontro no final dos anos 90. Tocávamos de graça, mas a interação com a galera valia a pena”.

Dois shows ficaram marcados na memória: a abertura para os veteranos do Inocentes em um festival em Mongaguá e a apresentação na lendária casa noturna Mythos, durante o festival da Rádio Enseada em 2000. “Tocamos apenas uma música, mas foi memorável”.

Fim amigável

A banda encerrou as atividades de forma amigável em 2001, quando os objetivos de vida começaram a divergir. O registro sonoro ficou restrito a algumas demo-ensaios e um CD Demo com duas faixas.

Hoje, a música deu lugar às carreiras corporativas e acadêmicas:

  • Vitor, Humberto, Valmir e Cleber: tornaram-se engenheiros.
  • Baixista: virou psicólogo (mas ainda faz barulho em casa).
  • Marco: Formou-se em Letras.

“Olhando para trás, me diverti muito. Seria muito bom reencontrar todos para uma jam session e relembrar os velhos tempos”, finaliza o baixista, deixando a porta entreaberta para o futuro.