Carnal Desire: “sexcore” de Tarso, a fama no Jô e a gratidão a Chorão

Carnal Desire: “sexcore” de Tarso, a fama no Jô e a gratidão a Chorão

“Sexo, sexo, sexo!” Se Jairo Bouer explicava a teoria na TV, Tarso Wierdak Dos Santos trazia a prática (e muita zoeira) para os palcos da Baixada Santista. Um dos personagens mais folclóricos da história do rock local, Tarso frequenta a cena desde o início dos anos 1980, época dos bailes que deram origem ao metal na região.

Antes de se tornar o “guru do sexo hardcore”, ele tocou nas bandas Alcoolica e Pactus Fire. Mas seu grande momento veio em novembro de 1991, com a fundação da Carnal Desire.

“Não tínhamos objetivo nenhum, apenas ser uma banda diferente. Só existiam grupos de punk e heavy metal. Nossas influências eram Agnostic Front, DRI, Slayer e Biohazard“, explica o vocalista e guitarrista.

Policial do sexcore e o Programa do Jô

Único remanescente da formação original, Tarso sempre foi o responsável pelas letras. O tema? Sexo.

“Uso o tema de maneira pesada na pegada, mas sem apelação e divertido”, define.

Essa mistura inusitada de visual sadomasoquista, letras explícitas e a profissão real de Tarso (ele era Policial Militar) chamou a atenção da mídia nacional. A banda foi ao Programa do Jô (Rede Globo) duas vezes (2006 e 2008), um feito inédito para um grupo independente e sem empresário da região.

“Conseguimos entregar um CD na Globo. Passaram a falar que no Brasil todo só a Carnal tinha esse lance de visual, músicas engraçadas e um PM na formação. Foram quinze minutos de fama maravilhosos. Mas sem empresário e feios pra caralho, nada mudou”, brinca Tarso.

Discografia do Carnal Desire

A discografia da Carnal Desire é uma aula de “educação sexual” alternativa:

  • CD Carnal Desire;
  • EPs: Sexcore, Loverboy, Noiva de Satã e Vaginoscopia;
  • Principais sons: O Vira, Churros Assassinos e Cookie é Bom (tocada no Jô).

Em Santos, o palco mais marcante foi o Circo Marinho, espaço público comandado pelo agitador cultural Toninho Dantas. “Era o luxo para shows de rock no início dos anos 90”, relembra Tarso, que lamenta apenas não ter tocado no extingo Caiçara Clube.

Entre a vida e a morte: a ajuda de Chorão

A trajetória da banda quase foi interrompida em 2010. Internado em um hospital público com complicações graves de diabetes e necrose no pé, Tarso ficou entre a vida e a morte.

Quem entrou em cena foi Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr. (falecido em 2013). Amigo de Tarso, Chorão o transferiu para uma clínica particular e arcou com todas as despesas (avaliadas na época em R$ 50 mil), salvando a vida do roqueiro.

Recuperado, Tarso manteve sua promessa de nunca parar. “Eu continuo na luta com o ideal Carnal. A banda só acaba o dia que eu morrer”, garante a lenda viva do underground.

Atualização: o vocalista do Carnal Desire, Tarso Wierdak dos Santos, de 54 anos, morreu na madrugada de 6 de setembro de 2019, após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

Show em Catanduva (2011)

O Vira

Churros Assassinos

Participação no Programa do Jô

Melhor Amiga

MELHOR AMIGA from Carnal Desire on Myspace.

Cookie É Bom

Cookie Bom from Carnal Desire on Myspace.

Bola de Meia

Bola de Meia from Carnal Desire on Myspace.