Contramão: do trabalho escolar à volta triunfal com “Marcas do Tempo”

Contramão: do trabalho escolar à volta triunfal com “Marcas do Tempo”

Muitas bandas desta lista encerraram suas atividades e deixaram apenas saudades. A Contramão, no entanto, escreve um novo capítulo em tempo real. Após um longo hiato, o grupo retornou em 2025 com a formação clássica e o EP Marcas do Tempo Pt. 1, provando que o hardcore melódico santista respira.

Mas a história começa bem antes, no início dos anos 2000, e de forma inusitada: um trabalho escolar.

“O Rodrigo e o Daniel estudavam juntos e precisavam tocar uma música para a aula. Escolheram Ramones. Como sou primo do Rodrigo, me empolguei. Decidimos criar a banda e ensaiávamos sem bateria no quarto dele”, relembra o baixista Rafael Ferreira.

Metal, hardcore e a “cozinha”

O alicerce musical era Daniel Noce (guitarra), único que dominava o instrumento na época e trazia influências de metal e violão clássico para o som. Nos vocais, Rodrigo Medeiros liderava, e Rafael assumia o baixo.

A bateria teve uma passagem curiosa. O saudoso amigo Thiago Cocô tentou assumir as baquetas, mas a falta de técnica o transformou em roadie. Quem assumiu o posto definitivamente foi Guilherme Caetano.

Nota: A banda contou ainda com “quebra-galhos” de luxo como Daniel Ferreira (irmão de Rafael, do Turn Away/Blind) e Bruno Siqueira (Punk Hyenas/Blind).

Fuga do Contramão na Loko Live

Influenciada por Sociedade Armada, Pennywise, AFI e Mukeka di Rato, a Contramão rodou o estado (Indaiatuba, Sorocaba, Curitiba) e abriu para gigantes como Garage Fuzz, Cólera, Blind Pigs e Paura.

Em Santos, o QG era o Praia Sport Bar. Mas foi em Praia Grande, na casa Loko Live, que a banda viveu seu momento mais “filme de ação”.

“Presenciamos uma briga generalizada do lado de fora e tivemos que fugir de ônibus para Santos com os instrumentos”, conta Rafael sobre o perrengue clássico do underground.

Discografia do Contramão

A banda foi prolífica na primeira fase (2001-2009), lançando cinco registros:

  • Subnação (2002);
  • Faces Nebulosas (2003);
  • Purgatório (2004);
  • Sem Nome (2005);
  • Seu Modo de Vida (2007);
  • Marcas do Tempo Pt.1 (2025).

Faixas como Vaidade, Marcas do Ódio e Apenas Brinquedos marcaram época.

Retorno

Hoje, com os integrantes estabelecidos profissionalmente (Guilherme na manutenção de caminhões, Rafael na produção de móveis, Rodrigo e Daniel na área de tecnologia), a banda provou que “oficialmente nunca acabou”.

Em 2025, concretizaram o plano de não deixar as músicas caírem no esquecimento. Lançaram o EP Marcas do Tempo Pt. 1 e voltaram a figurar nos line-ups de shows da região, mostrando que a Contramão segue na direção certa.