Dead Toys: do fanzine Geração HC ao palco do Mistura Fina

Dead Toys: do fanzine Geração HC ao palco do Mistura Fina

No início da década de 2000, antes das redes sociais dominarem a divulgação, a informação circulava de mão em mão através dos fanzines. Entre títulos clássicos como Rebel, Alienação, Surf Core, Paranóia e Bravo Leader, um se destacava nos shows: o Geração HC.

O responsável pela publicação era o santista Leonardo Daruma (o Léo). Inquieto, ele não se contentou em apenas escrever sobre a cena; decidiu subir no palco. Assim nasceu a Dead Toys.

A origem da banda é um retrato perfeito da época. O grupo foi concebido durante uma conversa entre amigos no show da lendária banda californiana Lagwagon, em 2000, no Mistura Fina, extinta casa noturna que ficava estrategicamente ao lado do antigo Bar do 3, na Avenida Washington Luís (canal 3).

“Era uma proposta livre. Cada integrante trazia suas influências e trabalhávamos as músicas no estúdio”, explica Léo.

Dead Toys foi do punk ao melódico

A formação original contava com Leo (vocal), Julio Cesar (guitarra), Thiago Sam (guitarra), Douglas Nishi (bateria) e Rodrigo Soboleski (baixo).

Inicialmente, a sonoridade bebia na fonte do punk divertido de Toy Dolls, Sex Pistols e NOFX. A virada de chave para um som mais melódico e técnico veio com as trocas de integrantes: saíram Sam e Douglas, entraram Mauricio Toshiaki (guitarra) e Paulo Crumbim (bateria). Posteriormente, Fabio Panda assumiu o baixo após a saída de Soboleski.

Shows memoráveis e o único EP

Com a nova pegada, a Dead Toys viveu seus melhores momentos.

“Tocamos para muita gente no Praia Sport Bar com a 100 Ilusões e Dance of Days. Memorável também foi tocar em São Bernardo do Campo com o Sapo Banjo“, recorda Léo. O currículo inclui ainda Randal Grave, Fistt, Dip Lik e Sugar Kane.

O registro definitivo dessa fase é o EP Próximo dos Sonhos Distantes (2003), que traz faixas como Distante Daqui, Sem Efeitos e Por Todas as Partes.

Ensaio do esquecimento

Hoje, mais de duas décadas depois, a reunião é inviável, mas não por falta de vontade, e sim por “amnésia técnica”.

“Uma vez fomos ensaiar e não lembrávamos mais como tocar as músicas”, diverte-se Léo. “Fica a lembrança de quem viu, leu o fanzine e sentiu aquele momento”.