Quem cresceu em Santos sabe: as escolas estaduais Ruy Ribeiro Couto e Canadá, no coração do Boqueirão, sempre foram celeiros de bandas e palcos improvisados de festivais. Foi nesse ecossistema estudantil que, em 1998, nasceu a Dittohead.
A formação aconteceu no corredor da escola, de forma quase intimada.
“Na época, o Neto queria montar uma banda de hardcore com pegada metal. Estudávamos à noite e ele foi até a porta da sala me chamar. Achei a proposta bacana e questionei: ‘Neto, quem é o vocalista?’. Ele respondeu: ‘Você'”, recorda, aos risos, Fabio Moura.
Hardcore NY era a base do Dittohead
Além de Moura (vocal) e Neto (guitarra), o time inicial contava com Fabricio Zerbinatti (guitarra), Bill Martins (baixo) e Falcão (bateria, sim, aquele onipresente que tocou em “trezentas” bandas da cidade, como o Drop Your Guns).
A sonoridade era pesada, bebendo na fonte do hardcore nova-iorquino de Biohazard e do groove metal do Pantera.
Apesar da carreira breve (encerrada em 2001), a banda deixou registrada uma demo tape em 1999, com faixas como Abuso Exploração, Construct Your Life, Fight e Opressão.
De Mococa ao pátio do Canadá
A Dittohead viveu intensamente o circuito underground. Um dos momentos mais marcantes foi uma viagem de 340 km até Mococa, no interior de São Paulo.
“Foi brutal. Tocamos com a Drop Your Guns e Sistema Sangria, vendemos todas as demos que levamos e fizemos vários amigos”, lembra Moura.
Mas jogar em casa também tinha seus desafios. Em novembro de 1999, tocaram na quadra do próprio Colégio Canadá. A pressão era grande, pois entraram logo após o show do Gritos do Subúrbio, que já era gigante na cena local.
“Pensamos: ‘Fudeu, acabou o show deles e miou o rolê’. Mas não deu outra. Subimos no palco e a coisa fluiu lindamente, com direito a cover do Paura e tudo mais”.
Onde estão hoje?
Vinte e cinco anos após o fim, a Dittohead serviu como trampolim para grandes carreiras:
- Bill Martins: Tornou-se uma referência no metal nacional, assumindo os vocais das consagradas Hellish War e DarkWitch.
- Falcão: Seguiu incansável no cenário hardcore (atualmente na banda Sonar).
- Rodrigo Samia (guitarrista em outra fase): Tocou na Judy’s Vision (já citada na série).
- Fabio Moura: Vive em Uberaba (MG) trabalhando com fotografia.
- Felipe Racca (ex-batera): Atua com publicidade em SP.
Um retorno? “Todos têm vidas estabilizadas, mas nada é impossível”, finaliza Moura.
Abuso, Exploração
Construct Your Life



























