Quem viveu o cenário underground de Santos no final dos anos 1990 sabe que, embora houvesse harmonia, existiam tribos bem definidas: punks, skinheads, roqueiros e os straight edges. Foi justamente desse último núcleo, conhecido por uma filosofia de vida livre de álcool e drogas, que surgiu a Face Forward, um dos principais nomes do hardcore old school da região.
O projeto nasceu da vontade de dois ex-integrantes da banda Unify de fazer um som diferente.
“(O objetivo) era criar um hardcore old school, mas com pouco mais de peso, um som mais direto, além de evidenciar a temática straight edge, que todos da banda viviam na época”, explica Leonardo Motta, o Limão, vocalista.
“Floorpunch brasileiro” e a formação do Face Forward
A Face Forward carregava influências pesadas de Judge, Warzone, Youth of Today, 7 Seconds e Gorilla Biscuits. A sonoridade rendeu até apelidos internos:
“Apesar da brincadeira dos amigos de o Face Forward ser o ‘Floorpunch brasileiro’ (risos), a banda teve muita influência dessa escola clássica”, completa Limão.
A formação que marcou época contava com:
- Limão (vocal);
- Filype (guitarra);
- Danielzinho (baixo);
- Leôncio (bateria).
- Nota: O baterista Bueno também teve passagem pelo grupo.
Discografia do Face Forward teve hinos do underground
A trajetória de gravações começou em 2001, com uma demo K7 de quatro faixas. Mas o registro definitivo veio no ano seguinte, com o CDR For Those Who Still Believe.
Outro marco foi o split (álbum dividido) From The Sand To The Sea, lançado em parceria com as bandas santistas Larusso e 100 Ilusões. Entre as músicas que não podiam faltar nos shows estavam Change, Sincere, No Coming Back e Commitment.
O calor (literal) do Armazém 7
A estreia da banda nos palcos já mostrava a força da cena na época: em 2001, abriram para Mukeka Di Rato, Make Your Choice, Drop Your Guns e D-Cups no lendário Armazém 7.
O local, que hoje é apenas memória na Avenida Bartolomeu de Gusmão, era famoso pela temperatura infernal.
“Nos divertimos pra cacete. Um amigo nosso chegou a quebrar um dente da frente porque, como o chão ficava muito escorregadio pelo calor infernal, ele caiu de cara. Foi hilário”, recorda Limão.
Fora de Santos, o destaque ficou para o Posifest (2002), em Belo Horizonte, onde tocaram ao lado de nomes como Colligere, Good Intentions e I Shot Cyrus.
Onde estão hoje?
Atualmente, os integrantes seguiram caminhos distintos longe dos palcos. O time se divide entre advocacia, design gráfico, programação, audiovisual e até o ramo empresarial de restaurantes.
Embora um retorno oficial seja improvável devido às agendas, a nostalgia permanece. “Já pensamos em fazer alguns ensaios sem compromisso, só por diversão, mas nunca rolou”, finaliza o vocalista.
Atualização: o guitarrista Filype faleceu no fim de 2025