Antes das melodias do 100 Ilusões conquistarem a região, havia o barulho cru da Faces do Ódio.
Formado em 1999, o projeto tinha um objetivo único e honesto: aprender a tocar. David Gonzalez e Thiago Chokito (futuros fundadores do 100 Ilusões) uniram forças com Leonardo (Carmel) e Pedro Teta para fazer um som punk em sinal de protesto, influenciados por Olho Seco, Ratos de Porão, Kaos 64 e Mukeka Di Rato.
“Queríamos fazer um som punk em sinal de protesto ao que nos aborrecia”, resume Chokito (guitarra e voz).
Integrantes do Faces do Ódio eram vizinhos de porta do rock
A grande vantagem logística da Faces do Ódio era o CEP. Os integrantes moravam no bairro do Boqueirão, literalmente vizinhos do lendário Armazém 7.
“Nós vimos o rock começar ali. Era ao lado de casa e a gente ‘mendigava’ show porque era rapidão buscar os instrumentos. Sempre rolava um ‘ae mano, o Faces pode abrir?’. O público variava de 10 até 100 pessoas do nada, muito punk rock”, relembra o guitarrista.
Essa proximidade permitiu que a banda abrisse para nomes como Paura e Questions ainda na fase de aprendizado.
Formação rotativa do Faces do Ódio
Além do quarteto fixo, a banda funcionava como um coletivo, recebendo participações especiais de Rafael Boch (D-Cups), Rodrigo Chinho (Fullheart), Rafael Petit (Drop Your Guns) e Falcão (sempre ele).
O registro oficial é a demo tape Revolta (1999), com quatro sons próprios e covers de suas influências. Músicas de uma segunda demo chegaram a ser compostas, mas se perderam no tempo (“restaram apenas riffs perdidos em alguma fita K7”, brinca Chokito).
Onde estão hoje?
Hoje, a Faces do Ódio provou ser um celeiro de talentos:
- David Gonzalez: tornou-se um gigante da bateria, tocando no 100 Ilusões e no consagrado Bayside Kings (referência nacional).
- Chokito: segue firme na guitarra do 100 Ilusões e trabalha com logística.
- Leonardo: atua como psicólogo e orientador social em Praia Grande.
- Pedro: advogado em São Paulo.
Embora uma reunião nunca tenha saído do papel, a Faces do Ódio cumpriu sua missão: foi a escola barulhenta que formou músicos essenciais para a cena.