Algumas bandas marcam pela longevidade; outras, pela intensidade do momento. A Figment pertence ao segundo grupo.
Formada entre o final de 1995 e o início de 1996, a banda teve uma vida curtíssima, realizou apenas dois shows, mas deixou sua marca ao introduzir em Santos a sonoridade post-hardcore da gravadora Revelation Records. Influências de Farside, Dag Nasty, Fugazi e Sense Field davam o tom emotivo e melódico.
“A banda começou numa conversa minha com o Toninho (da IHZ). Queríamos um vocalista diferenciado e chamamos um amigo de colégio, o Marco Costa, que curtia guitar bands inglesas”, relembra o baixista e fundador Rogerio Santana, o Batman.
A formação original se completou com Adriano Molas na bateria, indicado por ninguém menos que Daniel (do Garage Fuzz e CPM 22), que deu uma força nos primeiros ensaios.
Noite histórica do Figment no Blow Up Club
O primeiro show da Figment é um capítulo à parte na geografia do rock santista. O palco foi o Blow Up Club, na Rua Luís Suplicy, no Gonzaga. A casa, tradicionalmente voltada ao rock clássico, abriu as portas para a nova geração graças a Reynaldo Pereira, pai de Matheus (The Bombers) e Lucas (Gas Burner), que convenceu a gerência.
O resultado? Casa cheia. A Figment abriu para a Nitrominds e para os cariocas da Beach Lizards, que lançavam o clássico álbum Spinal Chords.
“Foi um dia fantástico, fomos extremamente bem recebidos. Lembro de cada detalhe”, conta Batman.
O segundo (e último) show ocorreu no Pub Bar, em Santa Bárbara d’Oeste, abrindo para o Garage Fuzz, já com Adriano (ex-IHZ) substituindo Batman no baixo.
Demo tape e produção do Vulcano
O único registro oficial é a demo tape You’ve Got To Be Yourself (novembro de 1996). Gravada no Estúdio Auriga, a fita tem uma curiosidade técnica fascinante: foi produzida por Zhema e Arthur, lendas do metal da banda Vulcano.
São quatro faixas que capturam a essência daquele momento, com participação de Wagner Petrilli nos violões.
Onde estão?
Hoje, a reunião permanece um sonho distante.
- Rogerio Santana: segue na música com o projeto LeFonque Bistrot (soul/funk/jazz).
- Marco Costa: vive no Canadá.
- Toninho: afastou-se dos palcos.
“Só penso no Figment com a formação original. Se os outros três ‘Figmentos’ se animarem, estarei pronto”, finaliza Rogerio, mantendo viva a memória de uma banda que durou pouco, mas tocou as notas certas.