Se a primeira metade dos anos 90 estabeleceu as fundações do hardcore em Santos, a virada do milênio trouxe os herdeiros desse legado. A Go Ahead, que iniciou as atividades em 1999, é o exemplo clássico dessa transição, bebendo diretamente na fonte da “Trindade Santista”: Garage Fuzz, White Frogs e Sonic Sex Panic.
“O objetivo sempre foi tocar, ensaiar e gravar. Era um hobby levado a sério em algumas épocas, em outras nem tanto”, define o baterista Andre Antunes.
Formação do Go Ahead
A formação original contava com Geninho (bateria), Thiago (voz), Vitor (guitarra, ex-No Strings), Higor (guitarra) e Fábio (baixo). Posteriormente, Diego, Jorge, Antônio e o próprio André passaram pelo time.
A base de operações era o Estúdio No Name, um dos principais bunkers criativos da região, onde a banda compôs, ensaiou e produziu seus materiais.
Calor da Mansão da Prainha
A Go Ahead circulou muito com as bandas Overjoyed e Altered Mind. O batismo de fogo foi no Bar do 3, palco tradicional de festivais de escolas de inglês. Mas o show mais insano tem CEP específico: a Mansão da Prainha, próxima à Ponte Pênsil.
“Foi um show foda com a Overjoyed. Um calor fudido, paredes de vidro e a energia lá em cima”, relembra Antunes.
Além dos parceiros locais, a banda dividiu o palco com gigantes nacionais como Dead Fish e Sugar Kane (este último no onipresente Praia Sport Bar).
Discografia do Go Ahead
Focada no som autoral, a Go Ahead raramente tocava covers (quando rolava, era Hot Water Music ou Farside, denotando bom gosto). A discografia inclui:
- Go Ahead (Demo, 2000);
- Driving At 4 AM (Demo, 2004);
- Drink The Water (EP, 2006);
- Remember From The Past (CD, 2009).
Sons como Limited Ways, Only Words e Modify The Things Faster saíram desses registros e das coletâneas Colorindo HC Vol. 2 e Hey Punk Rocker Vol. 4.
Onde estão hoje?
Agora, a vida profissional espalhou os integrantes. Thiago é diretor funerário em Santos, Higor trabalha no DER, Antônio é engenheiro e André atua como contador. Diego tornou-se funcionário público em Araçatuba.
A distância dificulta, mas não mata o sonho. “Existe uma música que fizemos antes de parar que merece uma gravação. Quem sabe um show de reunião se pintar a oportunidade”, finaliza Antunes.