IHZ: “zoológico humano”, a influência de Pixies e o ativismo animal

IHZ: “zoológico humano”, a influência de Pixies e o ativismo animal

O IHZ (Ignorant Human Zoo) surgiu no final de 1990 como uma evolução natural da cena, vindo na esteira de bandas como OVEC e Psychic Possessor.

Mas o quarteto formado por Fábio Prandini (vocal – futuro Paura e Safari Hamburguers), Marcelo (bateria), Guilherme (guitarra) e Joel (baixo) queria algo mais do que apenas peso e velocidade.

Embora a base fosse o hardcore clássico de Bad Brains, Fugazi e Dead Kennedys, o IHZ flertava abertamente com o indie rock alternativo que explodia no mundo.

“Gostávamos muito de Pixies e Dinosaur Jr. e isso aparecia no som, nos diferenciando do restante”, explica Fábio.

Discografia e ativismo pioneiro do IHZ

A produção de estúdio da banda (1993) rendeu três registros fundamentais para colecionadores:

  1. Split Tape: Safari Hamburguers / IHZ.
  2. Demo Tape: #2.
  3. EP: Alternative Attitude.

Foi na contracapa do EP Alternative Attitude que a banda mostrou sua faceta mais engajada. Num discurso muito à frente de seu tempo para o Brasil do início dos anos 90, o texto destacava: “Basta de crueldade! Diga não aos produtos testados em animais. Não faça do seu rosto um espelho da crueldade para com os animais”.

Dança das cadeiras e o fim

Como muitas bandas da época, o IHZ sofreu com a instabilidade da formação. O baixo passou pelas mãos de Marcelo, Adriano e Luciano. A guitarra e a bateria também tiveram rotatividade com Toninho (ex-OVEC) e Michel.

Em 1994, a banda colocou um ponto final na história. “As constantes alterações de integrantes fizeram com que perdêssemos a identidade e não deu para continuar”, desabafa Prandini.

Apesar da vida curta, o Ignorant Human Zoo deixou sua marca ao provar que o hardcore santista podia ser melódico, alternativo e, acima de tudo, consciente.