Inner Struggle: a escola do NYHC santista, Verdurada e o QG do Marques

Inner Struggle: a escola do NYHC santista, Verdurada e o QG do Marques

Se a Rising (já listada na série) explorava o lado metal do hardcore, a Inner Struggle foi a representante santista da escola NYHC (New York Hardcore). As duas bandas, aliás, compartilhavam o DNA do guitarrista Thiago de Jesus.

Surgida um pouco antes, a Inner Struggle era reflexo direto dos shows internacionais que passavam por Santos nos anos 90. Influências de Madball e Dog Eat Dog eram evidentes, somadas à agressividade de Sick of It All, Earth Crisis, Strife e Vision of Disorder.

“O objetivo era tocar e se divertir. Éramos todos moleques de 17 e 18 anos”, resume Thiago.

Formação e as primeiras Verduradas

A formação original contava com Luis Plácido, Marques e Gemilson. Posteriormente, nomes como Mário, Daniel Zangief e Fabinho (Surprise Box) passaram pelo time.

A banda não ficou restrita à ilha. Eles cruzaram a serra para tocar em um dos eventos mais importantes da subcultura straight edge brasileira.

“Tocamos num dos primeiros festivais organizados pelo coletivo da Verdurada, em São Paulo”, recorda Thiago, destacando o pioneirismo do grupo.

QG do Inner Struggle era na Casa do Marques

Mais do que os palcos, a alma da Inner Struggle residia na casa do guitarrista Marques. O local funcionava como o QG oficial.

“A gente ficava muito lá. Era o lugar onde ouvíamos som, dávamos risada e falávamos muita merda”, diz Thiago, descrevendo a típica rotina adolescente pré-internet.

Musicalmente, essa convivência rendeu duas demo tapes: Together e Strong Foundation. “O pessoal curtia muito a música ‘Together’, da primeira demo. Mas eu gostava mais da segunda, quando assumi o vocal e a gente já sabia tocar um pouquinho melhor”, confessa o guitarrista.

Onde estão hoje?

Quase três décadas depois, a vida adulta dispersou o grupo:

  • Thiago: trabalha com diagramação.
  • Marques: tornou-se historiador.
  • Luis Plácido: vive em Portugal, produzindo conteúdo para WebTV.
  • Mário: atua no transporte de cargas.
  • Gemilson: trabalha no setor portuário.
  • Daniel: firmou-se na área de eletrônica.

Sobre um retorno, Thiago é categórico e bem-humorado: “Impossível! A gente nem sabe mais como tocar as músicas e cada um tomou um rumo”.