Judy’s Vision: supergrupo de hardcore que dominou a Joy

Judy’s Vision: supergrupo de hardcore que dominou a Joy

Quando integrantes de bandas consolidadas decidem unir forças, a expectativa é sempre alta. Em 1999, Rafael Boch (D-Cups) e Thiago Buça (Drop Your Guns) resolveram criar algo novo, sem pretensões iniciais, mas com um critério claro: qualidade técnica.

“Eles tiveram a ideia de reunir uma galera mais experiente. Sem essa de formar mais uma banda entre as mil que tínhamos. A meta era reunir gente que tocasse bem, dominasse os instrumentos e a linguagem do hardcore”, relembra Rafael Nego (também ex-D-Cups), integrante da primeira formação.

Além do trio, o time inicial contava com Rodrigo “Latino” Samia (Gritos do Subúrbio e Dittohead) e Paulo Siqueira (Pulled By a Horse). Com o entrosamento, a brincadeira ficou séria e o projeto, até então sem nome, foi batizado de Judy’s Vision.

Influências do Judy’s Vision: de Fugazi a Joe Satriani

A proposta sonora era ampla. Embora a base fosse o rock e o hardcore, a banda não se prendia a fórmulas. As influências iam do post-hardcore do Fugazi e o punk melódico do Descendents e NOFX, até o virtuosismo instrumental de Joe Satriani.

Essa liberdade criativa moldou a Judy’s Vision como uma banda de “guitar rock”, sempre aberta a novidades.

Ao longo da trajetória, a formação sofreu alterações. Latino, Nego e Buça permaneceram até o fim, enquanto outros nomes de peso passaram pelo grupo:

  • Douglas Ferreira (D-Cups);
  • Thyago Morango;
  • Thiaguinho Amado (Dekreptus).

EP ‘Translating Us’ e a noite lendária na Joy

O que começou sem pretensão resultou em shows memoráveis com bandas paulistanas como Full Heart e Polara. Mas o ápice criativo veio em 2003, com o lançamento do elogiado EP Translating Us. Faixas como Dive On Me, Translating You e Lamp mostravam a maturidade do quinteto.

O show de lançamento desse EP entrou para a história do underground santista. O palco foi a extinta casa noturna Joy, em uma noite que reuniu a nata da cena:

“Tocamos com o Sociedade Armada (que lançava o clássico CD Ordem e Progresso), Imperpheitos, Contramão e Repulsão Explícita“, recorda Nego.

Onde estão hoje?

Atualmente, os integrantes seguiram caminhos profissionais diversos e curiosos fora da música:

  • Latino: Fotógrafo;
  • Douglas: Técnico de audiovisual;
  • Nego: Psicanalista;
  • Buça: Locador de equipamentos para festas;
  • Morango: Locador de guindastes.

Embora o retorno definitivo ainda não tenha acontecido, a vontade de registrar o legado permanece. “A ideia de gravar todas as músicas da banda e fazer uns shows de reunião sempre existiu”, garante Nego.

Ouça o EP Translating Us e a faixa inédita A Joke