Antes da Abuso Sonoro (já citado na série) se tornar a maior referência anarco-punk da Baixada Santista, houve um embrião. Entre 1990 e 1993, Arílson Aparecido liderou a Leucopenia, uma banda que nasceu da forma mais espontânea e “punk” possível.
Em 1990, Arílson estava em casa quando três garotos desconhecidos bateram à sua porta. O motivo? Eles o viam pela cidade usando camisetas de bandas punk.
“Perguntaram se eu queria montar uma banda. Respondi que não sabia tocar nenhum instrumento. Eles disseram que isso não seria um problema, porque eles também não sabiam tocar nada”, relembra Arílson.
Do quarto para o mundo
A formação original contava com Arílson (guitarra), Pitu (bateria), Fábio (vocal) e Jaílson (baixo), substituído logo após o primeiro show por Carlinhos.
O local mais importante da história da banda não foi um bar, mas o quarto de Arílson.
“Era onde ensaiávamos e aprendíamos a tocar fazendo. Foi a melhor fase”, resume.
Desse laboratório caseiro saiu a sonoridade da banda, que evoluiu do punk europeu para influências straight edge como Lärm, Profound e Minor Threat, focando na positividade das letras. O registro desse período é a demo tape Vontade de Viver.
Estreia do Leucopenia no Jambo Coco
A Leucopenia rompeu as paredes do quarto e foi tocar em Vicente de Carvalho (Guarujá), numa casa chamada Jambo Coco.
“Foi nossa estreia. Depois, tocamos fora da Baixada pela primeira vez no festival Use a Mente Que é Legal“, recorda o guitarrista.
Legado na Europa
Com o fim da banda em 1993, Arílson fundou a Abuso Sonoro e fez história. Hoje, vivendo na Europa (Berlim), ele se dedicou ao empreendedorismo vegano com o Café Vux.
O contato com os antigos parceiros se perdeu no tempo. “O que sei é que eles têm um monte de filhos. Espero que estejam felizes”, finaliza Arílson, direto da Alemanha, mas sem esquecer o início em Vicente de Carvalho.