Eles tinham, em média, apenas 16 anos. Mas o que faltava em idade, sobrava em reclamações firmes contra as injustiças sociais e políticas. O palco era o local da histeria coletiva e o espaço ideal para expor a revolta de cinco amigos de infância. Essa era a Necrófilos, banda que fez muito barulho (literalmente e figurativamente) no início da década de 2000 na Baixada Santista.
A formação contava com:
- Pedro Bandini;
- Bruno Teixeira;
- Carlos Campos;
- Pedro “Cadeado”;
- Gabriel Valente, o “Bigode” (o último a entrar no time).
“Foi só começar para ficar claro que havia muita coisa a ser dita. Além de se divertir, a banda toda realmente acreditava que suas mensagens estavam fazendo a diferença e tentando, no mínimo, falar alguma coisa”, diz Bigode.
“Incidente” do Necrófilos no Clube Sírio Libanês
A rebeldia punk da Necrófilos passou pelos palcos clássicos de Santos: Praia Sport Bar, Armazém 7, Bar do 3 e Saloon. Mas o momento mais marcante, e caótico, aconteceu em um território “hostil”: o tradicional Clube Sírio Libanês.
O evento era um festival de uma escola de línguas, ambiente que não estava preparado para a atitude do grupo.
“A banda fez um show que destoava completamente do resto. Durante a apresentação, fizemos um manifesto. Entre gritos de protesto, exaltações para que o público ‘acordasse’, microfones e pedestais quebrados, a banda saiu determinada a organizar mais shows independentes”, relembra Bigode.
Essa postura escrachada e os gritos de “Oi!” nas canções incomodavam. Antes das apresentações, era comum circularem boatos de possíveis invasões de punks nas casas apenas para interromper o show dos garotos.
QG no Estúdio Hutt e Discografia
Longe das polêmicas, a banda fez do extinto Estúdio Hutt, na Ponta da Praia, o seu quartel-general.
“Apesar da adrenalina dos shows, os ensaios, com suas histórias e coisas erradas, sempre foram o mais importante pra nós.”
Foi nesse espaço que nasceram hinos locais como “Bem-Vindo ao Caos”, “Nana Neném” e “Revolução”. Em sua breve carreira (menos de três anos), a banda deixou registrada a demo Não Pague Mais que 2 Reais (2001) e dividiu palco com nomes como Riot 99, The Bombers e Gas Burner.
Onde estão hoje?
Atualmente, nenhum dos integrantes mantém banda ativa. Um retorno oficial da Necrófilos não está nos planos, mas a amizade permanece.
“Sempre conversamos sobre isso. O foco, na verdade, seria relembrar os bons tempos da nossa adolescência, e não retornar às atividades”, finaliza Bigode.