A história do punk rock em Santos tem seus paralelos curiosos. Se a Cãibra Cerebral nasceu do fim de uma banda cover de Ramones, a Neurônios Dilacerados surgiu, em 1993, quando um grupo cover de Sex Pistols decidiu que era hora de fazer barulho próprio.
Liderada por Marcelo Ferrari, o Paulista (vocal), a formação original contava com Luis (bateria), Bruno (guitarra), Thiagão (baixo) e Sansei (guitarra).
A sonoridade não negava as origens: era punk rock cru, influenciado diretamente por Sex Pistols, Dead Kennedys, GBH e Chaos UK.
“Problemas atuais” e o Gran Finale
Apesar de décadas de estrada, a discografia oficial resume-se a um registro cultuado no underground: a demo tape (posteriormente lançada em CD) Problemas Atuais.
Mas foi no palco que a Neurônios construiu sua reputação. Nos três primeiros anos, a banda foi onipresente na Baixada Santista. O show mais lendário aconteceu no extinto Gran Finale, em Santos, dividindo a noite com pesos pesados como Não Religião, Garage Fuzz e Okotô.
Único sobrevivente do Neurônios Dilacerados
Em 1995, a banda sofreu um duro golpe com a dissolução da formação original. Cada integrante seguiu um rumo, exceto um.
Paulista, responsável por todas as letras e pela alma do grupo, recusou-se a deixar a Neurônios morrer. Ele recrutou novos soldados para a causa punk, Robberson (guitarra), Rogério (bateria) e Leandro (baixo), e seguiu em frente.
33 anos de resistência
Desde então, a Neurônios Dilacerados mantém uma agenda de shows esporádicos, aparecendo quando a cena precisa de uma dose de realidade punk.
Um fim oficial nunca foi anunciado. E a regra é clara: enquanto Paulista tiver voz e indignação, a Neurônios Dilacerados continuará existindo, provando que o punk em Santos é, acima de tudo, resistência.







