Assim como a Grande São Paulo tem Guarulhos e o ABC como celeiros de rock, a Baixada Santista tem em Cubatão um polo industrial que também produziu muito barulho. Foi nessa cidade vizinha a Santos que surgiu, em meados de 1998, a Planocohen.
A banda nasceu do intercâmbio natural entre as cidades.
“Uma galera da nossa cidade se reunia e ia aos fins de semana pra Santos assistir aos shows no Banana Grogue e Biroska (Canal 2). Lá a gente tinha contato com a cena da Baixada e conhecia muita gente”, diz Alexandre Souza, baixista e vocalista.
O que começou como “curtição” na laje da casa do baterista logo virou coisa séria, impulsionada pela amizade com outra banda local, a No Way Out.
Planocohen tinha influências de Sociedade Armada e Strung Out
Diferente de muitas bandas de Santos que miravam a Califórnia logo de cara, a Planocohen começou com os pés fincados no punk nacional.
“Gostava muito de Sociedade Armada. Esses caras influenciaram muito nosso som no começo. Era um som mais seco, com letras mais politizadas”, conta Alexandre.
Com o tempo e as mudanças na formação, o som evoluiu para algo mais técnico e melódico, absorvendo referências internacionais como Strung Out. As músicas ganharam duas guitarras, solos, arranjos complexos e letras mais subjetivas.
A formação clássica e seus agregados incluíam:
- Thiago Tortuga (voz) e Alexandre (baixo);
- Marcus e Thiago (bateria);
- Rodrigo e Diogo (ex-No Way Out);
- Marquinhos (guitarra, substituindo Marcus).
Do “Pier” em Cubatão ao Hangar 110
A Planocohen não se limitou às divisas municipais. Um dos pontos altos da carreira foi tocar no “CBGB brasileiro”, o Hangar 110, em São Paulo, ao lado de Blind Pigs e Nitrominds.
“Pelo lugar, pela história, esse show foi emblemático. Fomos com um ônibus alugado com todos nossos amigos, foi sensacional”, relembra Alexandre.
Apesar da glória na capital, o coração da banda batia forte nos picos alternativos de Cubatão, fundamentais para a memória local:
- Bar do Gordo: O local que mais fortaleceu a cena na cidade, reunindo bandas de toda a Baixada.
- O Pier: Shows históricos literalmente na beira do rio, com direito a mergulhos, churrasco e cerveja.
Discografia e o futuro
Entre 1998 e 2006, a banda deixou três registros:
- S/T (Demo tape, 12 faixas);
- MMI (EP, 5 músicas);
- Diário de Alguns Dias (CD Demo, 12 canções).
Sons como Enquanto o Mundo, Direção, Caminhos Opostos e Tentar Viver marcaram essa trajetória.
Hoje, os integrantes se espalharam por profissões diversas, publicidade, setor elétrico, taxista, refinaria e jornalismo. Mas a chama não se apagou totalmente.
“A gente chegou a fazer uns dois ensaios e um show para reunir os amigos meses atrás. Se a gente dedicar um pouco, pode ser que saia alguma coisa. Não estamos tão ruins assim, só mais cansados e velhos”, brinca Alexandre.
Ouça Diário de Alguns Dias
Ouça MMI