Rebel Heads: a “pré-história” do hardcore, Studio G e a Adega Marrocos

Rebel Heads: a “pré-história” do hardcore, Studio G e a Adega Marrocos

Antes de comandar a mesa de som do Studio G e registrar a história de dezenas de bandas santistas, o baterista Estefan Ferreira viveu o outro lado do vidro. Sua jornada começou no W&K, um dos pontos de encontro mais marcantes para os roqueiros no início dos anos 90, onde formou a Rebel Heads.

A proposta era simples: tocar em qualquer lugar que tivesse tomada.

“Não havia pretensão. Os locais mais comuns eram o Teatro do Leão XIII (extinto colégio no Embaré, em Santos) e o Chopp Chopp (que depois viraria o lendário Armazém 7), onde todo mundo tocava”, relembra Ferreira.

Cena pré-explosão e a Adega Marrocos como base do Rebel Heads

A Rebel Heads atuou num período de transição, um pouco antes da “fase de ouro” do hardcore melódico (o boom de Garage Fuzz e White Frogs).

O roteiro da noite era sagrado:

“Todo mundo que curtia som se reunia na Adega Marrocos para beber e depois ia para o Chopp Chopp ver as bandas”, conta Estefan.

Nessa época, a mistura era a regra. Bandas de metal e rock instrumental, como Last Joker (do guitarrista Marcão, ex-Charlie Brown Jr.) e Vulcano, dividiam espaço com a molecada nova que trazia influências de black metal, thrash e punk.

Gravação no Nível Som

A formação clássica contava com Alexandre (vocal), Martin (guitarra), Rogério Babão (baixo) e Estefan (bateria).

Com apenas três meses de vida, a banda entrou no Nível Som (outro estúdio histórico) e gravou uma demo tape com três músicas. A qualidade surpreendente do material abriu portas. “Conseguimos tocar todos os finais de semana, sempre levando todo o equipamento nas costas para fazer o show acontecer em colégios e quadras”, diz o baterista.

Onde estão hoje?

Mais de três décadas depois, os integrantes seguiram caminhos diversos:

  • Alexandre: publicitário.
  • Martin: trabalha com programação.
  • Rogério Babão: tornou-se professor de Jiu-Jitsu.
  • Estefan Ferreira: segue como referência em áudio e eventos em Santos.

Sobre uma reunião, Estefan mantém o bom humor: “É possível, se todos ainda souberem tocar seus instrumentos”.