Riot 99: street punk, atitude sharp e a herança do Rancid em Santos

Riot 99: street punk, atitude sharp e a herança do Rancid em Santos

Em 1999, enquanto o mundo ainda ecoava os sucessos do Rancid (especialmente dos álbuns …And Out Come the Wolves e Life Won’t Wait), Santos, carinhosamente apelidada de “Califórnia Brasileira”, via surgir dois expoentes com forte influência de Tim Armstrong e companhia: The Bombers, na ativa desde 1995, e Riot 99, que veio anos depois.

A segunda, no entanto, trazia um diferencial de peso: tornou-se a grande representante do movimento Sharp (Skinheads Against Racial Prejudice / Skinheads Contra o Preconceito Racial) na Baixada Santista. Com essa postura, a Riot 99 fez muita gente, além dos skinheads, gritar “Oi!” nos shows.

Mas resumir a banda apenas à sua ligação estética seria injusto. O vocalista e baixista Fabiano Riot se destacava pela habilidade técnica. Seus solos de baixo eram a marca registrada que levava o público ao delírio na frente do palco.

Da “pegada pop” para o street punk

Curiosamente, a gênese da Riot 99 veio de um projeto bem diferente.

“Tocava com o Jean Marcel nos Atiradores, que tinha uma pegada mais pop e ska. Sempre tive bastante influência de ska, mas tinha uma pegada street punk, hardcore e hard rock que precisava ser exteriorizada. O objetivo era expressar uma rebeldia pós-adolescente, com menos senso de humor”, revela Fabiano.

A formação clássica contava com:

  • Fabiano Riot (vocal e baixo);
  • Jean Marcel e MacCoy (guitarras);
  • Falcão (bateria — sim, o onipresente baterista da Drop Your Guns e dezenas de outras bandas da região).

Nota: Gilmar Carrasco e Moloko (Big Nitrons) também passaram pelo grupo.

Visual eclético e influências do Riot 99

Apesar da constante comparação com o Rancid, a Riot 99 bebia de outras fontes, como Operation Ivy, Agnostic Front e até Guns N’ Roses. O visual da banda refletia essa mistura: enquanto Fabiano adotava o estilo skinhead tradicional, Jean puxava para o pop punk à la Green Day e MacCoy exibia um visual quase black metal, com barba e cabelos longos.

Discografia e shows lendários do Riot 99

Em pouco mais de quatro anos de atividade (1999-2003), a banda deixou dois registros fundamentais para o underground caiçara:

  • Demo Riot 99 (2000);
  • Demo Rock n’ Roll Alleyway (2002);
  • Participações nas coletâneas Hey Punk Rockers (Barulho Records) e Urban Noise 3 (Rotten Records).

Desses trabalhos saíram hinos como Everybody’s Gonna Die, com pegada Oi!, e Arabian Warehouse, favorita do público. Outro destaque era Heart of Stone.

“A letra é de autoria do Matheus Krempel (The Bombers). Ele jogou fora e a gente recriou”, conta Fabiano aos risos.

Os shows eram quase sempre em parceria com The Bombers e as cariocas Carbona e Hill Valleys. Mas a apresentação mais marcante para Fabiano foi a Horror Beach Party, no Praia Sport Bar:

“Foi a melhor vibe ao vivo, casa lotada. Tocamos com Soldados do Asfalto e Amaldiçoados. Foi foda!”

Apesar disso, a memória afetiva mais forte reside no Armazém 7. “Para a nossa geração, nem precisa explicar o porquê”, resume o ex-frontman.

Legado e o futuro

Hoje, os integrantes dedicam-se às famílias e carreiras profissionais. Uma reunião da formação clássica é vista como improvável por Fabiano, devido à distância e divergência de ideias.

“Melhor deixar na história. Foi bom, mas fica na lembrança. De repente uma gravação aqui ou ali, com outra formação”, finaliza.

Ouça abaixo Arabian Warehouse e a segunda demo da Riot 99, Rock n’ Roll Alleyway

That’s Your Life

Differences

Everybody’s Gonna Die

There Comes The Riot

Heart of Stone

Arabian Warehouse