Rising: a fusão de hardcore e black metal nos palcos da Verdurada

Rising: a fusão de hardcore e black metal nos palcos da Verdurada

Em 1997, enquanto boa parte da cena santista apostava no hardcore melódico, a Rising decidiu seguir por um caminho mais denso e obscuro. A sonoridade era um híbrido agressivo de hardcore pesado com influências diretas de death e black metal.

Essa mistura singular abriu as portas para a banda fora da Baixada Santista, conectando-os a um dos eventos mais importantes da subcultura straight edge e vegana do Brasil: a Verdurada, em São Paulo.

“As Verduradas sempre foram as principais plataformas para as bandas desse estilo no fim da década de 90”, explica o guitarrista Thiago de Jesus.

Criatividade de Dumbo e Junior no Rising

A banda teve apenas uma formação em sua breve carreira:

  • Thiago de Jesus (guitarra);
  • Junior (vocal);
  • Dumbo (guitarra);
  • (baixo);
  • Luis Felipe (bateria).

A alma criativa do grupo residia na dupla Dumbo e Junior. “Eles eram extremamente criativos e continuaram sendo mesmo nas outras bandas que tiveram depois”, elogia Thiago.

No entanto, essa criatividade foi mal registrada. O único material existente é uma demo ensaio que o próprio guitarrista define sem rodeios:

“A gravação ficou muito porca. Horrível. Mas dá para ter uma noção razoável de como era o nosso som”.

Santos: o playground sem dinheiro

Diferente de outras bandas que tinham QG no Armazém 7 ou Banana Grogue, a Rising não tinha um “ponto” fixo. O local deles era a rua.

“Como éramos moleques, vivíamos soltos no mundo. A cidade como um todo era nosso playground. A gente vivia sem grana, andando de cima para baixo a pé, da casa de um pra casa do outro. Era divertido”, recorda Thiago.

Essa imagem de caminhar por Santos com os instrumentos nas costas por falta de dinheiro para o ônibus é um retrato fiel da adolescência de muitos músicos da lista.

Diáspora e o desejo de regravação

Quase 30 anos depois, os integrantes se espalharam pelo mapa:

  • Dumbo: tornou-se instrutor de luta.
  • Thiago: trabalha com diagramação e toca esporadicamente.
  • Luis Felipe: mudou-se para a Europa.
  • Zé: vive em Florianópolis.
  • Junior: paradeiro desconhecido.

O sentimento que fica é o de “o que poderia ter sido”. “Tínhamos um material bom nas mãos, mas a inexperiência não nos permitiu dar o tratamento adequado. Uma reunião seria um desejo profundo de todos, mas a distância geográfica torna isso difícil”, finaliza Thiago.