Rubbermade Ducks: o hardcore de Praia Grande que abriu para Lagwagon

Rubbermade Ducks: o hardcore de Praia Grande que abriu para Lagwagon

O rock no Litoral Sul de São Paulo, especialmente entre Praia Grande e Peruíbe, tem raízes profundas que remetem ao final dos anos 60. No entanto, a consolidação de uma cena local sempre esbarrou na falta de estrutura, obrigando as bandas a cruzarem a Ponte Pênsil rumo a Santos e São Vicente para encontrar seu público.

A Rubbermade Ducks (posteriormente apenas Rubbermade) foi a prova viva dessa persistência. Surgida em 1992, tornou-se um dos principais nomes do hardcore da região, vencendo as dificuldades geográficas. A gênese foi despretensiosa.

“Tocava bateria em um barzinho e dois caras (Kleber e Lampadinha) me chamaram para fazer uma banda de rock. Convidei o Neto e mais uns dois camaradas. Dessa mistura saiu a Rubbermade Ducks”, conta Anderson de Souza, fundador da banda.

Ensaios da Rubbermade Ducks era na fábrica de pranchas e escritório político

Anderson recorda que fazer rock em Praia Grande nos anos 90 era um desafio logístico. Sem estúdios profissionais na cidade, o improviso era lei.

“Ensaiávamos na casa de amigos, na fábrica de pranchas Megatons e até no escritório político do pai do Daniel, que virou nosso guitarrista”, revela.

A virada de chave aconteceu quando a banda montou o próprio estúdio. Com estrutura, Neto começou a compor em inglês, influenciado por Social Distortion, NOFX, Bad Religion e No Use For A Name.

“Invasão” do Rubbermade Ducks a Santos e Hangar 110

Se Praia Grande era o QG criativo, Santos era o palco. A banda tocava quase semanalmente no Armazém 7, além de frequentar o Bar do 3 e o Banana Grogue. Essa constância rendeu convites de peso: a Rubbermade chegou a abrir os shows do Lagwagon e No Fun At All na cidade. Em São Paulo, a casa era o Hangar 110.

“Tocamos muito lá, participamos do projeto Esquema 110 e tocamos com o Blind Pigs. Num desses shows, vendemos 25 demos de uma vez”, orgulha-se Anderson.

Formação e discografia

Anderson e Neto foram os pilares que permaneceram até o fim das atividades, em 2013. A guitarra foi uma porta giratória de talentos, por onde passaram Daniel Manzon, Jarel Santos, Pedro Begotti, Daniel Sacomanni e Fernando dos Anjos.

A discografia da banda é extensa para os padrões independentes:

  • Lanche Time (Demo, 1998);
  • Move Your Ass (Demo, 1999);
  • Going Fast (Demo, 1999);
  • 3 Years Late (CD, 2001);
  • A Day Late And A Dollar Short (EP, 2012);
  • Participação na coletânea Bem Vindo ao Paraíso (Trololo Records).

Legado

Com o fim da banda, Anderson seguiu com o projeto Mar Morto e Neto formou o Matches n Gasolines. O retorno da Rubbermade é incerto, mas o legado de quem cruzou a ponte para fazer história na Baixada Santista já está consolidado.