Surra: a máquina de thrashpunk que derrubou o teto (literalmente)

Surra: a máquina de thrashpunk que derrubou o teto (literalmente)

Se em 2015 o Surra era uma promessa que “conhecia bem o Brasil”, hoje, em 2026, eles são uma instituição incontestável do underground.

Poucas bandas independentes trabalharam tanto. O trio santista percorreu cada estado brasileiro (do Piauí ao Rio Grande do Sul) e carimbou o passaporte diversas vezes na Europa, cumprindo a profecia feita pelo baterista Victor Miranda lá no início da estrada: “Ano que vem pretendemos completar os estados que faltam, antes de ir para a Europa”. Dito e feito.

Origem do Surra foi no Like A Texas Murder

A gênese do Surra está no fim de outra banda marcante: Like A Texas Murder. Quando o grupo acabou, Léo Mesquita (guitarra/vocal), Guilherme Elias (baixo/vocal) e Victor Miranda (bateria) decidiram que não era hora de parar.

“Não queríamos parar de tocar de jeito nenhum, assim surgiu a ideia do Surra”, explica Miranda.

Sem se prender a rótulos, criaram uma sonoridade que atropela o ouvinte, misturando crossover thrash, grindcore e hardcore, influenciados por Sepultura, Slayer, Ratos de Porão, Napalm Death e DFC.

O teto caiu (literalmente)

A disposição para tocar em qualquer lugar rendeu histórias lendárias, especialmente no Norte e Nordeste, onde a banda criou uma base de fãs fanática. A mais insana ocorreu no extinto Xani Clube, um casarão antigo em Belém (PA) onde o show rolava no porão.

“O clima era infernal. A galera tirava o microfone do Léo para cantar. Chegou uma hora que um rapaz foi arremessado pela plateia, se agarrou no forro e arrancou tudo. O teto caiu no meio do show”, recorda o baterista.

Discografia do Surra

A discografia do Surra é um reflexo da evolução da banda:

  • Fase inicial: os EPs Bica na Cara (2012) e Surrinha (2013) foram feitos na urgência. “Tem algumas cagadas, foi feito na ânsia de sair tocando, mas rendeu bons frutos”, avalia Victor.
  • Virada: o EP Somos Todos Culpados (2014) trouxe um som mais sujo e letras mais sérias.
  • Consagração: O que veio depois definiu o cenário nacional. O álbum Tamo na Merda (2016) virou um clássico instantâneo, seguido pela pedrada Escorrendo Pelo Ralo (2019), Tamo Muito na Merda (2021), Ninho de Cobra (2021) e Falha Crítica (2024).
  • Extras: entre os álbuns, o Surra lançou alguns EPs, com destaque para Virou Brasil (2019), Expropriando sua Fábrica (2020), Thrashpunk Teleport: Submundo 2121 (2020) e Sempre Seremos Culpados (2022).

QG Warzone e o “quarto membro”

Toda essa produção frenética tem um QG: o estúdio Warzone, montado pela banda. Lá, contam com a figura essencial de Jurema. “Ele é o quarto membro do Surra. Se não fosse ele, teria dado muita merda e não sei se ainda estaríamos por aí”, finaliza o baterista.

Hoje, o Surra não é apenas uma banda de Santos; é a prova de que com uma Kombi, riffs rápidos e ódio ao sistema, é possível conquistar o mundo.

Foto: Nicolas Gomes