Não teve Ninja Rap, mas Vanilla Ice cantou Ice Ice Baby no Clube Vasco da Gama, em Santos, em 1991

Não teve Ninja Rap, mas Vanilla Ice cantou Ice Ice Baby no Clube Vasco da Gama, em Santos, em 1991

Se hoje o rap é o gênero que domina as paradas, em 1991 o Brasil experimentava a primeira grande explosão comercial do estilo com um rosto bem específico: Vanilla Ice. No auge do sucesso de Ice Ice Baby, o rapper Vanilla Ice desembarcou em Santos para uma apresentação que misturou tecnologia de ponta, polêmicas sobre autenticidade e uma legião de adolescentes histéricos.

O show aconteceu em uma quarta-feira chuvosa, 7 de agosto de 1991, no ginásio do Clube de Regatas Vasco da Gama. Santos foi uma das poucas privilegiadas na rota de Vanilla Ice, que além da Baixada, só se apresentou em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Clima e público

A “Ice-mania” era real. Mesmo com o temporal que caiu sobre a cidade, as filas começaram cedo. O público era majoritariamente jovem, entre 12 e 18 anos, acompanhado por pais que, na falta de interesse pelo rap, marcavam presença apenas pela segurança dos filhos.

Enquanto os camelôs faturavam alto vendendo revistas do ídolo e fios de neon, o ambiente interno do Vasco da Gama era de pura ansiedade. Havia uma divisão clara no ar: de um lado, os fãs de pop; do outro, DJs das quebradas que observavam curiosos o “público burguês” que o rapper branco atraía, bem diferente dos bailes de rap raiz da época.

Show de Vanilla Ice teve laser, elevador e falha técnica

Para os padrões de 1991, a estrutura era cinematográfica:

  • O palco ocupava quase 40% da quadra do ginásio.
  • Tecnologia: uso pesado de lasers, computadores e um elevador ao fundo do palco.
  • Imprevisto: o show começou às 21h15 com efeitos especiais, mas foi interrompido logo de cara por um problema técnico. Surpreendentemente, não houve vaias, o público estava “hipnotizado”.

A entrada triunfal de Vanilla Ice pelo elevador, em meio aos feixes de laser, levou o ginásio ao delírio. Acompanhado pelo rapper Boo-Hype e pelo saxofonista Don Diego, ele entregou uma performance focada na dança e no carisma. O ponto negativo? A ausência de Ninja Rap (trilha de Tartarugas Ninja II), que muitos esperavam ouvir e ficaram a ver navios.

Identidade e crítica

Naquela semana, Vanilla Ice rebateu as críticas sobre ser um branco no rap com uma frase marcante: “Se você tirar o coração de uma pessoa negra, não vai saber de que cor ela era”. Ele também não poupou os críticos mais velhos, afirmando que quem tinha mais de 25 anos não entendia o rap por estar “parado na geração dos Rolling Stones”.