Por muitos anos, o título de show mais imprevisível de Santos pertenceu ao The Bombers. O grito inicial das apresentações, “Nós somos os filhos da puta do Bombers de Santos”, era o estopim para chuvas de cuspe, guitarras quebradas e uma das performances mais viscerais da região.
Hoje, com 31 anos de estrada completados em 2026, a banda liderada por Matheus Krempel mantém a energia, mas com uma discografia que amadureceu e se tornou referência nacional.
Origem: de “Pentelhos Brancos” ao Bombers
O passo inicial foi em 1995. Matheus Krempel ganhou uma guitarra dos pais e, sem saber tocar um acorde, aceitou o convite de um amigo do colégio para montar uma banda.
“Lógico que no estúdio, descobrimos que ninguém tocava nada”, diverte-se Matheus.
Foi o baixista Denys Martins Pi (ex-Gritos do Subúrbio) quem ensinou Krempel a fazer o básico. Antes de se firmar como The Bombers, o grupo atendeu por nomes como Pentelhos Brancos e Una Bomber. A formação inicial contava com Krempel, Luis Euclides, Rubens Lima e Denys Pi.
Plataforma e o Blow Up Club
Se o Chopp Chopp, Ilhas Gregas e Banana Grogue foram importantes, o local mais marcante da carreira foi o Plataforma, um sobrado nos fundos do Studio G, na Vila Mathias.
“Tocávamos lá a cada duas semanas por meses. Era a nossa cena. O quintal tinha galinhas correndo no meio da galera, som horrível e estrutura zero. Mas foi lá que viramos uma banda de verdade”, relembra Krempel.
Outro marco foi o Blow Up Club, na Rua Luís Suplicy, no Gonzaga. Com o apoio de Reynaldo Oliveira (pai de Matheus), a banda abriu as portas do local para a cena hardcore, viabilizando shows de White Frogs, Figment e da turma da Orphan Records.
Universidade do rock santista
O The Bombers funcionou como uma verdadeira escola. A lista de ex-integrantes conecta quase todas as bandas desta série:
- Denys “Pi” Martins – baixo (1995-2002)
- Estefan Ferreira – bateria (1997-2002, 2006-2008, 2019-2023)
- Raul Signorini – baixo (2018-2024)
- Daniel Bock – baixo (2015-2018)
- Fábio Façanha – bateria (1995-1997)
- Jean Marcell – guitarra (1996-1997)
- Rubens Lima – bateria (1995)
- Luiz Euclides – guitarra (1995)
- Wagner Tick – guitarra e voz (1997-2005, 2011-2012)
- Amauri China – guitarra (2002-2008, 2011-2012)
- Bruno Graveto – bateria (2002-2004)
- Riot Rodriguez – baixo (2011-2012)
- Delton Porto – bateria (2011-2014)
- Mick Six – bateria (2014-2018)
- Eduardo Falcão – bateria (2002)
- Douglas Ferreira – bateria (2002)
- Junior Lobo Mau – bateria (1997)
Discografia
A trajetória de lançamentos reflete a evolução do grupo:
- Fase Inicial: Today Show (Demo, 1998), 7 Songs (1999) e Democracia Chinesa (2007) trouxeram o ska-punk cru influenciado por Rancid e Operation Ivy.
- A Virada: Em 2014, o álbum All About Love (Hearts Bleed Blue) mudou o patamar da banda com 18 faixas em inglês, explorando uma sonoridade mais ampla.
- Consolidação: Em 2017, lançaram Embracing The Sun, um disco solar que flerta com reggae e rocksteady.
- Retorno ao Português: Durante a pandemia, o EP Bumerangue (2021) marcou a volta das letras em português. Em 2024, veio o primeiro álbum cheio em português, Alma em Desmanche.
- Raridades: B-sides e sons esquecidos foram resgatados em dois EPs da série Achados & Perdidos (2019 e 2026).
31 anos e contando
Hoje, o The Bombers segue como a banda ativa mais longeva dessa geração. A formação base atual conta com Matheus Krempel (vocal/guitarra), Gustavo Trivela (baixo), Fernando Oliveira (guitarra) e Junior Drummer (baterista), mantendo viva a chama que começou com um grito de guerra e galinhas correndo no quintal da Vila Mathias.
7 Songs
Democracia Chinesa
Show completo no Hangar 110, em São Paulo (25/11/2012)
Show na Capital Disco, em Santos (23/10/2011)