Em 2017, um grupo de veteranos da cena santista se reuniu sem grandes pretensões, inicialmente para tocar covers de KISS. O projeto ganhou corpo, mas ainda faltava um nome. A escolha veio de forma dolorosa e honrosa.
“Tínhamos um amigo em comum, o Manoel Neto, que volta e meia dava aquele esculacho na gente: ‘Pô, cara, isso tá meio tosco’. Ele agia como um ombudsman nosso”, relembra o guitarrista Ricardo Lima.
Com a morte inesperada desse amigo, a banda decidiu adotar o adjetivo crítico como batismo. Assim nasceu o Tosco: uma homenagem póstuma transformada em metal furioso.
Trilogia da indignação do Tosco
Musicalmente, o Tosco se define como thrashcore, mas o rótulo é pequeno para a mistura de Black Sabbath, Slayer e hardcore que eles produzem. O diferencial está nas letras em português, que funcionam como crônicas da degradação social brasileira.
A discografia é uma escalada de brutalidade:
- Revanche (2018): O cartão de visitas que aborda temas como o desmanche da saúde (Saúde Falida) e a violência urbana (Cenário de Chacina).
- Sem Concessões (2020): Lançado no auge da pandemia, traz a arte do Kraken na capa e faixas sobre tragédias como Brumadinho (Vale da Tragédia) e o massacre de Suzano (Dois Psicopatas).
- Agora é a Sua Vez (2024): O trabalho mais pesado até agora, com produção moderna e participações de luxo.
Conexões internacionais e locais
O prestígio dos integrantes abriu portas inimagináveis. O álbum Agora É A Sua Vez conta com Dave Austin (da lenda americana Nasty Savage) solando na faixa Hellvetia, que denuncia a epidemia de crack no centro de São Paulo.
Outra participação de peso é Silvio Golfetti (Korzus) no cover de Guerreiros do Metal.
“Justiça foi feita. Essa música com o Dave Austin era para ter saído no primeiro álbum, mas acabou esquecida. Ficou uma cacetada”, celebra o vocalista Osvaldo Fernandez.
A formação atual é um “quem é quem” do metal santista:
- Osvaldo Fernandez (vocal);
- Ricardo Lima (guitarra – ex-Vetor, Embryo);
- Carlos Diaz (baixo – ex-Vulcano, Chemical Disaster, Hierarchical Punishment);
- Bruno Conrado (bateria – também do Vulcano, substituindo Paulo Mariz).
Do estúdio para o palco ao vivo
A banda gravou boa parte de seu material recente no Play Rec, em Santos, e lançou em 2025 o álbum ao vivo Facão Afiado, gravado no RedStar Studios (SP).
Em Santos, o Tosco é presença constante em casas que mantêm a chama do som pesado acesa, como Boteco Valongo, Studio Rock e o Bar do Gabiru (São Vicente), provando que a experiência, quando somada à indignação, produz o metal mais vital possível.