No final de 1996, a Praça Engenheiro José Rebouças, na Ponta da Praia, em Santos, era muito diferente do complexo esportivo organizado que vemos hoje. Naquela época, a gigantesca área livre servia como ponto de encontro para skatistas, casais e a juventude santista em geral. Foi nesse cenário urbano que nasceu a Turn Away, um dos principais nomes do hardcore melódico da região na virada do milênio.
O início foi improvisado, típico de garagem.
“Uma molecada que estudava junta resolveu começar a ensaiar. Com exceção do Leandro Xicó, ninguém sabia tocar. Não era exatamente uma banda, mas sim uma grande galera que revezava na tentativa de acabar uma música”, relembra Franz Magpantay, vocalista e guitarrista.
Formação oficial do Turn Away
Após muitos ensaios na garagem do guitarrista Daniel e os primeiros shows no extinto Banana Grogue, a banda encontrou sua formação definitiva em 1998, que seguiu até o fim das atividades:
- Franz Magpantay (vocal e guitarra);
- Daniel Ferreira (guitarra);
- Felipe Peralta (baixo);
- Arnaldo (bateria).
Nota: Outros nomes como Thiago Cabral, Meyer Lazur, Lucas Loyola e Guilherme também fizeram parte da história inicial.
Demos, hits e coletâneas do Turn Away
Com o time entrosado, a Turn Away despontou no cenário com duas demos em fita K7: All My Friends (1998) e Killing Time (1999). A banda também marcou presença em coletâneas importantes da época, como Liberte, 30 Segundos é Muito e Rebel Magazine.
Músicas como Things I Couldn’t Leave Behind e Climbing the Stairs tornaram-se hinos locais, tocando com frequência no programa Microfonia, da rádio Enseada FM.
Palcos: do “quintal de casa” aos gigantes suecos
O crescimento do público atraiu produtores independentes. A Turn Away chegou a dividir o palco com os suecos do No Fun At All (no Bar do 3), além de shows com Noção de Nada e CPM 22 no Armazém 7.
A rota de shows também incluiu aventuras pelo litoral e interior:
- Itanhaém: Um show memorável em frente à praia com a banda Altered Mind. “A molecada pulava do mezanino, era o maior verão na época”, conta Franz.
- Jundiaí: Apresentações divertidas no Bar do Bilé.
Carinho pelo Armazém 7
Apesar das viagens, o coração da Turn Away batia no Armazém 7. Franz destaca a gestão de Lilian, proprietária da casa, como fundamental para a cena.
“A Lilian fazia uns esquemas que beneficiava tanto a casa quanto o pessoal. Nós não pagávamos para tocar; recebíamos uma parte da bilheteria. Íamos lá todo domingo, mesmo sem saber quem ia tocar, porque era o ponto de encontro”, explica.
Onde estão e a despedida que não houve
Hoje, a maioria dos integrantes seguiu caminhos fora da música: Arnaldo e Peralta são advogados, e Daniel é professor de Estatística. A exceção é Franz, que além de analista de sistemas, integra a banda 100 Ilusões.
Um retorno definitivo é difícil, mas a ideia de um “adeus” oficial ainda existe. “Quem sabe nos esforcemos para fazer o show de despedida que nunca rolou. Se rolar um esquema com bandas daquela época, seria uma motivação a mais”, finaliza Franz.
Ouça abaixo todos os registros da banda: