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Crédito: Pati Patah / Mercury Concerts

Entrevistas

Entrevista | Helloween – “Achei que estava bêbado quando olhei os prédios de Santos”

Andi Deris, um dos vocalistas do Helloween, atração da sétima edição do Monsters of Rock no Brasil, que acontece neste sábado (22), no Allianz Parque, em São Paulo, é um dos artistas mais boa praça do festival. E deixa isso transparecer sempre que conversa com o Blog n’ Roll.

Ao saber que nosso site tem Santos, no litoral de São Paulo, como base, já demonstrou sua empolgação costumeira. O músico, aliás, recordou de uma passagem divertida pela Cidade, nos anos 2000.

“Santos? A praia de São Paulo. Já estive aí, as pessoas de São Paulo sempre chamam Santos de ‘a praia de São Paulo’, apesar de ficar a uns 80 km de distância, certo? Já estive aí umas duas vezes. Na primeira passei apenas a noite, foi rápido. De primeira, eu achei que estava bêbado, pois lembro do barco passando e eu olhando para os prédios todos tortos. Divertido, mas perigoso”, comentou, aos risos.

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Depois, Andi Deris ainda pensou em uma solução para o problema dos prédios tortos de Santos.

“Acho que a melhor solução para esses prédios é utilizar algo em forma de cruz entre eles, para estabilizar, parece ousado, mas deve funcionar, ou também podem acabar caindo todos como dominós. É como a Torre de Pisa, que infelizmente não tem outra torre para se apoiar. Mas também, se ela não fosse desse jeito, não seria famosa”.

Vocês vêm ao Brasil para tocar no Monsters of Rock. O que mais gosta em um festival grandioso como esse?

Para mim, a melhor parte é poder tocar com a minha banda favorita, o Kiss. Essas bandas (Deep Purple, Scorpions e Kiss) são como pais para mim, bandas que me fazem tocar. Muito feliz de estar nessa turnê do Monster of Rock.

Já tocamos com Scorpions e Kiss no mesmo dia, mas devido a correria, é muito difícil de nos encontrarmos. Não é muito comum tocar em todos os festivais juntos, deve ter tempo para nos encontrarmos.

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No ano passado, o Helloween fez apresentações memoráveis em São Paulo. Pretendem repetir a dose ou teremos novidades no setlist?

É um pouco dos dois, temos duas ou três músicas novas. Será uma mistura, tocar um pouco de coisas novas, e um pouco das coisas antigas, pois se a gente não tocar as coisas antigas, vão nos matar.

A mistura é muito difícil de se fazer, nunca se sabe como moldar da forma que satisfaça o maior número de pessoas. Para shows de uma hora, como do Monsters of Rock, acredito que devemos pensar mais no público, para que tenha uma boa experiência, não posso agir de maneira egoísta, e tocar apenas o novo álbum e tal.

Em um festival você espera que 30% conheça todas suas músicas, e o resto conheça algumas. E é bom pensar na maioria, tocar as coisas que eles conhecem, para que aproveitem, isso se você não é o headliner.

Quando fomos headliner e tivemos mais tempo de show, pudemos fazer um mais egocêntrico e tocar músicas novas. Mas caso contrário, você deve tocar as músicas que as pessoas conhecem.

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Um novo álbum está nos planos para 2024. No entanto, vocês pretendem divulgar algum single novo até lá?

Não planejamos lançar novos singles até lá. Manter um ritmo menor. Honestamente, hoje em dia, não tenho certeza. Graças a Deus, temos jovens na plateia, e eles não ligariam, olham mais a internet. Mas temos também um legado, de três décadas de metal, e pessoas acostumadas a colecionar vinis, CDs, para elas seria mais interessante lançar um single ali e aqui, vinil.

Para uma gravadora é difícil escolher o caminho a seguir para não perder dinheiro, achar o balanço entre investir em lançamento de discos físicos e streaming.

Fico feliz com o que escolherem, eles fazem a escolha baseada na própria sobrevivência, da gravadora, e não questiono a não ser que façam algo muito estúpido. Até agora tenho gostado do que eles têm feito.

Você considera justa a forma de remuneração dos artistas no streaming?

Não é justo, precisa ser regulado. Falamos disso há décadas. Para a maioria dos músicos novos, a não ser que seja muito conhecido, você provavelmente não conseguirá viver disso, claro com exceções, mas a maioria sim.

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Os outros fazem dinheiro no lugar do artista, e é ele quem fornece o produto, não se pode dizer nem que ele quem vende, pois se vendesse receberia o dinheiro.

O problema é que todos querem roubar o artista, o cenário é pior do que há 20 anos. Há 20 anos, nós já lutávamos por cada centavo, ainda se fazia muito dinheiro, não quero nem saber quanto perdemos, quanto mais poderíamos ganhar.

Mas essa conversa não é sobre nós, pois temos uma boa vida, é sobre quem está lutando, quem está no começo, e nos metros finais acabam desistindo por falta de dinheiro. Não é um mundo justo, todos sabem que os músicos vivem para a música e não se importam tanto com dinheiro, a não ser que não tenha mais dinheiro e não possa fazer mais música.

Se os pagamentos fossem justos, muitos músicos poderiam ter sobrevivido disso. É sempre a mesma conversa, e pouca coisa mudou. Agora com a internet, você vê os artistas, mas eles não ganham nada, as grandes plataformas de streaming vivem dos músicos, e não é verdade que é uma vantagem você conseguir colocar suas músicas no streaming, pois você não ganha dinheiro com isso, apenas está na plataforma.

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Você acha que as coisas estão mudando porque uma banda pequena pode colocar suas músicas no iTunes, mas ela não recebe o dinheiro e as coisas não mudam. Eles ganham dinheiro, mas os músicos não.

Consome música dessa forma ou ainda prefere os discos de vinil ou CD?

Se eu quero relaxar e tomar um tempo, ouço vinil, tomando café ou vinho, fumando, é algo que me relaxa. Mas isso é o contrário dos tempos atuais, maioria das vezes me pego passando por centenas de músicas em dois minutos, pois não estou consciente para deixar a música me acalmar, mergulhar na música.

Lembro quando íamos nas lojas de discos, e tinha cadeiras com toca discos, e você poderia escolher um vinil e escutar lá, com a intenção de comprar depois.

Sentava lá por 50 minutos, fumando e ouvia um novo álbum, inserido naquele mundo, ou se juntava na casa de um amigo com o melhor sistema de som com alta fidelidade para ouvir algum disco, era uma época mas se passou, infelizmente.

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Eu sei pois vivo nesses dois mundos, sou um desses maníacos que ouvem música no iPhone como se fosse nada, mas de tempos em tempos coloco um vinil, bebo um vinho, fumo, e escuto com atenção. É algo que se perdeu no tempo.  

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