Yngwie Malmsteen, o malabarista das seis cordas em um espetáculo para iniciados

Yngwie Malmsteen, o malabarista das seis cordas em um espetáculo para iniciados

Quando Yngwie Malmsteen subiu ao palco do Monsters of Rock, no último sábado (4), no Allianz Parque, ficou evidente que sua estratégia de conquista seria distinta da utilizada por Jayler ou Dirty Honey. No universo de Malmsteen, a técnica transbordante fala muito mais alto que qualquer voz. Trata-se do clássico espetáculo no estilo “ame ou odeie”.

Técnica neoclássica sob o sol

Devido ao calor intenso, parte do público aproveitou o início do set para se hidratar e buscar refúgio na praça de alimentação. No entanto, os entusiastas do virtuosismo e os aficionados por guitar heroes não arredaram o pé. Eles acompanharam atentamente cada nota do mestre sueco, que ainda arriscou momentos como vocalista, embora, reconhecidamente, sem o mesmo brilho que demonstra ao empunhar suas cordas.

O icônico “muro” de amplificadores Marshall não apenas impressionou visualmente, mas garantiu uma sonoridade única e extremamente densa. Malmsteen conseguiu a proeza de transformar o estádio em um imenso recital particular de metal neoclássico.

Performance e repertório de Yngwie Malmsteen

Além da maestria musical, o sueco exibiu uma habilidade peculiar: chutar palhetas com precisão cirúrgica diretamente para as mãos dos fãs na grade.

Passeando por sua extensa discografia, Malmsteen abriu o show com a clássica Rising Force, apresentando também Fire and Ice e Baroque & Roll. Contudo, o engajamento da massa aumentou quando ele recorreu a clássicos universais, como o cover de Smoke on the Water (Deep Purple) e um trecho de Bohemian Rhapsody (Queen), intercalados à complexa Trilogy Suite Op: 5.

Embora a capacidade técnica de Malmsteen seja inquestionável, o excesso de solos durante uma hora de apresentação acabou limitando o alcance do show perante o grande público. Para uma plateia de festival, que muitas vezes busca por grandes hinos, como More Than Words (Extreme), Sweet Home Alabama (Lynyrd Skynyrd) ou Sweet Child O’ Mine (Guns N’ Roses), a densidade do virtuosismo sueco pode ter soado um tanto exaustiva.