Alter Bridge prova que ainda é a banda mais pesada de hard rock com um dos discos mais fortes da carreira

Alter Bridge prova que ainda é a banda mais pesada de hard rock com um dos discos mais fortes da carreira

O Alter Bridge acaba de entregar um dos álbuns mais sólidos da carreira. Batizar o disco com o próprio nome é sempre um movimento carregado de intenção e, felizmente, aqui dá certo. A banda soa extremamente confortável na própria pele, consciente de sua identidade, do seu legado e de onde quer chegar daqui pra frente. Não é um disco feito para provar algo a alguém, mas para reafirmar por que o Alter Bridge segue relevante depois de tantos anos.

O que mais impressiona neste trabalho é como eles conseguem ser fiéis ao próprio estilo sem soar repetitivos ou datados. Os riffs continuam pesados e bem construídos, a dinâmica entre Myles Kennedy e Mark Tremonti nos vocais segue como um dos grandes diferenciais da banda, e tudo soa muito orgânico. É aquele tipo de álbum que parece ter sido pensado como um todo, não apenas como uma coleção de músicas soltas.

Silent Divide, anteriormente lançada, abre o disco de forma explosiva e deixa tudo mais familiar. Com seu riff direto, agressivo e um refrão que gruda imediatamente, ela é daquelas faixas que já nascem com cara de clássico de show e deixar os fãs brasileiros ansiosos para o ato de abertura do Iron Maiden em outubro.

Power Down mantém o peso lá em cima, com uma pegada quase mais suja, enquanto Rue the Day, a minha favorita, traz aquele equilíbrio típico do Alter Bridge entre força e melodia.

Trust In Me é um dos grandes momentos do álbum justamente pela troca vocal entre Kennedy e Tremonti, que consegue sempre surpreender. A música cresce aos poucos e entrega um refrão forte, emocional, sem cair no óbvio. Disregarded segue por um caminho mais cru e direto, enquanto Tested and Able mostra um lado mais reflexivo da banda, com arranjos que respiram mais e dão espaço para a música se desenvolver.

What Lies Within e Scales Are Falling funcionam como o miolo emocional do disco. São faixas que não se resolvem rapidamente, apostam em construções mais longas e reforçam essa sensação de maturidade artística. Já Hang By A Thread surge como o momento mais contido do álbum, uma balada bem trabalhada, honesta, sem exageros, que funciona muito mais pela interpretação do que por grandiosidade. E, vamos confessar, sempre cai bem uma baladinha, né?

Slave To Master fecha o disco em clima épico e um prato cheio para músicos. São vários minutos de mudanças de andamento, que me fizeram arregalar os olhos, solos bem encaixados e uma sensação clara de encerramento à altura do que veio antes. Não é uma faixa feita para consumo rápido, nem para o grande público, mas para ser ouvida com atenção, como um resumo de tudo o que o Alter Bridge se propôs a fazer aqui.

No fim das contas, este álbum não reinventa a roda, mas também nem precisava fazer a esta altura do campeonato. Ele reafirma o Alter Bridge como uma banda segura de si, madura e ainda extremamente competente no que se propõe a fazer. É um disco pesado, emotivo, bem produzido e cheio de momentos marcantes. Um trabalho que respeita o passado da banda, dialoga com o presente e mostra que ainda há muito a ser cantado.