TBT de 2007 – Aerosmith espanta a chuva e a sombra de Slash com aula de rock n’ roll e desfile de hits no Morumbi

TBT de 2007 – Aerosmith espanta a chuva e a sombra de Slash com aula de rock n’ roll e desfile de hits no Morumbi

Não é fácil subir ao palco depois de Slash tocar clássicos do Guns N’ Roses com o Velvet Revolver, mas o Aerosmith tem 30 anos de estrada a mais para garantir a confiança. E a expectativa era grande, afinal a banda não vinha a São Paulo desde 1994. Às 22h, quando a cortina caiu e o riff de Love in an Elevator explodiu no Morumbi, ficou claro: a noite pertencia aos “Bad Boys de Boston”.

Steven Tyler, vestido com seu tradicional arsenal de lenços e brilhos, parecia imune à idade (e à gravidade). Correndo pela passarela que avançava sobre o público encharcado, ele gritou, rodopiou e cantou com uma potência que desafiava a medicina. Ao seu lado, Joe Perry mantinha a postura “cool” e infalível, soltando riffs gordurosos em Same Old Song and Dance.

Máquina de hits

O show foi desenhado para agradar a todos. Para a geração MTV, a sequência Cryin’ e Jaded foi um presente. Ver o Morumbi inteiro cantando os refrões sob a garoa fina criou aquele clima de “karaokê gigante” que só bandas desse porte conseguem.

Em Livin’ on the Edge, a banda mostrou peso. O som estava alto e nítido, permitindo ouvir o trabalho de baixo de Tom Hamilton (que teve seu momento de brilho na introdução de Sweet Emotion). A chuva, que incomodava no começo, virou cenário: em I Don’t Want to Miss a Thing, as luzes do palco refletiam nas gotas, criando uma atmosfera cinematográfica para a balada que, gostem ou não os puristas, é o hino romântico definitivo da banda no Brasil.

Raízes do blues

Mas o Aerosmith brilha mesmo quando revisita suas origens. A execução de Baby, Please Don’t Go (cover de Big Joe Williams) e Hangman Jury trouxe o clima dos bares enfumaçados para o estádio. Tyler na gaita e Perry no slide guitar lembraram a todos que, antes das baladas pop, eles eram uma banda de blues rock sujo e perigoso.

Seasons of Wither foi um presente para os fãs “die-hard”, um momento de respiro psicodélico e sombrio no meio da festa.

A reta final foi uma surra de clássicos. Dream On trouxe Tyler ao piano (ou pelo menos à frente dele) para atingir aquelas notas agudas que parecem impossíveis, seguidas pelo groove hipnótico de Sweet Emotion.

Para o bis, não houve invenção: Walk This Way. Com Tyler e Perry dividindo o microfone no centro da passarela, a banda encerrou a noite com a energia lá no teto. O Aerosmith provou que, mesmo com a concorrência de peso na abertura, eles ainda eram os donos do circo. Saíram do Morumbi deixando 60 mil pessoas molhadas, exaustas e com a certeza de terem visto uma das maiores duplas da história do rock em ação.