Esquenta para o Oasis no Brasil: relembre a última passagem da banda por São Paulo

Esquenta para o Oasis no Brasil: relembre a última passagem da banda por São Paulo

Havia algo no ar do Anhembi, em São Paulo, além da chuva fria e incessante que castigou os fãs naquela noite de sábado (9 de maio de 2009). Quem observava o palco com atenção notava: Liam e Noel Gallagher não eram mais uma banda; eram dois exércitos ocupando o mesmo espaço. Mal se olhavam, não interagiam. Mas, ironicamente, essa tensão explosiva resultou em uma das performances mais barulhentas e viscerais que o Oasis já trouxe ao país.

A turnê de Dig Out Your Soul chegou a São Paulo com a missão de provar que o rock britânico ainda respirava. E quando os acordes de Rock ‘n’ Roll Star rasgaram o silêncio, o Anhembi virou um caos de lama e pogo.

Silvio Tanaka www.flickr.com/tanaka

Liam Gallagher, protegido por sua indefectível parka e com a postura de quem desafia o mundo, estava com a voz rasgada, no limite, mas cheia de atitude. Em faixas novas como The Shock of the Lightning, a banda soou pesada, quase psicodélica, com a bateria de Chris Sharrock preenchendo cada vácuo deixado pela acústica ruim do local.

Noel, do outro lado, era a âncora melódica. Sua guitarra conduzia o público com frieza profissional. O setlist foi generoso com os lados B que o Brasil tanto ama: The Masterplan foi cantada como um hino religioso, com milhares de braços erguidos sob a chuva, criando um dos momentos mais bonitos da noite.

Clássicos

Não importa a fase, quando o Oasis toca os hits, a mágica acontece. Wonderwall e Champagne Supernova foram, previsivelmente, os momentos em que a banda pôde descansar: o público cantou mais alto que o sistema de som.

Mas o destaque emocional para os fãs “raíz” foi Slide Away. A faixa, com sua letra sobre amor e perda, ganhou um peso extra considerando o desgaste visível da relação entre os irmãos. Noel, assumindo os vocais em Waiting for the Rapture e na versão acústica de Don’t Look Back in Anger, mostrou por que é o cérebro por trás da alma da banda.

Silvio Tanaka www.flickr.com/tanaka

Caos final

O encerramento não poderia ser outro. I Am the Walrus (cover dos Beatles) fechou a noite com uma parede de distorção e feedback ensurdecedor. Liam saiu do palco sem despedidas calorosas, jogando seu pandeiro para a plateia como quem se livra de um peso. Noel continuou tocando, concentrado, até o último segundo.

Três meses depois, o Oasis acabaria. O show do Anhembi ficou marcado na história como o último ato da maior banda do Britpop em solo brasileiro. Foi frio, molhado e tenso. Mas, acima de tudo, foi rock and roll em sua essência: perigoso, imperfeito e inesquecível. Quem foi, viu a história desmoronar e se eternizar ao mesmo tempo.