Foals ignora a chuva e a indiferença do público com show matemático e escalada de palco no Anhembi

Foals ignora a chuva e a indiferença do público com show matemático e escalada de palco no Anhembi

Abrir para o Red Hot Chili Peppers exige coragem. O público, ansioso pelos hits de rádio, costuma ser impiedoso com bandas de som mais complexo. Quando o Foals subiu ao palco do Anhembi sob uma garoa chata, 80% da plateia parecia se perguntar “quem são esses caras?”. Mas os outros 20% (e quem prestou atenção) viram uma das bandas mais interessantes daquela geração dando o sangue.

Focados nos álbuns Antidotes e Total Life Forever, os ingleses trouxeram seu “math rock” dançante e quebrado. A abertura com Blue Blood mostrou uma banda tecnicamente impecável, com as guitarras entrelaçadas de Yannis Philippakis e Jimmy Smith cortando o ar úmido de São Paulo.

A banda sabia que precisava de mais do que técnica para ganhar o jogo. Em Cassius e Olympic Airways, a energia subiu, com a banda se movendo freneticamente apesar do som complexo. Mas o momento que definiu o show, e que acordou o público, veio no final.

Durante a execução catártica de Red Socks Pugie, o vocalista Yannis Philippakis decidiu que o palco era pequeno demais. Ele desceu para a grade, correu entre os seguranças e, num momento de pura energia, escalou a estrutura de iluminação lateral do palco. Ver o vocalista pendurado a metros de altura enquanto a banda destruía os instrumentos lá embaixo foi o cartão de visitas definitivo.

O Foals saiu de cena suado e tendo convertido alguns milhares de fãs. Eles provaram que, por trás da complexidade “nerd” do som, existe uma banda de arena pronta para explodir. Foi o aquecimento perfeito, cerebral e físico, para a festa que viria a seguir.