O segundo dia do Lollapalooza Brasil chegou com menos expectativa e números mais modestos de público, mas ainda assim entregou momentos relevantes dentro de um lineup cheio de apostas. Entre surpresas, reafirmações de força e uma das maiores polêmicas da edição, o sábado mostrou que, mesmo sem soldout, o festival segue capaz de gerar impacto dentro e fora dos palcos.
No sábado, a proposta era acompanhar mais sete apresentações em um dia considerado mais modesto entre os três lineups. Sem soldout, o público caiu de 100 mil para cerca de 85 mil pessoas. Comecei novamente pelo palco Samsung com o Hurricanes, que mantém viva a estética e sonoridade dos anos 70. Funcionou como um bom cartão de visitas para quem ainda não conhecia o grupo.

No palco principal, Agnes Nunes foi uma grata surpresa. Misturando MPB e pop, conquistou o público com autenticidade e emoção, chegando às lágrimas ao reconhecer o peso de estar ali como mulher preta e paraibana. A participação de Tiago Iorc em “Pode Se Achegar” elevou ainda mais o momento.
De volta ao Samsung, o projeto Foto em Grupo reuniu integrantes de Daparte, Lagum e Anavitória. Apostando no carisma de Ana Caetano e Pedro Calais, o grupo trouxe ares de uma versão moderna dos Novos Baianos. Além das faixas autorais, covers de Lagum e Anavitória funcionaram bem para completar o set, com destaque para o momento político em “Eu Te Odeio”, com críticas a Donald Trump e Jair Bolsonaro.
No palco principal, MARINA mostrou força de headliner mesmo fora desse posto. A área ficou lotada antes das 17h e o público criou uma atmosfera própria ao usar leques como percussão, transformando o show em uma experiência coletiva marcante.

Representando o hip hop chicano, o Cypress Hill manteve sua identidade intacta. Sem concessões ao restante do lineup, entregou um show fiel à sua estética, com forte presença da cultura cannabis e momentos como o cover de “Bombtrack”, do Rage Against the Machine.
Logo depois, o TV Girl apresentou um show despretensioso, quase caótico. O vocalista, Brad Petering, alternava seu carisma com momentos icônicos como comer banana e fumar vape nos intervalos. Fora dos padrões, a banda mostra que pode sustentar um indie pop-rock sem guitarrista e que funcionou muito bem ao vivo.
Coube à Chappell Roan encerrar minha jornada no sábado em meio a um dos episódios mais comentados do festival. A artista subiu ao palco sob gritos contra o Flamengo e protestos ligados a uma polêmica envolvendo a filha do ator Jude Law e enteada de Jorginho, jogador do time carioca. Segundo relatos da família, a cantora teria acionado a segurança do hotel após acusar a criança de assédio durante o café da manhã, episódio que rapidamente dominou as redes sociais.
Mesmo com o rótulo de “fofoca do dia”, Chappell fez uma estreia consistente no Brasil. Diferente da estética ensolarada de Sabrina Carpenter, apostou em um cenário de castelo gótico e uma banda formada por mulheres, trazendo um peso mais próximo do rock à sua apresentação. No repertório, incluiu um cover de “Barracuda”, do Heart, reforçando a conexão com o rock feminino clássico. Hits como “Pink Pony Club” foram cantados em coro, embalados por uma plateia que manteve a já tradicional coreografia com leques. Ao fim do show, a cantora se pronunciou nos stories, pediu desculpas pelo ocorrido e afirmou não ter relação com a atitude do segurança.