O Sun Stage do Bangers Open Air nunca ostentou um nome tão apropriado quanto no último sábado (25), talvez, em termos de sensação térmica, só não tenha sido mais literal que o próprio Hot Stage. O astro-rei resolveu comparecer com força total para prestigiar os primeiros acordes da tarde, transformando o asfalto do Memorial da América Latina, em São Paulo, em uma verdadeira prova de resistência para os “camisas pretas” mais fervorosos.
Nesse cenário de calor implacável, o grupo alemão radicado na Suécia Lucifer ficou responsável por abrir os trabalhos no palco secundário do evento. Apesar do nome carregado de simbolismo ocultista e “trevoso”, a sonoridade da banda revelou-se curiosamente solar e refrescante. O som praticado por eles dialoga muito mais com a estética dos verões californianos dos anos 70, evocando o espírito do rock clássico e do proto-metal, do que com qualquer facção escandinava “queimadora de igrejas”. É um som de estrada, de amplificadores valvulados e de uma nostalgia assumida.
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Por conceito, a proposta do Lucifer já nasceu datada, mas isso não é um demérito no contexto do Bangers Open Air. A banda convence pela execução impecável e, sobretudo, pela performance magnética da vocalista Johanna Sadonis. Dona de uma voz potente e um timbre que corta a mixagem com facilidade, ela dominou o palco com um carisma que equilibra elegância e crueza rock ‘n’ roll.



Entre um riff e outro, Johanna demonstrou sincera gratidão pela recepção calorosa (em todos os sentidos), agradecendo ao público por “ter acordado cedo para vir nos ver”, reconhecendo o esforço dos fãs que ignoraram o meio-dia escaldante.
Na próxima quarta-feira (29), a partir das 19h, o Lucifer faz mais um show em São Paulo, no Hangar 110. Ainda há ingressos disponíveis.