My Chemical Romance transforma Allianz Parque em manicômio gótico para celebrar The Black Parade

My Chemical Romance transforma Allianz Parque em manicômio gótico para celebrar The Black Parade

My Chemical Romance - São Paulo - 05/02/2026

Esqueça o conceito tradicional de show de estádio. O que se viu na noite desta quinta-feira (5) no Allianz Parque, em São Paulo, foi uma peça de teatro macabra musicada por uma das bandas mais importantes do século 21. Para celebrar os 20 anos de The Black Parade, o My Chemical Romance não se limitou a tocar o disco, eles construíram um universo.

Ao entrarem no palco, transformado em uma espécie de sanatório/prisão distópico sob a vigilância de um olho digital gigante, Gerard Way e companhia deixaram claro que a noite seria dividida entre a ficção do “Mundo de Draag” e a realidade crua dos hits.

My Chemical Romance - São Paulo - 05/02/2026
Crédito: @bmaisca / 30e / Instagram

Teatro de The Black Parade

Quando o MCR assumiu o palco, o clima pesou. A execução na íntegra do álbum de 2006 foi marcada pela teatralidade. Cada integrante parecia um paciente tomando sua medicação ao entrar em cena.

Musicalmente, a sequência é imbatível. De Dead! a Mama, o público cantou cada verso como se fosse uma oração. Mas o destaque foi a narrativa visual. A presença dos personagens “O Cavalheiro” (o boneco de Gerard) e “O Atendente” criou uma tensão constante.

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O clímax desse primeiro ato foi chocante e inverteu a lógica da turnê de 2025. Durante a reprise de The End, numa versão melancólica de piano e violino, Gerard Way não foi a vítima. Em uma reviravolta sangrenta, o vocalista atacou “O Atendente” em uma cama hospitalar. Enquanto Blood tocava, Way encenou a remoção das entranhas do personagem, com sangue jorrando cenograficamente, um Grand Guignol que deixou a plateia boquiaberta. O público vibrou muito com o plot twist

My Chemical Romance - São Paulo - 05/02/2026
Crédito: @bmaisca / 30e / Instagram

Hits e a libertação

Passada a carnificina teatral, a banda voltou para o “mundo real” no segundo set. Sem o palco B (usado em outras turnês), eles concentraram a energia na estrutura principal para desfilar o legado.

A trinca I’m Not Okay (I Promise), Na Na Na e Helena (no encerramento) serviu para lembrar porque eles lotam duas vezes o Allianz Parque em São Paulo. Foi o momento da catarse coletiva, onde a atuação deu lugar à pura energia do rock. A voz de Gerard, exigida ao extremo por mais de duas horas, funcionou bem demais.

The World Is Ugly e Cemetery Drive foram as surpresas da segunda parte do show, ambas estrearam na turnê no primeiro show em São Paulo. 

O My Chemical Romance em 2026 é uma entidade complexa. Eles conseguem satisfazer a nostalgia dos fãs de Three Cheers for Sweet Revenge enquanto entregam uma performance artística digna de grandes produções da Broadway.

O show no Allianz foi visualmente denso, musicalmente impecável e, acima de tudo, corajoso. Em uma era de apresentações pasteurizadas, ver uma banda “estripar” um personagem no palco principal de um estádio é a prova de que o rock ainda pode (e deve) ser perigoso.