Antes dos irmãos Gallagher subirem ao palco para reescrever a história, o Morumbis recebeu uma realeza do rock britânico. Richard Ashcroft, eterno vocalista do The Verve e amigo de longa data do Oasis, não encarou a noite como um show de abertura comum. Com a confiança de quem possui alguns dos maiores hinos dos anos 90, ele entregou uma performance que, por si só, já valeria o ingresso.
Ashcroft sabe que, em um estádio lotado esperando pela atração principal, não é hora de experimentalismos. O setlist foi um “best of” curto e grosso, desenhado para fazer o público cantar do início ao fim.
Richard Ashcroft é a alma do The Verve
A apresentação foi dominada pelo legado do Urban Hymns. A abertura com Weeping Willow e Space and Time trouxe a atmosfera psicodélica e emotiva característica de sua ex-banda. A única concessão à sua carreira solo foi a excelente Break the Night With Colour, que, apesar de bem recebida, serviu como uma ponte para a artilharia pesada que viria a seguir.
Quando os acordes acústicos de The Drugs Don’t Work ecoaram, o estádio se iluminou com milhares de celulares. Foi o primeiro grande momento de comunhão da noite, seguido pela celebração existencial de Lucky Man e a melancolia pop de Sonnet. Ashcroft, com sua postura xamânica de sempre, comandou a massa com facilidade.
Mega hit e homenagem
O encerramento não poderia ser outro. Bitter Sweet Symphony, talvez um dos violinos mais reconhecíveis da história da música, colocou o Morumbis abaixo. Mas houve um toque especial de emoção: a introdução contou com um trecho de She Bangs the Drums, do The Stone Roses, dedicada a Gary “Mani” Mounfield.
A homenagem conectou as gerações do “Madchester” e do Britpop em um gesto de respeito e luto, elevando a música final a um patamar quase espiritual. Richard Ashcroft saiu de cena deixando o público aquecido, emocionado e pronto para o Oasis. Uma aula de como abrir um show de estádio com dignidade e peso.