#TBT – The Killers transforma o caos da Chácara do Jockey em pista de dança à prova d’água

#TBT – The Killers transforma o caos da Chácara do Jockey em pista de dança à prova d’água

A Chácara do Jockey, na noite deste sábado (21 de novembro de 2009), parecia menos uma arena de shows e mais um campo de batalha alagado para receber o The Killers. A chuva torrencial que castigou São Paulo transformou a pista em um labirinto de lama e enormes poças d’água, obrigando o público a se agrupar em “ilhas” secas, criando grandes buracos no meio da multidão. Mas, quando as luzes se acenderam para a Day & Age Tour, o cenário inóspito foi instantaneamente colorido pelo neon de Las Vegas.

Brandon Flowers, vestindo sua jaqueta de plumas (que desafiava a umidade local), não se intimidou. A banda assumiu o palco com a missão de fazer aquelas milhares de pessoas esquecerem que estavam com os pés encharcados.

Abertura ousada do The Killers na Chácara do Jockey

Diferente da maioria das bandas que guarda seu maior hit para o final, o The Killers jogou as cartas na mesa logo de cara. Abrir o show com Human foi uma declaração de confiança. O refrão “Are we human or are we dancer?” ecoou sob a chuva, transformando o perrengue em uma rave a céu aberto.

A energia seguiu alta com This Is Your Life e o clássico Somebody Told Me, que fez a “lama pular”. A banda soube dosar muito bem o repertório, equilibrando as faixas dançantes do disco novo (como Joy Ride e The World We Live In) com o peso das guitarras de Sam’s Town, representadas por Bones e Bling (Confession of a King).

O mau tempo lá fora casou perfeitamente com a execução soturna de Shadowplay (cover do Joy Division), um dos pontos altos da performance técnica da banda. Em um momento de maior intimidade, Flowers invocou seu lado crooner para uma versão delicada de Can’t Help Falling in Love, de Elvis Presley, criando um raro momento de calmaria na tempestade.

A reta final do set principal foi desenhada para a catarse. A trinca Read My Mind, Mr. Brightside e All These Things That I’ve Done testou a estrutura da Chácara. Durante o coro de “I got soul, but I’m not a soldier”, a chuva parecia não importar mais; era apenas um efeito especial a mais no espetáculo.

Para o bis, a banda guardou a grandiosidade de Jenny Was a Friend of Mine e encerrou a noite com When You Were Young. Com uma chuva de faíscas no palco competindo com a chuva real do céu, o The Killers provou que é uma banda de estádio pronta para qualquer condição. O público saiu ensopado e coberto de lama, mas com a certeza de ter presenciado uma das noites mais viscerais da história recente dos shows em São Paulo.