Heavy metal para ler: ‘Barulho Infernal’ conta a história da música pesada com entrevistas

Heavy metal para ler: ‘Barulho Infernal’ conta a história da música pesada com entrevistas

*Foto: Francisco Cepeda / AG News – Monsters of Rock, São Paulo, abril de 2015

Existem mil formas de se contar uma história. Mas a mais fiel possível é aquela contada pelos principais protagonistas. Foi pensando nisso que os jornalistas norte-americanos Jon Wiederhorn e Katherine Turman reuniram mais de 400 entrevistas produzidas por eles para apresentar a “história definitiva do heavy metal”.

O livro Barulho Infernal, lançado no Brasil pela editora Conrad, traz assuntos que vão do “como surgiu o chifrinho com as mãos” (gesto tradicional dos headbangers) até o início de bandas mais atuais, como Mastodon e Slipknot.

Essencial na coleção de qualquer roqueiro, Barulho Infernal apresenta histórias curiosas como a de dois ex-integrantes do Alice in Chains, Jerry Cantrell e Layne Staley, que foram ao show do Guns N’ Roses para divulgar uma demo tape (fita k7) com seus primeiros sons.

A obra não se restringe aos Estados Unidos ou ao Reino Unido. Os irmãos Max e Igor Cavalera, fundadores do Sepultura, por exemplo, contribuem com algumas histórias interessantes no livro. Os fortes cenários nórdico, alemão e australiano também recebem a atenção devida por parte dos responsáveis pela obra.

Segundo os autores, o Sepultura acabou se tornando a mais inovadora e influente banda de trash metal fora dos Estados Unidos.

Alice Cooper, John Paul Jones (Led Zeppelin) e Rob Halford (Judas Priest) também dão suas opiniões sobre quem é o verdadeiro criador do heavy metal. Engraçado notar que as versões são bem diferentes quanto ao início de tudo.

E é de Alice Cooper que vem uma das frases mais divertidas e macabras da obra. Ao relembrar uma passagem dele por Toronto, no Canadá, o músico conta a história de um fã maluco, que atirou uma galinha viva no palco.

“Até hoje não entendo o motivo de alguém levar uma galinha para um festival de rock. ‘Deixa eu ver, peguei meu ingresso, minha carteira, meu baseado, minha galinha. Ok, estou pronto. Vamos nessa’. E lá estava o bicho no palco. Daí joguei a galinha de volta para o público e ela acabou sendo despedaçada”.

Já Mike Patton, vocalista do Faith No More, que passou pelo Brasil em setembro, minimiza a potência de sua voz e revela qual é a sua principal função no palco. “Algumas pessoas elogiam a minha voz, mas, para mim, o meu trabalho é pular para cima e para baixo no palco, ter cabelo comprido e parecer um rebelde”, diz o músico, conhecido como Mr 1.000 Voices (Senhor das Mil Vozes).

Muitas histórias curiosas e episódios únicos dos quais sempre escutamos falar recheiam o livro e tiram dúvidas. Afinal, como morreu o vocalista Bon Scott?, Ozzy arrancou mesmo a cabeça de um morcego?, Como Dave Mustaine foi expulso do Metallica e os rituais de sangue praticados por bandas como Morbid Angel e Deicide?

Apesar das histórias curiosas e divertidas, o grande ensinamento para os fãs que estão começando a entender o heavy metal é descobrir a origem das grandes bandas como Deep Purple, AC/DC, Kiss, Judas Priest, Iron Maiden, Metallica, Black Sabbath, Guns N’ Roses.

“Muito já se falou da importância do heavy metal como gênero musical. A gente preferiu deixar os próprios caras que construíram o metal falar das músicas, dos shows lendários, das histórias selvagens. Elas falaram. Os relatos captam a alma do movimento”, conta Jon Wiederhorn.

“O livro tem falas de mais de 400 pessoas. Isso é muito rico porque o leitor tem acesso a diferentes pontos de vista. Em alguns casos, é até engraçado porque as versões são diferentes”, completa a coautora Katherine Turman.