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“Se isso te deixa feliz e faz você se mexer, vai lá e faz”, diz Fantastic Negrito sobre Greta Van Fleet

Foto: Van Campos /Fotoarena/Folhapress)

CAIQUE STIVA E LUCAS KREMPEL
Fotos: Van Campos / Folhapress

A estreia de Xavier Amin Dphrepaulezz, o Fantastic Negrito, no Brasil, estava cercada de expectativa. No palco do intimista Cine Joia, na Liberdade, na última terça-feira, estava nada menos que o vencedor de dois dos últimos três discos de Blues Contemporâneo, no Grammy.

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Não bastasse isso, o guitarrista tem uma mistura empolgante no som: vai do Led Zeppelin ao blues clássico do Mississippi, sem deixar a influência do hip hop passar batida.

A história de vida do músico também é forte. De uma família com 15 irmãos, ele passou a maior parte da vida em Oakland, na Califórnia, uma das cidades com piores índices de criminalidade da América. Enfrentou a violência das ruas, se viu infiltrado nela, mas buscou o sossego nas plantações de maconha. Vendia as medicinais para cachorrinhos.

Um acidente de carro, no fim dos anos 1990, quase custou a vida. Passou dias em coma, no hospital, em Los Angeles.

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Apadrinhado pelo falecido Chris Cornell (Audioslave e Soundgarden), Fantastic Negrito está com 51 anos. A disposição no palco, no entanto, é de garoto. Ele honra bem a alcunha, apesar de declarar que ele não é o fantástico do nome artístico. Se trata apenas de uma homenagem aos fantásticos bluesmen do Mississippi.

No palco, o guitarrista sabe equilibrar bem o repertório com boas doses de Please Don’t Be Dead (2018) e The Last Days of Oakland (2016), os discos premiados no Grammy. São oito e seis faixas, respectivamente. O set, com 18 músicas, guarda espaço ainda para o cover de In The Pines, tradicional canção do folk americano, marcantes em versões de LeadBelly, Joan Baez com Bob Dylan e Nirvana, no Acústico MTV.

O repertório agradável, distribuído em pouco mais de 1h30 de apresentação, conta também com interpretações do artista. Não é apenas música, Fantastic Negrito interpreta bem tudo que canta, o que garante uma emoção ainda maior.

Presente no lineup de vários festivais pelo mundo, incluindo o recém-anunciado Lollapalooza Chicago, Fantastic Negrito mostrou que tem a mesma desenvoltura dos grandes palcos em áreas mais intimistas. Um show memorável para os fãs.

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Entrevista

Você cresceu em Oakland, uma cidade cheia de problemas sociais. Qual foi o real valor da música para você?
Tem o lado bom e o ruim, mas é uma ótima cidade. Acho que crescer na Califórnia é estar cercado de música, principalmente na Bay Area. Se você comparar com Nova York e Los Angeles, nós temos uma população bem menor, mas produzimos muito mais e temos artistas inovadores e criativos, como o Metallica, por exemplo. Cresci ouvindo tudo que era bom e a Bay Area tem uma herança artística enorme. Não tem como não reconhecer.

A Bay Area nos últimos 30 anos teve uma grande associação ao punk, hardcore e hip hop. Você acompanhou esse cenário?
Absolutamente. Esses estilos estavam nas ruas, você respirava todos eles por onde andava. Punk, hip hop, hardcore… Todos caminhavam lado a lado. O som é muito diferente, mas a ideologia era a mesma: originalidade e autenticidade.

Mas é o tipo de som que você costuma ouvir?
Estou velho (risos). Ouço muito blues. Ouço muito uma artista chamada Memphis Minnie, que é muito boa. Gosto muito desses artistas da década de 1930. Amo esse tipo de música, mas gosto de conhecer artistas novos também, mas não sou muito fã de pop mainstream.

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Please Don’t Be Dead, seu último disco, traz uma mensagem forte sobre a questão social, política, racial dos Estados Unidos. Como está o seu país hoje?
Primeiramente, gostaria de dizer que não gosto de pensar que sou um ativista. Não gosto de misturar música com política, porque acho que isso te prende na sua ideologia e não te deixa crescer. Penso muito na sociedade, sou um cidadão do mundo. Se vejo algo errado em São Paulo, isso vai me afetar também. Se você é um artista hoje em dia, é a sua hora por conta de todos os problemas que estão por aí. O mundo está mudando e tem muito para se escrever e transformar em música. Please Don’t Be Dead é um reflexo disso.

Alguns críticos notam uma semelhança grande em algumas faixas suas com Led Zeppelin. Isso te agrada?
Se me comparam a alguém ótimo, fico feliz. Conheci Robert Plant na Inglaterra, ele foi a um dos meus shows. Não fico chateado quando me falam que as minhas músicas parecem com um artista ou outro, para mim, está tudo bem. É um elogio.

Já ouviu Greta Van Fleet? Considera muito igual?
Já ouvi Greta Van Fleet e concordo que parece muito com Led Zeppelin. Entendo as críticas. Faço um som que lembra Lez Zeppelin, mas com um toque de blues. Mas quem sou eu para criticar os garotos? Se isso te deixa feliz e faz você se mexer, vai lá e faz. Não dá para ficar preocupado com críticas.

Qual é a real importância do blues do Mississippi para você?
O Delta Blues do Mississippi representa o início da cultura pop para mim. Se você pegar um artista como Robert Johnson, o que ele criou em sua curta vida, muita gente ainda tenta fazer e não consegue. A música dele tem muita influência até hoje. A época dele foi muito importante para a história da música. É o estilo de música mais copiado e influenciador da história. Mississippi é um estado pobre financeiramente, mas é muito rico musicalmente.

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Acredita que esses bluesmen não tiveram o devido reconhecimento da mídia?
Não me preocupo com artigos da imprensa, sem ofensa (risos). A verdade é a verdade e esses artistas eram incríveis. Aqueles filhos da mãe são conhecidos e ninguém pode negar isso. Se você escutar esse pessoal, sua vida melhora, porque a vibe espiritual é incrível.

O que você tem escutado ultimamente?
Hoje em dia eu gosto de Cedric Burnside, ele é ótimo e faz música boa. Ele é o primeiro que veio em minha mente agora. Mas não sou fãs só de blues, gosto do que é bom.

Conhece algo da música brasileira. O que acha?
Sei muito sobre a música brasileira, mas não sei os nomes dos artistas. A música brasileira tem muito impacto no mundo. Já ouvi muitas bandas brasileiras, muito samba, mas nunca soube os nomes. Conheço Tim Maia e gosto da música dele, mas não sei mais nomes. Porém, a vibração e a energia são incríveis e me lembram de Mississippi.

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