A Banda dos Corações Partidos completa 20 anos de estrada e aborda feminicídio e luto no EP Borrada

O veterano grupo sergipano A Banda dos Corações Partidos, de Aracaju, assinala duas décadas de carreira com o lançamento do EP Borrada. O projeto, composto por cinco faixas inéditas, já se encontra disponível em todos os tocadores digitais de streaming e estabelece uma virada contundente na trajetória iniciada em 2006. Pela primeira vez na história da banda, a vocalista e atriz Diane Veloso assina a totalidade das letras, dividindo as composições com o prestigiado músico e arranjador sergipano Alex Sant’Anna. A obra abandona o tom melodramático da “dor de cotovelo” clássica para dar lugar à exaustão física do corpo feminino, ao luto e ao combate à violência de gênero sem concessões poéticas atenuantes. O disco reverbera um cenário alarmante: dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que o país registrou 1.571 casos de feminicídio em 2025, média de quatro assassinatos diários e recorde histórico desde a sanção da lei em 2015, sendo 60,9% cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Da seresta à ruptura sonora: spoken word e teatralidade Se em registros prévios, como o EP Desamor (2017) e o álbum Canções de Ódio, Ressentimento e Abandono (2022), a banda flertava com a era de ouro do rádio, as serestas e a estética brega-dramática, Borrada direciona seu foco para uma sonoridade mais sombria, angular e visceral: Contrariando a lógica algorítmica de singles fragmentados, o EP foi concebido como uma obra imersiva de fôlego contínuo, cuja densidade lírica exige escuta atenta do início ao fim. Faixa a faixa e impacto das letras Logo no tema de abertura, os versos confrontam o público com a rotina de desemprego, rotinas exaustivas e a farsa de crimes cometidos supostamente “por amor”, desarmando romantizações tóxicas para expor o isolamento de mulheres que vivenciam agressões silenciadas entre quatro paredes. A colaboração contínua entre Diane Veloso e Alex Sant’Anna resulta em um manifesto sobre a sobrevivência física e emocional da mulher contemporânea no Brasil.

A Banda dos Corações Partidos lança vídeo para potente Que Amor é Esse?

Que amor é esse?, música do recém-lançado segundo disco do grupo sergipano A Banda dos Corações Partidos com participação da rapper Stella, acaba de ganhar um videoclipe tão potente e expressivo como a canção, um indie rock denso, com passagens intimistas e outras explosivas, que expõe perspectivas de um relacionado tóxico. É, sem dúvida, a música mais visceral do disco Canções De Ódio, Ressentimento e Abandono, em que Diane Veloso sente e dramatiza cada palavra cantada, na carne e na alma. O instrumental acompanha a tensão, tanto nos arranjos como nas melodias, entre partes cadenciadas e outras explosivas. “Amar é sofrer? É manipulação, chantagem, agressão? É possessividade? Não, isso não é amor! É melhor ficar só”, reflete Diane em diálogo com a letra e contexto da letra, agora também escancarada em imagens, que se comunicam com a linguagem das artes cênicas. Sobre o clipe, o diretor Baruch Blumberg comenta sobre esta conexão da música com o teatro. “A letra me trouxe uma visualidade teatral, com cenários propostos em cima desse palco, que mostra que é palco, mas que também quebra essa parede com a câmera. Além disso, desde o primeiro momento fez sentido ser no teatro, pois a banda carrega todo esse elemento cênico com a força de Diane, que tem o teatro como parte essencial de sua vida”. O clipe, revela Baruch, foi filmado em um dia só. “Montamos todos os cenários e íamos saltando de um para o outro, criando uma coisa orgânica da banda por esses espaços, se misturando ao tecido e as formas e sombras do corpo, as projeções nas fitas”.

A Banda dos Corações Partidos lamenta e canta sobre desencontros no amor em Incolor

O desamor é pálido e, se fosse possível mensurá-lo, certamente seria um vazio. Neste contexto, um desencontro amoroso ou um amor não correspondido, para o quinteto sergipano A Banda dos Corações Partidos, é ainda incolor, o adjetivo que dá nome ao single já disponível nas plataformas digitais. Incolor, produzida por Alex Sant’Ana, Leo Airplane e Diane Veloso, é um lançamento do selo Badalando Play. Esta é a primeira composição do experiente Luno Torres (ex-Plástico Lunar e agora também em carreira solo) na Corações. É música de fossa, com uma eloquente carga dramática que cresce e dilacera ao decorrer dos quase três minutos da canção. Incolor escancara a MPB fossa como a proposta mestre da Banda dos Corações Partidos, sem medo algum de ‘enfiar o pé na lama’ quando o assunto é se entregar profundamente ao amor, mesmo que seja para sofrer. Entre acordes vagarosos e ritmos cambaleantes, o instrumental sustenta o canto performático de Diane Veloso sobre o momento em que a pessoa precisa encarar o fim de um relacionamento – ou a ausência dele, isso fica por conta de como o ouvinte direciona seu lamento. Incolor é a segunda amostra do segundo álbum da banda, já intitulado Canções de Ódio, Abandono e Ressentimento – o primeiro single foi O Peso do Mundo é o Amor. São 12 faixas e está programado para chegar ao streaming no dia 4 de fevereiro. O single, assim como o disco, foi viabilizado pela Lei Aldir Blanc de apoio à cultura.