Grupo Martelo celebra a identidade e a diversidade da música brasileira no álbum Sotaque

Em um caldeirão sonoro, o quarteto de percussão Grupo Martelo lança o primeiro álbum, Sotaque, pelo selo Juá. Um registro que celebra a identidade sonora do grupo e a riqueza da música brasileira contemporânea. O trabalho reúne obras de compositores como Clarice Assad, André Mehmari, Léa Freire, Antônio Nóbrega, Débora Gurgel, Daniel Grajew, Luísa Mitre, Hércules Gomes e Sílvia Góes, reinterpretadas em uma linguagem que une a música de concerto e a popular. Formado por Danilo Valle (Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal de São Paulo), Leonardo Gorosito (Orquestra Sinfônica do Paraná), Rafael Alberto (Orquestra Filarmônica de Minas Gerais) e Rubén Zúñiga (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), o Martelo se destaca por uma atuação colaborativa: seus integrantes, vindos de diferentes regiões e formações, se reúnem periodicamente para criar, pesquisar e experimentar novas formas de expressão. Dessa união veio o conceito de Sotaque que norteia não apenas o título do disco, mas a própria estética do quarteto. O sotaque é um fenômeno sonoro que ultrapassa fronteiras geográficas — seja ele regional, pessoal ou musical, é a marca de uma identidade única. Na música, surge da fusão entre diferentes influências e das personalidades de cada intérprete. O Martelo abraça essa ideia ao combinar a musicalidade de seus quatro integrantes com sonoridades diversas, especialmente dos instrumentos brasileiros e dos instrumentos criados pelo próprio grupo. O resultado é uma fusão viva e singular, em que cada nota carrega a identidade do quarteto. Mais do que um registro fonográfico, Sotaque é um retrato da trajetória do Martelo e da multiplicidade de suas vozes. O grupo revisita obras consagradas com uma abordagem fresca e autêntica, valorizando as raízes musicais brasileiras ao mesmo tempo em que propõe novas leituras e timbres. Essa liberdade criativa faz do disco um marco para a música instrumental contemporânea. Parceiro de marcas como Black Swamp Percussion, Alves Percussion e Zildjian, o grupo amplia com Sotaque sua presença em palcos e circuitos culturais pelo Brasil, reafirmando seu compromisso com a inovação e o diálogo entre tradição e contemporaneidade. Além disso, se posiciona com uma abordagem diferente que traz uma perspectiva distinta para a música instrumental atual. O Grupo Martelo transforma vivência e experiência em uma forma de narrar musicalmente o mundo que o cerca.

Ana Cacimba comemora 10 anos com Luminosa Ato 1 Lua: obra dividida entre espiritualidade e expansão

A cantora, compositora e instrumentista Ana Cacimba lança Luminosa Ato 1 Lua, trabalho que marca seus dez anos de trajetória artística e inaugura um projeto conceitual dividido em dois capítulos. Quilombola e periférica, a artista propõe uma obra guiada por metáforas de luminosidade, em que a Lua simboliza mistério, intuição e espiritualidade, enquanto o segundo ato, Sol, previsto para os próximos meses, representará expansão e realização. O lançamento sai pelos selos Head Media e Universal Music. O primeiro ato reúne canções autorais e tradicionais diretamente conectadas à fé da artista, com a Música Popular Brasileira atravessada pela afro religiosidade. A sonoridade percorre samba rock, samba, pop, afrobeat, kuduro e referências da música caipira inspirada nas congadas do Rosário do Vale do Jequitinhonha. O asalato, instrumento de origem africana, aparece como elemento central e reforça o vínculo com a ancestralidade. Segundo Ana, o conceito de Luminosa nasce da necessidade de falar sobre autoestima e valorização do próprio brilho pessoal e espiritual em meio às exigências do cotidiano. O disco se abre com “Exu”, uma poesia autoral em forma de reza, seguida por “Padê Onã”, ambas com participação de Alessandra Leão. Ao longo do repertório, a espiritualidade se manifesta em diferentes camadas, como na exaltação do sagrado feminino em “Pombagira Dona da Casa Maria Mariá”, na força dos ventos em “Oyá”, que dialoga com o kuduro angolano, e nas homenagens às yabás das águas em “Ponto de Oxum” e “Canto de Iemanjá”. Tradições também são revisitadas em faixas como “Preto Velho”, “O Sino da Igrejinha” e “Se Meu Pai é Ogum”, além das referências às memórias quilombolas da família da artista ao celebrar Oxóssi, Oxalá e Xangô. A produção musical é assinada por Los Brasileros e Dmax. O lançamento vem acompanhado de um visualizer para “Exu Padê Onã”, dirigido por Gabriel Sorriso, com imagens captadas durante a gravação no estúdio Head Media. A identidade visual reforça o conceito do projeto, trazendo a Lua como personagem central da capa, em um trabalho concebido por Ana Cacimba e desenvolvido em parceria com uma equipe majoritariamente feminina. O segundo ato, Sol, dará sequência à narrativa ao explorar experiências cotidianas, alegria e a energia do convívio com o mundo exterior, ampliando o retrato da afro brasilidade e da afro religiosidade na música popular brasileira.

Rafael Baldam estreia com Sumidouro, álbum instrumental que une música, narrativa e imagem

Sumidouro é o álbum de estreia de Rafael Baldam e apresenta uma jornada instrumental construída a partir de seis interpretações que funcionam como capítulos de uma mesma narrativa. Mais do que um disco, o projeto nasce como uma obra multimídia que integra música, texto e colagens visuais, ampliando a experiência para além do áudio e propondo diferentes camadas de leitura e escuta. A ideia do trabalho surgiu da inquietação criativa de Baldam, interessado em transitar por linguagens diversas como composição, interpretação, escrita, colagem e vídeo. Ao perceber que essas práticas não eram paralelas, mas complementares, o músico passou a integrá-las em um único processo criativo. O resultado é um álbum que se organiza em três dimensões interligadas: a música que conduz, o texto que orienta e as imagens que completam o percurso narrativo. O ponto de partida de Sumidouro está na escolha de composições de nomes centrais da cena paulista da música brasileira contemporânea. As versões instrumentais criadas por Rafael abriram espaço para a construção de um conto em prosa poética que acompanha o disco. Cada faixa ganhou também uma colagem própria, reunidas em um livro que estabelece o elo entre som e imagem e reforça o caráter conceitual do projeto. O repertório reúne obras de Maurício Pereira e Daniel Szafran, Marcelo Cabral e Rômulo Fróes, Dandá Costa, Rodrigo Campos, Thiago França e Kiko Dinucci. Todas as faixas foram rearranjadas e executadas por Rafael em formato solo, criando um panorama coeso de referências que dialogam entre si e ajudam a desenhar o universo sonoro do álbum. Segundo o músico, a escolha desses compositores reflete tanto uma afinidade estética quanto um gesto simbólico de filiação artística. A travessia sonora começa com Pra Marte, que desloca elementos originalmente vocais e de sopro para o violão, aproximando a faixa do choro. Invente o Amor apresenta mudanças sutis de timbre e sinaliza novos caminhos. Em “Bandeira”, o tom menor e a entrada da guitarra ampliam o espaço sonoro e marcam outra etapa do percurso. Single do disco, Na Memória Vida Outra sintetiza aspectos centrais do projeto ao alternar o protagonismo entre violão e guitarra, reorganizando a tensão da faixa. Dentro da Pedra aprofunda a exploração de efeitos e reverberações, com a guitarra assumindo papel central. O encerramento fica por conta de Ciranda do Aborto, que parte de arpejos contidos e avança para camadas mais densas, concluindo a narrativa proposta ao longo do álbum. Gravado entre julho e agosto de 2025 no Juá Estúdio, em São Paulo, Sumidouro teve captação e mixagem assinadas por Leonardo Ost e Alencar Martins. Rafael Baldam responde pelos arranjos, interpretações, texto e colagens que acompanham o disco, articulando todas as etapas do projeto em uma obra que se completa na soma de suas linguagens e convida o público a construir sua própria relação com esse trabalho de estreia.

Fresno anuncia o lançamento de seu novo disco Carta de Adeus

A Fresno está de volta. Após a turnê de seu último disco Eu Nunca Fui Embora, que consolidou a banda como uma das maiores de seu tempo com shows que percorreram todo Brasil, o trio anuncia o próximo passo na carreira: o lançamento de seu décimo primeiro álbum de inéditas intitulado Carta de Adeus. O novo trabalho será lançado de uma maneira exclusiva dia 18 de abril de 2026, em um show especial no Espaço Unimed, com ingressos à venda. Os fãs que adquirirem o ingresso para o show do dia 18 de abril de 2026 no Espaço Unimed poderão ouvir Carta de Adeus executado ao vivo, na íntegra, e em primeira mão, além das canções clássicas que marcaram os 26 anos de estrada da banda. Alguns dias após o show de lançamento, o disco de estúdio ficará disponível em todas as plataformas digitais.  É a primeira vez que a Fresno lança um álbum desta maneira. Sendo assim, a banda brindará a base de fãs com a oportunidade de ouvir de maneira inédita o disco novo ao vivo, selando um pacto de união e simbiose que tem sido substancial para o trio ao longo destes anos. Apostando também no formato físico de seu trabalho, a banda vai abrir uma pré-venda de Carta de Adeus em formato de CD e vinil no início de 2026. A ação é uma forma da banda reafirmar os laços de experiências reais com os fãs, frutos de uma trajetória de canções que viraram verdadeiros hinos que atravessaram gerações. Desta forma, a concepção de Carta de Adeus torna-se uma extensão primordial de um trabalho de conexão entre a banda e as pessoas, que já vem se desenvolvendo e se consolidando de maneira intensa ao longo dos anos de carreira do grupo. O disco traz o trio em sua maturidade artística e solidifica a experiência da banda como uma das mais importantes de sua geração, expandindo seus laços, conexões musicais e pavimentando sua relevância a cada novo lançamento. As canções de Carta de Adeus são memória viva de amor, dor, sinestesia e sensibilidade— elementos imersivos que se fundem à vida e obra de Lucas Silveira, Vavo e Guerra.

Pedro Tommaso estreia com álbum Amora para consolidar sua virada artística

O cantor e compositor Pedro Tommaso lança seu primeiro álbum de estúdio, Amora, já disponível nas plataformas digitais. Nascido em São Paulo e radicado no Norte de Minas, o artista entrega um trabalho que nasceu do desejo de falar de amor em tempos de distâncias e incertezas. O disco, produzido de forma independente, transita por ritmos como funk, samba, ijexá, bolero, pop e indie rock, abraçando influências que vão de Lenine e Chico César a Vanessa da Mata e Gilberto Gil. O resultado é um mosaico afetivo que celebra a vida, as relações e o reencontro com o próprio sentir. Com dez faixas autorais, Amora destaca a pluralidade de Pedro e o cuidado com cada detalhe do projeto. Gravado durante a pandemia, o álbum surgiu de forma caseira e colaborativa, com as primeiras guias registradas no microfone de um fone de ouvido e lapidadas pelo produtor Rafael Carneiro. O disco também carrega afeto familiar, já que a filha do artista participa com vocalizações gravadas aos cinco anos de idade. A capa, assinada por Alexandre Zuba sobre foto de Lucas Viggi, sintetiza o espírito dessa nova fase: Pedro em pleno salto, em um gesto que mistura liberdade e enraizamento. Em declaração ao Blog N’ Roll, Pedro descreve o lançamento como um processo de renascimento artístico e emocional. “Eu sempre quis lançar meu disco, agora parece que eu pari meu primogênito e só me deu mais vontade de ter mais filhos”, diz. Ele lembra a dedicação de quatro anos até transformar a ideia de Amora em um álbum completo. “Agora, cheio de orgulho e água na boca, posso saborear meu primeiro álbum e oferecer esse sabor para o mundo enquanto colho os frutos deste lançamento.” Pedro vê o disco como um convite à escuta sensível e reforça o poder transformador da obra. “Amora faz muito bem para o coração”, afirma. Entre momentos de autocuidado, saudade, reencontros e descobertas, o trabalho marca uma virada de chave na carreira de um artista que compõe desde os 10 anos e agora encontra no amor, por si, pela música e pelo outro, sua força motriz.

Soma Soma estreia o disco Nem Toda Flor, que planta o Brasil em terras britânicas

O grupo Soma Soma estreou o álbum Nem Toda Flor. O trabalho, que ganha vida a partir de pausas e transformações, foi gravado na cidade de Bristol, na Inglaterra, em um estúdio localizado nos fundos do The Jam Jar. É o mesmo espaço em que o grupo costumava ensaiar. Ao longo de nove canções, o LP traduz a maturidade criativa e a harmonia coletiva adquirida por seus integrantes, que constroem juntos uma ponte entre o velho continente e as sonoridades brasileiras. Marcado por arranjos ousados e uma produção que valoriza o som orgânico, o projeto busca reafirmar a força do Soma Soma como um dos grupos mais inventivos da diáspora brasileira. Liderada pelo vocalista e guitarrista brasileiro Artur Tixiliski, radicado na Inglaterra há mais de duas décadas, a banda propõe uma viagem musical que atravessa o mundo entre paradas que incluem o samba rock, partido alto, afoxé, swingueira, axé e maracatu. Seu segredo está na mescla de tradições afro-brasileiras com camadas de jazz espiritual, afrobeat e mais fusões globais. Todos esses ritmos são trazidos à baila de maneira orgânica, de um jeito caro à formação da banda. Ao longo de sua trajetória, Tixiliski vem unindo forças com instrumentistas e estudiosos musicais a fim de criar intersecções entre a alma brasileira, a vivência inglesa e toda referência que se faça bem-vinda a partir de outros cantos do mundo. Formada por Jonny Pryor (guitarra), Oli Mason (bateria), Jake Calvert (percussão), Rory Macpherson (saxofone), Joe Bradford (trombone), Piers Tamplin (saxofone, clarinete baixo e flauta) e Stevie Toddler (baixo e vocais de apoio), além de Artur, a Soma Soma se revela uma celebração da pluralidade rítmica e emocional. Mais do que isso: uma big band contemporânea que calca sua identidade na potencialidade da música progressiva em acessar a alma do Brasil e ainda assim estar aberta ao diálogo com o mundo. O título, que vem da frase Nem toda flor floresce o ano todo, é também uma metáfora sobre ciclos, emoções e a necessidade de respeitar o próprio tempo. “Nem Toda Flor, o álbum, nasceu da pausa que o mundo viveu durante a pandemia de covid-19. Eu e Artur tínhamos bebês recém-nascidos, mas ainda assim encontramos tempo para seguir compondo com o resto da banda. Era um período de reflexão e de reconexão com o essencial — e foi nesse espírito que as músicas surgiram”, conta Jonny Pryor, um dos integrantes do projetos. Haja vista, cada faixa carrega uma história. O Mundo Parou, escrita durante uma visita ao Brasil, pulsa entre a tensão e a esperança. Inspirada por Bebeto e Antônio Carlos & Jocafi, a canção transforma a quietude do isolamento social em groove, com letras que refletem sobre trabalho, tempo e reconexão com a família. Já Se Eu Fosse Um Homem Sem Amor é uma canção de duas notas que se expande em sentimento, nascida da tentativa de simplificar o entorno e deixar que apenas seu ritmo guie. Influenciada pela batida dos Arróxa Drummers, a estreia traz um groove denso e apaixonado sobre criar vida a partir do amor. Em Yelda, Artur Tixiliski se inspira no romance O Caçador de Pipas, do romancista afegão Khaled Hosseini, para transformar a noite mais longa do inverno persa em metáfora da espera e do desejo. Parquinho, por sua vez, reflete o tempo vivido entre a incerteza da paternidade, com o som das correntes de um balanço infantil se transformando em base rítmica para uma peça de tom jazzístico. Pressa, na sequência, homenageia a cena de jazz de Bristol com compassos irregulares e metais exuberantes, lançando luz sobre o aprendizado coletivo da desaceleração com fins de reencontro do propósito. O álbum também se abre ao protesto e à espiritualidade. Treta é um maracatu político, escrito a partir de um antigo riff de autoria de Tixiliski, em parceria com o compositor Hércules Lacovic. É uma resposta à sua frustração com o autoritarismo e a crise ambiental provocada pelo governo de Jair Bolsonaro (2019–2022). Laranjeiras, lançada como single antecipado, é um samba psicodélico que homenageia o bairro carioca e o espírito solar do Brasil, enquanto Nem Toda Flor Floresce o Ano Todo funciona como um mantra sobre autocompaixão, inspirado nos cantos responsivos do samba de coco. O encerramento, que se dá com O Menino e o Pandeiro, flutua entre rumba e samba, celebrando o aprendizado, a leveza e a continuidade, aspectos que nos abrem as portas do futuro. Entre raízes e experimentação, Nem Toda Flor se revela um disco centrado no ato de florescer apesar das intempéries, com a consciência de que até o silêncio faz parte da música. A obra surge como fruto de uma longa semeadura, que plantou o Brasil no interior de cada integrante, mas também de quem a escuta. Honesto em sua proposta, o álbum ganha profundidade justamente por não buscar complexidades ao despertar sentimentos. Cultivado a várias mãos, o repertório foi regado e cuidado para dialogar com muito mais do que os ouvidos estrangeiros fascinados pelas referências estrangeiras estão acostumados. Aqui, a intenção é se conectar com a essência brasileira que nos leva a dar frutos em qualquer lugar do mundo.

Matanza Ritual divulga A Vingança é Meu Motor com show em São Paulo

Já consolidado na música pesada nacional que atinge distintos públicos do rock, o Matanza Ritual chega nesta sexta-feira ao palco do Carioca Club, em São Paulo, para apresentar ao público as faixas de A Vingança é Meu Motor, álbum que consolida a identidade da nova formação. Os ingressos estão à venda no site do Clube do Ingresso ou na bilheteria do Carioca Club. O show também trará músicas marcantes da sólida carreira na voz de Jimmy London, conectando passado e presente em uma mesma noite. A abertura fica por conta da Throw me to the Wolves. Desde sua formação em 2019, a banda percorreu o Brasil com shows lotados, apresentando clássicos do Matanza e singles como Rei Morto e Morte Súbita. Com um time de estrelas e produção de Rafael Ramos, o álbum, que leva o nome de uma das faixas, traz a marca registrada da banda: um som pesado e visceral, mesclando thrash metal, hardcore e country, aliados a letras carregadas de ironia, crítica social e reflexões sobre o caos humano. São 13 faixas, incluindo os já lançados singles O Paciente Secreto e Assim Vamos Todos Morrer. O single que veio junto ao álbum é Nascido Num Dia de Azar, música que representa com força essa nova etapa da banda e define o tom do álbum. O trabalho conta com participações especiais de Chico Brown em Lei do Mínimo Esforço e Leminski em A Noite Eterna. A faixa Assim Vamos Todos Morrer surpreende com a inclusão inusitada de um violino, executado por Tamara Barquette, um elemento raro na sonoridade do grupo. Com uma atmosfera que alterna entre a fúria e a melancolia, A Vingança é Meu Motor reflete sobre temas como sanidade, escolhas humanas e a inexorabilidade da morte. Faixas como O Paciente Secreto exploram a linha tênue entre loucura e lucidez, enquanto Ode ao Ódio e …E Tenha um Péssimo Dia reforçam a pegada agressiva e provocativa do Matanza Ritual. “O disco traz essa sensação de urgência, do tempo finito para se tomar decisões e lidar com as consequências delas. É a trilha sonora perfeita para tempos caóticos”, comenta Jimmy London, vocalista da banda. Gravado sob a produção de Rafael Ramos, com mixagem de Jorge Guerreiro e masterização de Fábio Roberto, o projeto reafirma a força e a identidade sonora da banda, formada por Jimmy London (vocal), Amilcar Christófaro (bateria), Felipe Andreoli (baixo) e Antônio Araújo (guitarra). SERVIÇOMatanza Ritual lança álbum A Vingança é Meu Motor em São PauloData: sexta-feira, 21 de novembro Horários: 20h — abertura da casa | 20h50min – Throw me to the Wolves | 22h — Matanza Ritual Local: Carioca Club (Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros) Valor: de R$90 a R$280,00 Ingresso online

Deco Fiori revela álbum Cada Verdade Que Eu Sonhar; ouça!

Sonhos, verdades e canções pontuam Cada Verdade Que Eu Sonhar, segundo álbum do cantor, compositor e instrumentista Deco Fiori. Nas dez faixas, todas autorais, as influências pop de Beatles, MPB e Clube da Esquina, novamente sob a batuta do produtor e diretor musical Marcílio Figueiró, abrem espaço para outros sonhos ao repetir a vitoriosa parceria do álbum anterior, Luz da Criação, de 2024. Lançamento do selo Clube Novo. Se Lô Borges e Ronaldo Bastos – duas das maiores referências do artista – um dia traçaram seu sonho real, Deco Fiori renova esperanças e aspirações, atento às contradições do mundo contemporâneo, “pelos gritos roucos e revolucionários” de quem sonhou demais, sem perder o tom da ternura. É o que explicita já na faixa-título Cada Verdade Que Eu Sonhar, uma balada certeira onde questionamentos existenciais se amalgamam aos ideais sociais e políticos, premidos pela urgência da maturidade que bate à porta. Um artista possui seu próprio relógio criativo-biológico. “É a faixa que abre e dá nome ao álbum. Começa com o verso ‘não sei pra onde vou / mas não me desespero / só quero que passe devagar’. Eu, como ateu, que não acredito em nada específico, faço uma colocação do tipo não sei o que vai acontecer, mas espero ficar um bom tempo por aqui. O segundo verso diz: ‘pra entender quem sou / busco na madrugada por cada verdade que sonhar’, o que representa o próprio ato de criar. É na madrugada que as inspirações vêm. No refrão eu digo: ‘nossa memória, nossa história não vai se apagar / não enquanto houver canções / inspirando gerações / a botar o mundo pra rodar’. Este é o legado do artista, é o que fica para as futuras gerações”, vislumbra Deco Fiori. A travessia segue por Outras Paragens onde “não falta coragem para entrar na roda e dançar”. Na estrada que bifurca vias de mãos múltiplas pelo GPS do Clube da Esquina, violões gitanos (de Marcílio Figueiró) enlouquecem madrugadas e amanhecem os corações, apoiados pelas congas de Fabiano Salek, o baixo acústico de Berval Moraes, o sax soprano de Daniel Garcia. Afinal, “só nos resta prosseguir viagem mesmo sem saber onde vai dar”. Toda e Qualquer Geração compartilha ideais humanistas na contramão de um mundo repleto de amores líquidos e inteligências artificiais, pois que “não adianta trilhar um caminho pensando onde se quer chegar / sem considerar quem mais vai caminhar”. Oráculos de gerações diversas, antídotos das distopias contemporâneas, Beatles e Beach Boys reverberam nas entrelinhas da canção onde “bom é se importar com o bem estar de cada mortal”. Tendo como norte a mensagem das tantas canções que nos formam a todos, é hora de voltar para casa em O Meu Mundo Cabe em Meu Quintal, com destaque para o solo de guitarra genuíno do Picasso Falso Gustavo Corsi e o trompete de José Arimatéa, para além das cercas que separam quintais. O piano acústico é do próprio Deco Fiori. “Essa é a minha Certas Canções. Ela fala da importância das músicas que escutei na minha formação. Como diz o Milton Nascimento, ‘coração é o quintal da pessoa’. É onde guardamos as coisas que realmente importam”. Folhas pelo chão repisa o solo fértil da canção pop, de natureza sofisticada, pelas ramificações harmônicas das árvores genealógicas de Stevie Wonder ou Ivan Lins, onde “toda paz é breve / toda folha quando cai é leve”. Neste meio ambiente, e o reforço vocal de Sofia Jordão Caeiro e Mario Vitor, sabemos que “chão é pra pisar / porque voz é pra cantar ou pra se fazer compreender”. Na justa medida da trilha pop, na balança onde se pesam influências tão diversas como Djavan e Pink Floyd, Libra busca o equilíbrio improvável ao fim das histórias de amor. “Pra que serve um coração que bate mas não vibra / pulsa e jamais desequilibra?”, indagam os versos novamente sustentados pelo trompete astrológico de José Arimatéa, os teclados de João Braga, a guitarra de Gustavo Corsi, o piano de Deco Fiori. No câmbio incerto da vida, a libra sempre é o coração. Segue a viagem, Pra Qualquer Lugar, uma canção dedicada à companheira de estrada que, apoiada nas flautas de Andrea Ernst Dias, tem como ponto de partida a introdução com timbre de minimoog pilotado por João Braga. Porque “a gente não tem pressa” e sempre chega “a hora do mistério nos guiar”. Diante de tal mistério, “como olhar as estrelas sem mirar no firmamento?”, indaga perplexo o artista em Se Não Tenho Chão (Melhor Voar), uma toada romântica, tendo a separação como tema. Ecos de Toninho Horta e Pat Metheny permeiam o belo arranjo de Marcílio Figueiró, abrindo espaço para o voo fretless do baixo de Hugo Belfort e a bateria – com a precisão de um trem – de Elcio Cáfaro. Tão Iguais tem participação super especial de Pedro Luís, que canta em dueto com Deco Fiori. Um pop/rock sobre as questões afetivas na era dos romances virtuais, pois enquanto “criamos numa tela realidades paralelas” é sempre bom ressaltar que “é nas ruas da cidade que a vida corre de verdade”. O choque de realidade passa também por Que Negócio é esse?, composta em homenagem ao poeta Marcio Negócio, amigo de infância que partiu cedo demais.  Tendo autores como Guinga e Dori Caymmi entre as referências, e o auxílio luxuoso da sanfona de Itamar Assieri e do bandolim de Luis Barcelos, a canção encerra o álbum deixando aquele gostinho de “que negócio é esse de apressar o fim?”. Melhor voltar ao início e embarcar novamente nos sonhos, verdades e canções de Deco Fiori.

Djavan vasculha os imprevisíveis caminhos do amor no álbum “Improviso”

“Ir atrás do amor é um jazz.” O verso de Um Brinde dá a pista: Djavan construiu seu novo álbum, Improviso (Luanda Records / Sony Music), em torno dos movimentos não programados, do balé imprevisto e das jogadas sem ensaio que permeiam as relações de amor. Em 12 grandes canções autorais, 11 delas inéditas e, em sua maioria, escritas recentemente, o artista segue em seu ofício de abrir novas veredas para a grande floresta amorosa, nota por nota, como quem defende na partitura a vida como um estado de ação constante, pois afetos estagnados ressecam. Escrever sobre o amor nunca é repetição. E Djavan se diverte buscando outras maneiras de navegar pelo mesmo oceano de águas sempre novas. Única regravação do álbum, O Vento foi feita em parceria com Ronaldo Bastos em 1987 e imediatamente entregue a Gal Costa, a mais representativa intérprete de Djavan, que lançou a composição no álbum Lua de Mel Como o Diabo Gosta. O triste fato de termos perdido Gal recentemente, em 2022, moveu o autor a trazer esta canção de volta, agora em gravação inédita na voz do cantor alagoano. Ainda não há informações sobre uma possível turnê de divulgação do álbum. Ouça Improviso, álbum novo de Djavan, abaixo