El Negro foge do estúdio e grava o álbum “Bronco” no porão da antiga prefeitura de Porto Alegre

A padronização sonora dos estúdios modernos fez a banda gaúcha El Negro buscar uma rota de fuga radical para o seu quarto disco. O trio disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Bronco, um trabalho cuja sonoridade foi moldada diretamente pela arquitetura do local onde foi concebido. Fugindo das cabines de gravação tradicionais, o grupo formado por Mumu (vocal, guitarra e teclados), Fabian Steinert (baixo e guitarra) e Leandro Schirmer (bateria e percussão) montou seus equipamentos no subsolo da antiga prefeitura de Porto Alegre, um prédio de arquitetura neoclássica no centro da capital gaúcha. El Negro aposta na acústica do porão e rejeição à IA A escolha do porão não foi um mero capricho estético. A banda utilizou o espaço como um elemento ativo na captação do áudio, capturando a reverberação e a crueza do ambiente para encorpar a sua mistura de rock de garagem com electro rock. Segundo o vocalista Mumu, a decisão é uma resposta direta à plastificação da música atual. “Fizemos testes em diferentes lugares antes de escolher a antiga prefeitura. Isso era feito nos anos 70 e me parece muito atual em épocas de inteligência artificial. A busca é por um som com mais presença, textura e personalidade em um momento em que a padronização técnica é cada vez mais acessível”, explica o músico. Conexões com o rock gaúcho Para além da experimentação acústica, Bronco solidifica suas raízes na cena do Rio Grande do Sul ao recrutar dois nomes de peso para o repertório:
Must Be Wrong resgata a velocidade do skatepunk no segundo álbum “Fools Paradise”

A banda suíça de skatepunk Must Be Wrong disponibilizou nas plataformas digitais o seu segundo álbum de estúdio, Fools Paradise. Composto por dez faixas, o disco foca nas raízes do gênero dos anos 90: andamentos rápidos, guitarras distorcidas e refrões melódicos em coro. Liricamente, o trabalho aborda questões de saúde mental, injustiça social e as complexidades dos relacionamentos contemporâneos. Conexão com The Blasting Room Formado em 2019, o grupo suíço decidiu investir pesado na ficha técnica deste segundo lançamento para garantir a sonoridade clássica do estilo. As gravações ocorreram no Carving Room Studio e a mixagem no Soundfactory Studio, ambos na Suíça. No entanto, a masterização do álbum foi enviada para os Estados Unidos, ficando a cargo do produtor Jason Livermore no lendário The Blasting Room (estúdio fundado por Bill Stevenson, do Descendents, e responsável por discos históricos do NOFX, Rise Against e Propagandhi). A arte da capa, que reflete o tom crítico das composições, é assinada pelo artista visual Oscar Puig, de Barcelona. Currículo do Must Be Wrong na estrada A busca pela sonoridade crua do skatepunk no estúdio reflete a experiência que o Must Be Wrong vem acumulando nos palcos. Nos últimos anos, a banda solidificou sua presença no circuito europeu abrindo shows para gigantes da cena punk mundial na Alemanha, Áustria e na própria Suíça. O currículo de turnês conjuntas do grupo já inclui apresentações ao lado de bandas como Less Than Jake, A Wilhelm Scream, Authority Zero e ITCHY.
Detonautas mistura rock, tecnobrega e Carnaval no nono álbum de estúdio “Rádio Love Nacional”

A banda carioca Detonautas decidiu recalcular a rota sonora após quase 30 anos de estrada. O grupo disponibilizou na última sexta-feira (13) o seu nono álbum de estúdio, batizado de Rádio Love Nacional. Lançado através da gravadora Deck, o projeto com 11 faixas inéditas afasta a banda de sua zona de conforto ao mesclar a base do rock com pop, tecnobrega e batidas eletrônicas. Essa guinada de estilo não aconteceu da noite para o dia e tem raízes nas conexões virtuais feitas durante o isolamento da pandemia. Do Clubhouse para o estúdio O vocalista Tico Santta Cruz conheceu o produtor Pablo Bispo (nome forte do pop nacional) em salas de bate-papo do aplicativo Clubhouse. Dessa aproximação nasceu a faixa Potinho de Veneno, que definiu a identidade de todo o novo disco. A convite de Bispo, o também produtor Ruxell entrou no processo criativo. A ideia inicial do Detonautas era gravar um álbum apenas com regravações usando essa nova roupagem estética. No entanto, o diretor artístico da Deck, Rafael Ramos, ouviu o material e incentivou a banda a compor um disco 100% inédito. “Fomos para o estúdio criar juntos mais 10 músicas que não existiam e nem tinham qualquer rascunho”, explica Tico Santta Cruz, ressaltando que as letras também abordam temas ligados à espiritualidade e à convivência de décadas da banda. Milton Cunha e estética de rádio em Rádio Love Nacional A fusão de gêneros atinge o pico na faixa Vampira, que conta com a participação inusitada do carnavalesco e comentarista Milton Cunha. A colaboração aproxima o rock do Detonautas da estética do Carnaval e do imaginário popular brasileiro. O título do álbum, escolhido na reta final de produção, sintetiza o conceito da obra. Segundo a banda, Rádio Love Nacional funciona literalmente como uma estação de rádio, sintonizando diferentes frequências, estilos e experiências musicais. O lançamento do disco é acompanhado por um videoclipe para a faixa-título, gravado com uma estética road trip (pé na estrada) em Florianópolis (SC).
Jack Harlow absorve a atmosfera de Nova York no novo álbum de estúdio “Monica”

O rapper norte-americano Jack Harlow disponibilizou nas plataformas digitais o seu quarto disco de estúdio, Monica, via Atlantic Records e com distribuição da Warner Music Brasil. O álbum chega com a responsabilidade de suceder o bem-sucedido Jackman., projeto que estreou no topo da parada Top Rap Albums da Billboard em seu lançamento anterior. Experiência nova-iorquina de Jack Harlow Para a construção de Monica, Harlow mudou sua base de operações. O rapper passou os últimos anos morando na cidade de Nova York e escolheu o icônico Electric Lady Studios para a gravação do material. A intenção declarada do artista era absorver a energia urbana e o peso histórico do estúdio para moldar a sua sonoridade. Essa busca por uma “experiência nova-iorquina” se reflete diretamente na seleção técnica do disco. A produção das nove faixas foi dividida entre nomes que assinam trabalhos para gigantes da indústria, incluindo: Colaborações e tracklist Fugindo de um disco lotado de participações para focar na própria narrativa, Jack Harlow selecionou os convidados a dedo. O álbum conta com contribuições vocais e instrumentais de Robert Glasper, Ravyn Lenae, Omar Apollo e do artista de R&B James Savage (natural de Louisville, cidade natal de Harlow). Confira a tracklist completa de Monica:
The Pretty Reckless anuncia o 5º álbum “Dear God” e libera single

A banda norte-americana The Pretty Reckless, que abriu recentemente os três shows do AC/DC no Brasil, anunciou o lançamento do seu quinto álbum de estúdio, Dear God. O disco tem previsão de chegada aos aplicativos de música no dia 26 de junho. Para preparar o terreno, o quarteto de Nova York disponibilizou o single When I Wake Up, que já pode ser ouvido nas plataformas de streaming. Letras confessionais e contraste sonoro Segundo o material divulgado pela banda, o novo projeto mantém a linha de composição confessional que pautou os trabalhos anteriores do grupo, mas direciona a mensagem a um poder superior. O repertório do álbum aposta no contraste de andamentos e climas. A sonoridade transita entre o peso sombrio de faixas como For I Am Death (que foi tocada nos shows em São Paulo) e a abordagem mais vulnerável e acústica apresentada no single recém-lançado When I Wake Up. Formação consolidada do Pretty Reckless Com mais de uma década de atividades ininterruptas, o The Pretty Reckless chega ao quinto disco mantendo a sua formação clássica intacta. O grupo segue liderado pela vocalista Taylor Momsen, acompanhada por Ben Phillips (guitarra), Mark Damon (baixo) e Jamie Perkins (bateria). 💿 Anúncio de “Dear God”
Violet Grohl lança o single “595” e detalha o álbum de estreia “Be Sweet To Me”

A cantora Violet Grohl disponibilizou nesta sexta-feira (13) o single 595 nas plataformas digitais. O lançamento marca uma nova etapa na trajetória da artista de 19 anos, que assinou contrato recentemente com a gravadora Republic Records e confirmou a chegada do seu primeiro álbum de estúdio, batizado de Be Sweet To Me, para o dia 29 de maio. A nova faixa chega acompanhada de um videoclipe oficial, com direção assinada por Nikki Milan Houston. Peso na produção Para moldar a sonoridade do seu disco de estreia, Violet recrutou nomes fortes da cena alternativa e do pop. A produção de 595 é assinada por Justin Raisen (conhecido por seus trabalhos com Kim Gordon, Sky Ferreira e Charli XCX) e Anthony Paul Lopez (que já produziu para Charli XCX, Kid Cudi e Lil Yachty). O novo single funciona como a terceira amostra oficial do projeto. Anteriormente, a cantora já havia liberado as faixas THUM e Applefish. No final de janeiro, Violet também publicou What’s Heaven Without You, uma canção em tributo ao cineasta David Lynch, lançada no dia em que o diretor completaria 80 anos. 💿 Serviço: anúncio do álbum de estreia de Violet Grohl O single prepara o terreno para a chegada do disco completo no final do primeiro semestre.
Brigitte Calls Me Baby funde existencialismo e indie rock oitentista no álbum “Irreversible”

A banda norte-americana Brigitte Calls Me Baby disponibilizou nas plataformas digitais o seu segundo álbum de estúdio, Irreversible. O lançamento sai pelo selo independente ATO Records (casa de artistas como Alabama Shakes e Black Pumas). O título do disco e a temática das letras não nasceram por acaso. A morte da atriz Brigitte Bardot no ano passado, ícone francês que inspirou o nome da banda após o vocalista Wes Leavins manter uma breve troca de cartas com ela, serviu como gatilho para um mergulho composicional sobre o luto, a impermanência e a mortalidade. Terapia de exposição e pós-punk Grande parte das canções foi escrita na estrada durante a turnê do ano passado. Para lidar com a ansiedade em relação à morte, Leavins desenvolveu o hábito de visitar cemitérios locais após as passagens de som, em uma espécie de “terapia de exposição”. Esse flerte com a finitude também se reflete em suas escolhas pessoais: o vocalista possui tatuagens de uma cadeira elétrica e da placa do Porsche em que James Dean morreu. “Fiz as tatuagens porque pensei: não quero me dar a chance de um dia virar um cara de escritório ou ter qualquer outro emprego que não seja esse”, justifica Leavins. Sonoramente, o peso lírico de faixas como The Pit e Send Those Memories é envelopado por uma estética que cruza o post-punk britânico com o rock de arena. As referências diretas da banda apontam para The Smiths, New Order e The Cars, sustentadas por um vocalista com fortes raízes na música dos anos 50 (Leavins interpretou Elvis Presley no teatro e gravou vocais de apoio para a cinebiografia de Baz Luhrmann). Mudança na produção Para Irreversible, o quarteto, completado por Jack Fluegel (guitarra), Devin Wessels (baixo) e Jeremy Benshish (bateria), trocou o comando do estúdio. Eles deixaram o produtor Dave Cobb (que assinou os trabalhos anteriores) para trabalhar com os irmãos Yves e Lawrence Rothman, conhecidos por produções para Blondshell e Yves Tumor. A mudança trouxe contornos mais eletrônicos e futuristas para faixas como These Acts of Which We’re Designed, enquanto Slumber Party mantém o DNA clássico do grupo. 💿 Serviço: “Irreversible”, novo álbum do Brigitte Calls Me Baby
Katelyn Tarver transforma o divórcio no catártico álbum “Tell Me How You Really Feel”

A artista baseada em Los Angeles Katelyn Tarver lançou o seu terceiro álbum de estúdio, o denso e belíssimo Tell Me How You Really Feel (via Nettwerk Music Group). O trabalho marca um novo e desafiador capítulo na carreira da artista. Ao longo de 13 faixas, ela documenta o fim do seu casamento de quase dez anos, explorando de forma crua a honestidade emocional, o luto, a reinvenção pessoal e a liberdade. Dor que gera a arte O disco acompanha de perto o doloroso processo de reconstrução de identidade de Katelyn após o divórcio. As canções soam como conversas privadas, desabafos de madrugada e encontros pós-término, transformando a incerteza em melodias extremamente íntimas. “Eu nunca pensei que me divorciaria. Nunca imaginei que escreveria um álbum sobre isso. Mas a vida continua me surpreendendo”, confessa a cantora. “Este disco documenta o ano após eu deixar meu casamento. A dor, a liberdade e o medo de estar sozinha pela primeira vez. É o trabalho mais pessoal que já fiz, e o processo de criá-lo me curou repetidamente.” Inusitada inspiração no stand-up Um dos aspectos mais fascinantes da concepção de Tell Me How You Really Feel foi a sua fonte de inspiração. Durante o processo de composição, Katelyn encontrou clareza ao assistir ao especial de comédia Single Lady, da humorista Ali Wong. A artista percebeu que o humor confessional e a composição musical partilham da mesma raiz: a honestidade radical. “Percebi que stand-up e composição têm muito em comum: dizer coisas que as pessoas têm medo de falar em voz alta”, explica. Produção e jornada de cura Escrito e gravado ao longo de 2024, o disco contou com a colaboração de parceiros de longa data, incluindo o produtor indicado ao Grammy Mikey Reaves (em Nashville) e Chad Copelin (em Oklahoma). O repertório inclui os ótimos singles previamente lançados, The Price, $82 at Erewhon, Strange Weather, Don’t Eat Pray Love e #1, que juntos traçam uma jornada não linear de crescimento pessoal. Para coroar o lançamento, Katelyn iniciará uma turnê norte-americana no final de abril.
Regiane Cordeiro divulga seu 1º álbum solo, “Raiz do Mundo”

Após uma década de protagonismo na cena, a cantora e compositora Regiane Cordeiro lançou o seu aguardado primeiro álbum solo, batizado de Raiz do Mundo. Lançado estrategicamente no mês que celebra as mulheres, o trabalho já está disponível em todas as plataformas digitais e funciona como uma poderosa reafirmação da sua identidade como mulher preta, independente e guardiã de um legado ancestral. Legado mineiro e a viola caipira no reggae O título do álbum é uma homenagem direta às origens de Regiane, que cresceu no norte de Minas Gerais. A artista é parte da tradicional Família Cordeiro, uma linhagem composta por seu pai, irmãos e sobrinhos, todos cantores e multi-instrumentistas que mantêm viva a arte regional. Essa herança sanguínea e afetiva é a grande base estética do disco. Regiane inovou ao trazer elementos do cancioneiro popular mineiro para dentro do reggae convencional. “Trago por exemplo a viola caipira para esse disco. O cancioneiro popular mineiro adora essa raiz, e eu achei importante trazer. Convidei o Moreno Overá para somar o toque da viola aos arranjos do Luizinho Nascimento”, explica a cantora. Na belíssima faixa Chão Vermelho, Regiane reverencia seus antepassados e sela um encontro emocionante com a lendária Célia Sampaio (a dama do reggae maranhense), unindo a maturidade da sua história familiar à realeza do reggae brasileiro. African voice e o encontro de mulheres Tecnicamente, a obra destaca o estilo African-voice de Regiane. A artista fez questão de não polir excessivamente a gravação, mantendo a textura, o grão da voz e a emoção crua para preservar o caráter ritualístico da sua música. Além de sua força solo, o álbum promove um verdadeiro encontro histórico de potências femininas. Confira as participações de peso que compõem o disco: Faixa Participação Especial O que a música representa Vida Importa Marina Peralta Uma celebração da confiança mútua e da vida. A Gira Mis Ivy A união da potência do Dancehall brasileiro com a força ancestral. Era das Máquinas CAYARÌ A artista indígena traz cantos em sua língua nativa falando de cura e natureza. Mulheres Reais Elaine Alves Uma nova versão para honrar as mulheres que abriram os caminhos. O disco ainda conta com a assinatura magistral do produtor Wagner Bagão na versão Mulheres Reais Dub, feita sob medida para bater forte nas caixas de som dos bailes. Para Regiane, entender a própria origem é o que permite a expansão. Como ela mesma resume: “Voltar à raiz é uma forma de encontrar poder”.