Entrevista | Yo La Tengo – “Eu amo a cultura brasileira e quero conhecer coisas novas”

Após mais de uma década longe dos palcos brasileiros, o Yo La Tengo retorna ao país em novembro de 2025 para dois shows em São Paulo. O trio norte-americano se apresenta no Balaclava Fest no dia 9 de novembro, no Tokio Marine Hall, em sua formação elétrica, e faz no dia seguinte, 10 de novembro, um show acústico especial no Cine Joia. A passagem faz parte da nova fase da banda, que segue divulgando o elogiado álbum This Stupid World (2023). Com mais de 40 anos de carreira, o grupo formado por Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew é uma das formações mais queridas e respeitadas do indie rock mundial. Sempre transitando entre o barulho experimental e a delicadeza melódica, o Yo La Tengo construiu uma discografia marcada pela liberdade criativa e pela constante reinvenção, mantendo sua essência mesmo após quase quatro décadas de estrada. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o baixista James McNew falou sobre o reencontro com o público brasileiro, o processo artesanal do último álbum, a parceria com Jad Fair e a química de tocar ao lado de um casal que forma a base da banda desde 1984. Faz quase uma década desde a última vinda de vocês ao Brasil. O que os fãs podem esperar dos dois shows de novembro? Um deles será em um festival, então será um show elétrico, mais reduzido, com cerca de uma hora ou um pouco mais. O outro será apenas nós, tocando de forma mais calma, mas por muito mais tempo, com muito mais músicas. Eu nem sei exatamente o que esperar desse show, mas acho que os dois serão muito divertidos, cada um à sua maneira. E como você sente a conexão do público brasileiro com a música do Yo La Tengo? Eu me sinto ótimo em relação a isso. Eu amo a música e a cultura brasileira. Faz muito tempo desde que estivemos aí, e é um lugar muito especial para nós. Não conseguimos visitar com frequência, é difícil fazer isso acontecer. Então, quando finalmente conseguimos, ficamos realmente animados. Mal podemos esperar para voltar e reviver as experiências que tivemos, além de descobrir coisas novas também. O álbum This Stupid World recebeu uma ótima recepção da crítica. Como tem sido tocar essas músicas ao vivo? Tem sido muito divertido. Tocamos bastante esse repertório em turnês por vários lugares, mas ainda não na América do Sul. Então, agora é a hora de vir para cá. Esse é um álbum pós-pandemia. O processo de gravação foi diferente dos anteriores? Totalmente. Todos os nossos discos anteriores foram feitos em estúdios, com engenheiros e produtores brilhantes. Desta vez, fizemos tudo em um cômodo onde ensaiamos, só nós três. Cometemos muitos erros, aprendemos a resolver problemas e fomos muito criativos. Trabalhar em casa foi libertador e podíamos testar ideias o tempo que quiséssemos, sem pressão. Foi um processo muito divertido. O disco foi descrito como um dos mais intensos da carreira recente da banda. Vocês buscaram essa energia mais crua de propósito? Acho que foi apenas o que estávamos sentindo. Fizemos o disco sozinhos, sem produtores ou engenheiros externos, apenas nós três. Não tínhamos ninguém para nos dizer se algo era uma boa ideia, então seguimos nossos instintos. Como vocês equilibram faixas longas e atmosféricas com músicas mais curtas e agitadas dentro do mesmo álbum? Isso acontece naturalmente. É como expressar sentimentos. O ritmo de um álbum inteiro tem que fazer sentido emocionalmente. Gostamos muito de fazer as duas coisas. Como surgiu a parceria recente com Jad Fair que entrou recentemente no streaming? Essa não é uma música nova. Gravamos esse disco há uns 30 anos, foi uma das primeiras coisas que fizemos com o Jad. O selo com o qual o Jad trabalha perguntou se gostaríamos de relançar o disco que fizemos juntos em 1996, que estava fora de catálogo há muito tempo. Nós dissemos sim. Éramos grandes fãs dele e da banda dele. Quando ele nos convidou para gravar juntos, tudo foi improvisado. Não sabíamos nem o que ele estava cantando, só seguíamos quando ele dava o sinal. Essa experiência teve uma grande influência sobre nós, especialmente em relação à espontaneidade. Até hoje, quando escrevemos músicas novas, eu penso naquele processo e em como foi divertido. E recentemente foi lançado também o registro Live in New York nas plataformas. Como foi revisitar esse show acústico de 1992? Olha, na verdade, isso foi lançado sem que soubéssemos (risos). Falando em setlists, vocês costumam incluir covers de artistas como Neil Young e The Beach Boys. Como escolhem essas músicas? Nosso setlist muda a cada show. É sempre uma questão de espontaneidade, do que parece certo naquele momento. Tocar covers é divertido. Acho interessante o contexto de incluir uma música de outro artista em meio às nossas. Dá para aprender muito sobre a personalidade de uma banda pela escolha de um cover, tanto quanto pelas músicas próprias. Existe alguma música antiga que os fãs pedem muito, mas que vocês raramente tocam? Sim, há uma música de I Can Hear the Heart Beating as One, chamada The Lie. Nós a gravamos em 1997 e só a tocamos ao vivo pela primeira vez em 2024. E como é fazer parte de um trio em que os outros dois integrantes são casados? É ótimo, eu recomendo totalmente (risos). Você sempre sabe onde os outros dois estão. Isso torna as viagens bem práticas. E o melhor é que eu não preciso dividir o quarto com eles nas turnês. Não tenho do que reclamar. Deixe uma mensagem para os fãs brasileiros que estão ansiosos para o show. Brasil, ficamos muito tempo longe de vocês, e estamos realmente animados para voltar. Não vejo a hora.

Yo La Tengo fará show especial e acústico em São Paulo como sideshow do Balaclava Fest

O selo e produtora Balaclava Records realizará um sideshow especial e desplugado de seu festival com apresentação do emblemático trio norte-americano Yo La Tengo no dia 10 de novembro no Cine Joia. O repertório do show trará músicas do grupo em versões acústicas e extremamente únicas em seus formatos, reforçando ainda mais a ligação especial da banda com o público brasileiro. Os ingressos já podem ser adquiridos online no site da Ingresse e, para quem reside em SP e deseja comprar sem taxa de conveniência, o Takkø Café é o ponto de venda físico oficial, localizado no bairro Vila Buarque.  A banda se apresentará em sua versão plugada no Balaclava Fest. O festival acontece no dia 9 de novembro, no Tokio Marine Hall, em São Paulo. O lineup de peso conta ainda com as atrações Stereolab, Geordie Greep, Fcukers, Jovens Ateus, Gab Ferreira e Walfredo em Busca da Simbiose. Por mais de quatro décadas em atividade, o Yo La Tengo continua sendo uma das mais adoradas e influentes bandas do rock alternativo. O grupo foi formado em Hoboken, Nova Jersey, pelo guitarrista Ira Kaplan e pela baterista Georgia Hubley em 1984, acompanhados pelo baixista James McNew em 1991. Seus gostos são tão variados quanto se poderia esperar de uma banda que evoluiu de um trio de rock amante de The Kinks para uma instituição eclética de troca de instrumentos, que salta alegremente entre folk suave, jams atmosféricas, experimentos com bateria eletrônica, surtos de guitarra, R&B e baladas de coração aberto. A carreira de Yo La Tengo é um exemplo perfeito do que pode acontecer quando uma banda segue seus instintos. Sua música deriva de uma variedade eclética de influências, como Velvet Underground, Soft Boys, Mission of Burma e The Clean. Eles podem desencadear nove minutos de frenesi de feedback gritante e passar para canções de ninar atmosféricas e silenciosas no intervalo de um álbum, devido à sua extraordinária versatilidade e habilidade musical segura.  Tendo permanecido desafiadoramente independentes por quinze anos, eles possuem uma ambição criativa sem fim, misturando ingredientes de toda a tradição musical americana, da New Wave ao Punk Rock e ao Garage Rock dos anos 60, de bandas como Television, The Feelies e DB’s. Os vocais introvertidos e meio falados de Kaplan e as guitarras lembram Lou Reed, enquanto a bateria firme de Hubley e as voltas de apoio ofegantes evocam simultaneamente memórias da Maureen Tucker. A discografia do grupo conta com 17 álbuns de estúdio, sempre aclamados pela crítica, combinando espontaneidade lírica com música experimental de uma forma totalmente única. Trabalhos como Painful (1993), Electr-o-pura (1995), I Can Hear The Heart Beating As One (1997), And Then Nothing Turned Itselt Inside-Out (2000) projetaram a carreira da banda mundialmente e os colocaram em um novo patamar na música indie norte-americana. O registro de inéditas mais recente do grupo é o elogiado This Stupid World de 2023. Balaclava Fest sideshow com Yo La Tengo (EUA) em São Paulo Data: 10 de novembro de 2025 Local: Cine Joia – Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade Próximo à estação Liberdade (Linha Azul) Horários: Portas 19h / Show 21h Classificação etária: 16+ / menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsável legal Ingressos

Helado Negro vem ao Brasil em novembro em aquece do Balaclava Fest

Após divulgar a vinda da banda punk e underground Cap’n Jazz na noite que antecede seu festival, a Balaclava traz também ao Brasil o prestigiado produtor, cantor e compositor norte-americano Helado Negro, que combina folk latino, eletronica, ambient e avant‑pop em sua sonoridade. O músico vem ao país em apresentação única no dia 7 de novembro, sexta-feira, na Casa Rockambole, no bairro de Pinheiros em São Paulo. Os ingressos já estão à venda online no site da Ingresse e presencial, sem taxa de conveniência, no Takkø Café (confira os horários de funcionamento).  Nascido no sul da Flórida em 1980, filho de pais imigrantes equatorianos, o multi-instrumentista Roberto Carlos Lange une memórias, impressões e atmosferas para criar paisagens de sonho detalhadas. Atualmente residente em Asheville, na Carolina do Norte, Roberto produz, grava e mixa suas próprias músicas, criando seu próprio mundo sônico. Suas canções são repletas de melodias vibrantes, vinhetas líricas afiadas e ganchos sutis, até mesmo sussurrados.  Iniciou sua discografia com Awe Owe (2009), Canta Lechuza (2011), Invisible Life (2013) e Private Energy (2016). Foi no disco This Is How You Smile (2019) que o produtor ganhou reconhecimento da imprensa especializada mundial e marcou presença nos principais festivais alternativos, atingindo um refinamento de sua obra, com destaque para faixas como Running e Pais Nublado, seguindo no também elogiado Far In (2021).  Seu trabalho mais recente, intitulado PHASOR, foi lançado em 9 de fevereiro de 2024 pela gravadora britânica 4AD. Em seu oitavo álbum de estúdio, Lange explora uma sonoridade mais compacta e um pop atmosférico, inspirado em suas experiências com o sintetizador SAL‑MAR, uma complexa máquina desenvolvida pelo compositor Salvatore Martirano para criar um número infinito de sequências sonoras. Faixas como Best For You and Me e I Just Want To Wake Up With You se tornaram marcantes em sua nova fase. Desde então, ele vem realizando turnês pela Europa (incluindo shows nos festivais da Pitchfork em Londres e Paris) e América do Norte. O músico já se apresentou no Brasil no ano de 2022, na edição de estreia do festival Primavera Sound São Paulo. Ao longo de sua carreira, colaborou com artistas como Sufjan Stevens, Buscabulla, Devendra Banhart, Julianna Barwick e Nick Hakim. Neste ano, o Balaclava Fest acontece em 9 de novembro no Tokio Marine Hall, em São Paulo, trazendo nomes como Stereolab, Yo La Tengo, Geordie Greep e Fcukers. Acesse o perfil da @balaclavarecords no Instagram para mais informações. Aquecimento Balaclava Fest 2025: Helado Negro em São Paulo  Data: 7 de novembro de 2025, sexta-feira Local: Casa Rockambole R. Belmiro Braga, 119 – Pinheiros, São Paulo – SP, 05432-020, Brasil Horários: Portas 19h / Show 21h Classificação etária: 16+ / menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsável legal Ingressos online: https://www.ingresse.com/heladonegro/ Ponto de venda físico (sem taxa de conveniência): Takkø Café  R. Maj. Sertório, 553 – Vila Buarque – São Paulo/SP Horários: Terça à Sexta, das 8h às 17h / Sáb, dom e feriados, das 9h às 18h.

Balaclava Fest anuncia ícones do indie Stereolab e Yo La Tengo; confira lineup completo

A Balaclava Records, marca que atua desde 2012 no país como selo musical e produtora cultural, apresenta hoje os nomes que irão compor a 15ª edição de seu festival, o Balaclava Fest. Considerado um dos principais eventos da música indie e alternativa da América do Sul, o festival acontece no dia 9 de novembro , domingo, em São Paulo. Os ingressos já estão disponíveis no site Ingresse.com nos setores de pista, camarote, frisas e cadeiras altas. Em seu quarto ano consecutivo, o evento será realizado no Tokio Marine Hall , renomada casa de shows localizada na zona sul da capital paulista. O espaço tem capacidade para quatro mil pessoas e contará com 2 palcos e 7 shows, em horários não conflitantes. Quatro atrações internacionais de forte relevância na música alternativa mundial se apresentarão no Balaclava Fest em 2025. Dois nomes icônicos dos anos 90 encabeçam a edição, trazendo performances completas com 1h30 de duração cada: o avant-pop inventivo da banda anglo-francesa Stereolab , influenciada pelo krautrock, jazz, música brasileira e pop francesa dos anos 1960; e o trio indie norte-americano Yo La Tengo , com sua sonoridade única e emblemática, que une o rock alternativo e de vanguarda com a música experimental, noise pop, art rock e folk. Entre os destaques internacionais do festival, estão ainda: a fusão inusitada do jazz, música latina, rock progressivo e pop barroco do músico e compositor inglês Geordie Greep – que ganhou reconhecimento mundial à frente da banda black midi -, apresentando seu aclamado álbum The New Sound de 2024, acompanhado no palco por um talentoso time de músicos brasileiros que participaram das apresentações de seu disco; e a grande sensação nova-iorquina do ano Fcukers , com um show dançante e altamente contagiante, reunindo a house music dos anos 90/00, trip hop e indie rock, em um clima de festa sem fim. Três nomes nacionais pertencentes ao casting da Balaclava Records, com lançamentos de álbuns inéditos programados para este ano, também estão escalados no line up do evento: o pós punk melancólico e oitentista com beats eletrônicos da banda Jovens Ateus ; o pop leve e moderno da cantora e compositora Gab Ferreira ; e a mistura de MPB, dream pop e psicodelia do multi instrumentista Lou Alves com seu projeto Walfredo em Busca da Simbiose . Conheça mais sobre todas as atrações do festival abaixo. serviço: Balaclava Fest 2025: com Stereolab, Yo La Tengo, Geordie Greep, Fcukers e mais Data: 9 de novembro de 2023, domingo Local: Tokio Marine Hall – R. Bragança Paulista, 1281 – Várzea de Baixo   Próximo à estação João Dias (Linha 9-Esmeralda CPTM) Horários do festival: Portas 15h / Encerramento 23h Classificação etária: 16+ Entradas Ponto de venda física (sem taxa de conveniência): Café Takkø   R. Maj. Sertório, 553 – Vila Buarque – São Paulo/SP Horários: Terça à Sexta, das 8h às 17h / Sáb, dom e feriados, das 9h às 18h.

Dinosaur Jr mata a saudade dos fãs com show impecável em SP

Dinosaur Jr. certamente era a banda mais esperada da edição 2024 do Balaclava Fest, que rolou em São Paulo, no último domingo (10). As camisas da banda eram a vestimenta oficial no Tokio Marine Hall, usadas por fãs que esperavam, há anos, por uma nova oportunidade de ver o trio lendário do rock alternativo norte-americano. O Dinosaur Jr nunca esteve entre os mais famosos nomes do rock mainstream, mas o gênero sempre foi eficiente em tornar cult e sagrado vários nomes menos badalados. E é nesse grupo especial que se encontra a banda composta por J Mascis, Lou Barlow e Emmett Murph. Majoritariamente um público um pouco mais velho dominou a pista do Tokio Marine, após os mais jovens curtirem os sons indies e contemporâneos da tarde do festival. Após uma espera sem atrasos, os caras entraram no palco, em um momento meio anti climático: foram necessários alguns segundos para Mascis afinar a guitarra ao seu modo, antes de tocar a primeira nota da música de abertura, The Lung. Cercado por um paredão de amplificadores Marshall, Mascis, de poucas palavras, não economizou nos efeitos de pedais e distorções do seu instrumento. Para dar ainda mais peso, Barlow, selvagem em seu baixo e Murph, incansável na bateria, criaram uma verdadeira onda sonora, um pouco estourada pelo sistema de som do casa, que embolou o que era produzido pela banda no palco. Nada que tenha desanimado o público, que estava ali justamente pelo peso, a distorção e o virtuosismo dos dinossauros do rock alternativo. Seguiram-se In The Jar e Garden, tão celebradas quanto a abertura. Até a curiosa pausa e retomada em Out There — interrompida porque, segundo Lou, a banda estava sem dormir há dois dias — foi celebrada pelos fãs. Teve espaço até para o cover de Just Like Heaven, do The Cure, gravado pela banda no álbum You’re Living All Over Me, de 1987. E claro, as esperadas Feel the Pain e Gargoyle. Foram 18 músicas bem escolhidas, de uma extensa coleção de músicas. Aliás, alguns devem ter sentido falta de clássicos como Raisans. Mas com 40 anos de história, escolhas são inevitáveis — e a seleção final capturou bem a carreira da banda. A noite e o encerramento do Balaclava Fest proporcionaram uma verdadeira imersão no rock alternativo dos anos 1980. Riffs e solos de guitarra criativos, intensificados por efeitos como o Wah-Wah, acompanhavam a distorção visceral característica do gênero. A cozinha soava firme e despretensiosa, como se a banda ainda estivesse nos seus primeiros anos. Um público entregue, revivendo até o esquecido crowdsurfing. Alguns exageros, como o som alto e até mesmo um fã invadindo um palco. E claro, a alegria de todos os que se permitiram viver um show do Dinosaur Jr. Edit this setlist | More Dinosaur Jr. setlists

Water From Your Eyes traz novas nuances para o palco do Balaclava Fest

Water From Your Eyes, uma das atrações do Balaclava Fest 2024, lançou, em 2023, um dos discos mais celebrados pela crítica musical alternativa. O Everyone’s Crushed tem pouco mais de 30 minutos de duração, divididos em nove faixas de um indie pop com riffs de guitarras repetidos, que dão uma textura excêntrica ao som da dupla Nate Amos (guitarra e produção) e Rachel Brown (vocais). Em turnê, porém, eles contam ainda com o auxílio de Bailey Wollowitz na bateria e Al Nardo criando outra camada de guitarra. Justamente esse essa encorpada no som trouxe ainda mais ritmo e nuances para a apresentação em São Paulo. Destinado ao pequeno Palco Hall, atraindo um número modesto de público (que já partia para o palco principal, onde iria se apresentar o headliner Dinosaur Jr.), a banda criou um clima de boate indie moderna. Alguns dos presentes dançavam embalados pelos sons repetidos e marcados da guitarra de Amos. Outros, porém, pareciam mais hipnotizados pelo canto melancólico e pelas guitarras distorcidas de Nardo e Amos, que revezavam nos improvisos, enquanto o baterista Wollowitz marcava o tempo como um competente baterista de rock. A iluminação, com uma tendência ao vermelho, e o palco improvisado próximo ao público, ajudaram a tornar o ambiente propício para que músicas como Barley, criassem uma experiência envolvente. Qualquer grito ou reação do público era notado por Brown, que chegou a conversar com a plateia em vários momentos. Apesar de elogiada pela crítica especializada, a Water From Your Eyes ainda é conhecida por poucos no Brasil, mas fez uma importante carta de apresentação em um show onde o intimista e o enérgico se confundiram, mas sempre encontram ouvidos prontos para apreciar a arte ora rock, ora pop, da banda.

BadBadNotGood explora influência brasileira em show memorável

Os canadenses do BadBadNotGood devem se sentir bem confortáveis em terras brasileiras. O prolífico grupo foi uma das atrações do Balaclava Fest, no último domingo (10), em São Paulo, e coleciona referências e parcerias com o Brasil. A banda, que já tinha se apresentado por aqui em outras ocasiões, tem no histórico parcerias com o lendário maestro, compositor e arranjador Arthur Verocai e, mais recentemente, com o cantor Tim Bernardes. Em seu som, nunca escondeu a admiração pela riqueza dos ritmos brasileiros e recentemente vem incorporando-os mais ainda em suas composições. O “BadBad”, como muitos chamavam a banda no Balaclava Fest, trouxe ao público faixas de seu mais recente álbum, Mid Spiral, lançado neste ano. Disco esse, que é tão inspirado por essas experiências brasileiras que possui até mesmo algumas faixas com títulos em português. O som da banda é tão plural que talvez faça da banda o melhor representante do espírito do lineup do Balaclava Fest: diversidade sonora. Apesar da diferença de estilos, que vão do rock mais pesado do Dinosaur Jr. até os toques sintéticos de Nabihah Iqbal, existe uma harmonia na escalação de atrações, que uniu artistas contemporâneos, em alta no mundo do música, e aclamados veteranos. No BadBadNotGood, essa diversidade sonora está na mistura de gêneros que a banda traz através do jazz. Seja nos shows, seja nos seus álbuns, é sempre uma surpresa ouvir a banda, pois a mesma é inquieta e vive explorando novas possibilidades. O hip hop, o indie rock, o psicodelismo, o fusion… tudo entra no pacote. Conduzidos pelo baterista Alexander Sowinski, que conversou bastante com o público durante a apresentação, a banda conseguiu fazer o público pular, bater palmas e dançar com jazz. Ao mistura-lo com ritmos latinos ou com jams barulhentas, o som do BadBad cativou mesmo aqueles que não são assíduos ouvintes do gênero associado a nomes como Miles Davis e Charlie Parker. Mesmo em momentos mais minimalistas, como quando o saxofone melancólico de Leland Whitty soou sozinho, Sowinski conseguiu envolver o público, pedindo a todos que levantassem as mãos e acompanhassem o movimento das águas, simbolicamente representado pelo som do instrumento. Em um palco propositalmente escuro, com um sexteto de instrumentistas sem vocalista, o BadBadNotGood fez a pura mágica da música acontecer. Pelo intenso coro de vozes e aplausos ao final da apresentação, pedindo um bis, ficou claro que agradaram bastante.

Ana Frango Elétrico entrega show seguro e gostoso no Balaclava Fest

Uma das atrações nacionais do Balaclava Fest, festival que aconteceu no Tokio Marine Hall, em São Paulo, no último domingo (10), Ana Frango Elétrico (nome artístico de Ana Faria Fainguelernt) vem cada vez mais chamando a atenção na cena nacional. Seu último disco, Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua, figurou em listas de melhores discos lançados em 2023, no território nacional. Ao vivo, Ana confirma o talento que percebemos em suas gravações. Acompanhada de uma competente banda, que consegue dar a base necessária para a miscelânea de gêneros do som da cantora, é possível encontrar familiaridades na forma dela cantar; mas seria impreciso nomear suas influências. Isso porque Ana também imprime uma estética moderna, que talvez a gabarite para categorizar seu som dentro da pós-MPB, como prefere chamar seu estilo sonoro. Tocando no finalzinho da tarde do Balaclava Fest, já vendo a casa de espetáculos Tokio Marine Hall encher, Ana entrou e saiu segura do palco. Seja quando explorou o indie-pop de canções como Coisa Maluca, seja quando remeteu mais à MPB clássica, como fez em Camelo Azul, ou mesmo quando a banda que a acompanhava trouxe percussão e samples que deixavam seu som mais lisérgico. O público presente intercalou entre danças, aplausos e coros, mostrando que Ana já está construindo uma base de fãs que reconhece seu talento. Ana Frango Elétrico, além de performar uma gostosa apresentação, aquecendo o público que ainda chegava ao festival, fez jus aos elogios que recebe no presente e deixou a sensação de que o futuro é ainda mais promissor: seja por saber conversar com o contemporâneo, em suas letras e na sonoridade de suas músicas, atraindo os jovens ouvintes à música nacional, seja por respeitar e aproveitar o passado, usando-o como combustível para o novo.