Crítica | Magic Mike: A Última Dança

Engenharia do Cinema Sendo uma das franquias mais lucrativas do cinema, “Magic Mike” nasceu de uma ideia descompromissada entre Channing Tatum e Steven Soderbergh, com inspiração na vida do primeiro antes de ingressar no universo do cinema. Com produções tendo orçamento na cerca de US$ 7 milhões, a trilogia já rendeu cerca de US$ 346 milhões (apenas nos EUA). “Magic Mike: A Última Dança” foi concebido com o intuito de ir direto para a HBO Max, mas o CEO da Warner, David Zaslav viu que poderia ter uma boa passagem nas telonas primeiro. Com um resultado inferior aos dois primeiros, este terceiro foi um fracasso absoluto, pois rendeu US$ 57 milhões (tendo custado US$ 40 milhões). E o que seria um lançamento mundial nos cinemas, acabou sendo reduzido mais uma vez ao streaming do HBO Max (inclusive no Brasil). Realmente, a decisão foi sábia, uma vez que estamos falando do mais fraco exemplar da saga.     Trabalhando como barman em eventos da alta sociedade, Mike (Tatum) acaba esbarrando com a misteriosa bilionária Maxandra Mendoza (Salma Hayek). Após uma noitada, este oferece a ele a chance de lhe auxiliar em uma peça teatral inspirada em um show de stripers, concebidos pelo próprio. Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) O roteiro de Reid Carolin (que cuidou do roteiro dos outro dois filmes) parece ter sido tirado de uma ideia forçada, de tão rasteira e cansativa (são quase duas horas de duração, sem necessidade) que se tornou essa trama. Não há uma explanação ou aproximação de nenhum dos personagens que são apresentados, e embora Hayek faça milagres (uma vez que sua atuação é realmente boa), fica nítido que o intuito deste filme foi apenas encher o catálogo do HBO Max. Com menos danças, sensualidade e até mesmo motivações plausíveis (como o primeiro havia mostrado), parece que resolveram produzir este filme por conta do sucesso entre o público feminino com as franquias “50 Tons de Cinza” e “365 Dias“. O pior é que o diretor Steven Soderbergh (que fechou com a HBO Max, para a produção de vários filmes), retornou para a franquia e nitidamente ele também estava no automático e desinteressado em fazer este projeto. “Magic Mike: A Última Dança” é um vergonhoso encerramento para a franquia, que possivelmente resultará no congelamento da mesma durante alguns anos.

Crítica | Dog: A Aventura de Uma Vida

Engenharia do Cinema Realmente o ator Channing Tatum tem amadurecido bastante ao longo de sua carreira nos cinemas. Começando como um ator canastrão em filmes sobre esportes, passando para produções mais sérias e até mesmo sucessos de bilheteria (como a franquia “Magic Mike“). Assim como o citado, “Dog: A Aventura de Uma Vida” também é inspirado na trajetória do mesmo em uma passagem de sua vida e junto do cineasta Reid Carolin (que assinou o roteiro) ele dirige aqui seu primeiro filme na carreira. A história mostra o ex-militar Jackson Briggs (Tatum), que para conseguir a assinatura necessária com o intuito de fazê-lo voltar para a Academia Militar, ele é encarregado de levar uma cadela de um antigo amigo e parceiro, para o enterro deste. Durante a trajetória, a dupla acaba aos poucos se mostrando mais unidos do que imaginavam. Imagem: MGM (Divulgação) Realmente este filme não foge dos parâmetros do que ele promete: uma aventura genérica e totalmente previsível. Embora o carisma e Tatum e as atitudes da cadela, consigam cativar o público à medida que a história vai avançando. Mesmo não se tratando de uma narrativa triste, é eminente que os mais sensíveis vão se assemelhar com quaisquer passagens com animais que tiveram até então e lágrimas podem vir à tona. Quanto ao trabalho de direção de Tatum e Carolin , é perceptível que eles fazem um jogo interessante de câmeras, com o intuito de sempre vermos a dupla de protagonistas na perspectiva deles. Quando estamos apenas vendo o primeiro, o enquadramento é de baixo para cima, e quando estamos no olhar da cadela, é o oposto. Uma técnica sutil, mas inteligente de ser feita neste tipo de produção. “Dog: A Aventura de Uma Vida” realmente é um mais do mesmo, porém se você está buscando um entretenimento escapista, é uma ótima pedida.

Crítica | Cidade Perdida

Engenharia do Cinema Realmente os cinemas vem carecendo de boas comédias com toques de aventuras, até mesmo produções com tais temáticas (afinal, os estúdios estão mirando mais em franquias lucrativas). “Cidade Perdida” não só trás Sandra Bullock de volta a este gênero (que não estava neste tipo de filme desde “As Bem Armadas“, lançado em 2013), como também consegue trazer consigo grandes nomes como Channing Tatum e Daniel Radcliffe. Porém, estamos falando de um filme totalmente genérico com o intuito de divertir por duas horas e nada além disso. A história gira em torno da escritora Loretta (Bullock), que após o lançamento de mais um livro de sua franquia de sucesso, acaba sendo misteriosamente sequestrada pelo bilionário Abigail Fairfax (Radcliffe). Este ordena que ela use suas habilidades para traduzir uma série de desenhos, que segundo o próprio podem levá-lo para um grande tesouro. Só que ambos não esperavam que o dublê de capa dos livros de Loretta, Alan (Tatum) iria até o local para resgatá-la.    Imagem: Paramount Pictures (Divulgação) O roteiro de Oren Uziel, Dana Fox, Adam Nee e Aaron Nee (estes últimos também assinam a direção) procura seguir um escopo bastante clichê (chegando a lembrar um pouco “Tudo Por Uma Esmeralda” e até mesmo “A Proposta“), deixando o desenvolver da narrativa ser levado pelo carisma dos atores. Apesar de Bullock e Tatum terem bastante química, o grande destaque acaba sendo para o astro Brad Pitt. Mesmo sendo uma participação curta, ele acaba tirando muitos risos e referenciando justamente o papel que lhe deu o Oscar em “Era Uma Vez Em… Hollywood“. Infelizmente não podemos dizer isso para Radcliffe, que realmente aceitou o filme para se divertir (uma vez que seu vilão é bastante desinteressante e banal). Com cerca de 110 minutos de duração, certamente o problema principal deste filme é tentar tirar várias esquetes na narrativa com o intuito de promover risos. Isso acaba fazendo a produção se tornar um pouco rasteira e sonolenta, em vários aspectos (vide o arco da empresária Beth, vivida por Da’Vine Joy Randolph, onde acham que é engraçado ainda ver uma mulher obesa berrando). Seria mais fácil terem deixado Pitt com mais tempo de tela. Em seu desfecho “Cidade Perdida” acaba sendo uma esquecível produção marcada apenas por conseguir entreter o espectador por apenas duas horas e nada mais.